Crítica | Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island)

Kong: A Ilha da Caveira é uma mistura de dois grandes gêneros do cinema, o de Guerra e o de filmes de monstro. Parece um tanto quanto inusitada, mas essa mistura funciona de maneira bastante eficaz.

Essa nova adaptação de King Kong mantém a essência desse personagem icônico. Um filme B, mas não em um sentido depreciativo. O longa não se leva a sério desde o início, e isso o transforma em uma aventura bastante divertida. Afinal de contas, estamos diante de monstros gigantes em combate, então é meio difícil achar seriedade nessa situação.

A ideia de fazer um filme de época também foi feliz ao conferir um tom nostálgico a trama, uma vez que a história se passa nos anos 70. Dessa forma, o clima da história também ganha um ar inocente, de uma época em que os avanços tecnológicos ainda estavam se estabelecendo. Assim, fica mais fácil para os personagens acreditarem na existência de monstros gigantes.

A primeira parte do filme apresenta muito bem seus personagens e a preparação para a missão. Primeiro conhecemos William “Bill” Randa (John Goodman), funcionário da Monarch – uma agência secreta do governo. Ele está tentando convencer um senador a liberar fundos para uma expedição em uma ilha misteriosa, só que sua reputação não é das melhores. Felizmente Houston Brooks (Corey Hawkins), um jovem geólogo, consegue convencer o político ao falar sobre a possibilidade dos russos terem interesse em investigar o local. No auge da Guerra Fria, essa era a motivação necessária.

Em seguida vem a parte militar. A equipe liderada por Preston Packard (Samuel L. Jackson) está livre graças ao fim da guerra do Vietnã, então é convocada para acompanhar os cientistas na expedição a ilha. É convocado também o ex-militar inglês James Conrad (Tom Hiddleston), que  virou um mercenário e é especialista em explorar florestas desconhecidas. Mason Weaver (Brie Larson) completa o time. Ela é uma fotógrafa especialista em guerra e também é ativista da paz. Ou seja, temos um grupo bastante eclético.

A cena da chegada a ilha é impressionante! Kong não é poupado ao espectador com o objetivo de criar um clima de “mistério” e suspense. Logo nos primeiros minutos ele já surge na tela causando uma grande destruição. O diretor Jordan Vogt-Roberts acerta ao investir em cenas de ação e aventura, mostrando todo o potencial da criatura. Essa, inclusive, é a maior versão, em altura, feita do monstro. Os efeitos visuais impressionam.

Falando na parte visual, a fotografia de Larry Fong é impressionante e de uma beleza incrível, mesmo com um 3D desnecessário. O filme tem algumas cenas lindas, como a chegada dos helicópteros sobrevoando a ilha com o sol ao fundo – fazendo referência ao clássico “Apocalypse Now”. A citação ao filme ainda vai além, utilizando o recurso de adicionar uma música da trilha dentro da cena. Uma das aeronaves estava equipada com caixas de som, então o piloto coloca para tocar a música “Paranoid”, clássico do Black Sabbath. O efeito é bem interessante. Mas existem diversas outras referências pop espalhadas por toda a projeção.

Voltando a fotografia, o trabalho feito com a utilização de closes nos olhos dos personagens cria uma rivalidade interessante entre Kong e Packard. O personagem de Jackson é estabelecido logo no início como o antagonista da criatura. Ele quer vingar seus homens mortos pelo monstro. A troca de olhares entre eles, estabelecida com planos fechados, cria um efeito fantástico, mesmo que exista uma enorme diferença de altura entre o homem e o gorila gigante.

A montagem de Richard Pearson também ajuda a estabelecer essa relação entre os personagens e cria também um ótimo ritmo na narrativa. Mas o grande destaque do conjunto entre fotografia e montagem é em estabelecer a mis-en-scène das cenas de aventura. Dessa forma, é possível acompanhar o que está acontecendo na tela de forma clara. Isso é fundamental em um filme com cenas de ação e luta.

Nesse quesito Kong: A Ilha da Caveira se destaca em mostrar ótimas cenas de batalha entre os humanos e Kong, mas também dele com outros monstros gigantes. E é justamente isso que o público que vai conferir em um filme desse gênero quer ver. Com direito a algumas cenas em câmera lenta, para que os detalhes possam ser apreciados.

Nem por isso o roteiro deixa de lado a história. Se os personagens foram bem apresentados no início, com suas respectivas funções, durante o filme cada um deles vai cumprindo o seu papel. Por mais que eles não sejam desenvolvidos com profundidade, algo desnecessário em um filme desse estilo.

O elenco formado por grandes nomes justifica seus respectivos talentos. Todos colaboram de forma positiva criando personagens carismáticos e com química entre si, fazendo com que o espectador se importe com o destino de cada um, e até mesmo se emocione com o destino de alguns.

Kong: A Ilha da Caveira é uma aventura extremamente bem realizada, tanto em seu roteiro quanto na parte técnica. Ao não se levar a sério, conseguiu criar um clima bem divertido, que mistura bom humor com ótimas cenas de ação. Sem esquecer, é claro, de apresentar personagens carismáticos, interessantes e uma boa história.


Uma frase: – Preston Packard: “É hora de mostrar ao Kong que o homem que é o rei!”

Uma cena: A chegada a Ilha da Caveira.

Uma curiosidade: O filme está sendo lançado 12 anos após King Kong (2005), de Peter Jackson, e 84 anos depois da versão original, em preto e branco, de 1933.

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Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island)

Direção: Jordan Vogt-Roberts
Roteiro: Dan Gilroy e Max Borenstein, história de John Gatins e Dan Gilroy
Elenco: Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, John Goodman, Brie Larson, Jing Tian, Toby Kebbell, John Ortiz, Corey Hawkins, Jason Mitchell, Shea Whigham, Thomas Mann, Terry Notary e John C. Reilly
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Ano: 2017
Duração: 118 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

2 thoughts on “Crítica | Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island)

  1. Confesso que não sei o que esperar deste filme. Acho curioso que Brie Larson acaba seguindo o caminho de outras atrizes que, como ela, venceram o Oscar de Melhor Atriz e acabaram seguindo o prêmio com papeis em grandes franquias como essa. Parece quase uma tradição, já! rsrsrs

    1. Eu também fui assistir sem muita expectativa, e fui surpreendido.
      Ela tem que aproveitar a oportunidade para fazer filmes blockbusters para ganhar dinheiro, já que o reconhecimento ela já conseguiu.

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