Crítica | A Bela e a Fera (Beauty and the Beast)

A Disney segue com a fórmula de sucesso em transformar seus desenhos clássicos em filmes live-action, mas A Bela e a Fera não foi bem adaptado do seu formato de animação. Com pouco mais de 2 horas de duração, contra os 84 minutos do desenho, o filme tem um ritmo arrastado e irregular.

Irregular seria a melhor palavra para descrevê-lo. A começar pelas atuações dos protagonistas. Emma Watson está sem um pingo de carisma e totalmente caricata. Uma atuação bem ruim, longe do talento e da empatia apresentado pela atriz na franquia Harry Potter como Hermione, que era uma personagem tão forte. Até Dan Stevens, como a Fera, conseguia ter uma melhor expressão facial que Watson como Bela. Além disso, a química entre os dois é bem ruim, fazendo com que o romance entre os personagens não pareça genuíno.

Já os efeitos visuais alternam bons e maus momentos. As cenas dentro do castelo da Fera e os personagens que viraram objetos inanimados – que ganharam vida – são muito bem feitos. Há algumas pequenas exceções, como o bule e a xícara de chá, que não ficaram muito bons porque seus rostos são pintados na lateral, ao invés de usar suas asas como nariz, o que torna os objetos estranhos e sem muito carisma. No entanto, vale destacar o ótimo trabalho do design de produção na criação dos cenários com uma excelente riqueza de detalhes, totalmente inspirado na animação – é claro. Apesar da excelente produção visual, o filme peca ao mostrar em algumas cenas, como o primeiro jantar de Bela no castelo, um exagero no mise-en-scène se tornando tão extravagante e colorido que mais parece uma animação do que algo “real”.

Falando em exagero, em muitos momentos o filme tenta parecer grandioso, principalmente nas cenas externas exibindo o castelo, por exemplo, mas a fotografia e os efeitos visuais tornam tudo artificial e sem graça. Os movimentos de câmera contribuem com a artificialidade, como em cenas em que os ambientes são apresentados ao espectador – destaques para as cena da biblioteca ou a do quarto onde Bela vai dormir – com um giro de 360 graus que não funciona – principalmente em 3D, deixando confusa a apresentação do local.

Tentando se aprofundar na história e nos personagens, o roteiro de Stephen Chbosky e Evan Spiliotopoulos apresenta alguns pequenos flashbacks dos protagonistas. O objetivo é desenvolver melhor Bela e a Fera, criando um paralelo entre a infância dos dois, mas também falha por não conseguir realizar isso de maneira satisfatória. O comportamento da Fera, por exemplo, é justificado pela criação que ele recebeu do pai, em uma cena curta e totalmente expositiva. E o pior de tudo, que falha em apresentar esse elemento a trama.

Sempre querendo parecer “maior” que a animação, a inclusão de algumas cenas e músicas só contribuem para um ritmo mais lento, deixando o filme totalmente arrastado. A montagem de Virginia Katz falha em encontrar um ritmo que justifique esse tempo a mais de duração.

As músicas novas são fracas, enquanto os novos arranjos das antigas as deixaram piores. Mas é óbvio que o poder das canções antigas é forte e, portanto, a música tema, por exemplo, continua tendo sua importância dentro da trama.

O filme sabe da importância da animação e de suas cenas e músicas icônicas e marcantes. Então os poucos momentos da versão live-action que conseguem chegar perto de emocionar são praticamente cópias da animação. Quando vemos a Bela vestida com seu clássico vestido amarelo descendo as escadas para a cena de dança com a Fera, impossível não lembrar do desenho. Com isso o diretor Bill Condon repete quase todos os planos da cena original, e o fato dele ter experiência com musicais como Dreamgirls faz com que ele consiga transpor a cena com atores de forma satisfatória.

Mesmo com um ótimo elenco de personagens secundários, principalmente os que dão voz aos objetos inanimados, A Bela e a Fera falha em transpor a animação para um filme tradicional. Longo sem necessidade e artificial em sua tentativa de parecer grandioso. O principal problema: os protagonistas não convencem com sua história de amor. E isso é uma falha grave.


Uma frase: – Lumiere: “Um relógio quebrado está certo duas vezes ao dia, Cogsworth. Mas essa não é uma dessas vezes.”

Uma cena: A cena na taverna com a música sobre Gaston.

Uma curiosidade: Enquanto Ryan Gosling recusou o papel de Fera para fazer La La Land: Cantando Estações (2016), Emma Watson desistiu de viver Mia no mesmo filme para ser a Bela do live-action da Disney.


A Bela e a Fera (Beauty and the Beast)

Direção: Bill Condon
Roteiro: Stephen Chbosky e Evan Spiliotopoulos
Elenco: Emma Watson, Dan Stevens, Luke Evans, Kevin Kline, Josh Gad, Ewan McGregor, Stanley Tucci, Audra McDonald, Gugu Mbatha-Raw, Ian McKellen e Emma Thompson
Gênero: Família, Fantasia, Musical
Ano: 2017
Duração: 119 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

2 thoughts on “Crítica | A Bela e a Fera (Beauty and the Beast)

  1. Apesar de não acrescentar nada novo à clássica animação, a adaptação live action de “A Bela e a Fera” manteve intactos a magia, o encanto e o sentimento que este filme nos evoca. Eu amei o trabalho de Bill Condon, especialmente na parte estética do filme. Foi tudo o que eu esperava – e mais. Acho que o filme se destacará bastante, nesse sentido, na próxima temporada de premiações.

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