Crítica | LEGO Batman: O Filme (The LEGO Batman Movie)

LEGO Batman: O Filme conseguiu captar a essência do personagem ao fazer um filme que funciona para os fãs de todas as idades com ótimas referências ao universo do herói. A animação mantém o mesmo estilo visual de “Uma Aventura LEGO” equilibrando bem o lado cômico LEGO com a ação do homem morcego.

“Tela preta, todo bom filme começa com uma tela preta”. Quando ouvimos a voz do Batman, interpretada por Will Arnett, falando isso de modo “ameaçador” e irônico, já sabemos qual será o tom da animação. A versão LEGO do personagem é o clichê perfeito do herói da DC: tem um ego enorme, atua sozinho e está sempre certo. Só que ao contrário da versão original, aqui o herói derrota os vilões facilmente, fazendo graça deles enquanto canta uma canção e toca guitarra, totalmente galhofa e cômico, ainda mais surreal que as versões dos diretores Tim Burton e Joel Schumacher.

Tudo bem, estamos dentro de uma animação para crianças e dentro de um universo feito de peças de LEGO. Então, dentro desse contexto, o estilo exagerado e hilário faz todo o sentido. Só que mesmo dentro desse tom cômico o filme consegue captar a essência do Batman e obviamente tirar sarro disso: qual seria o maior medo do herói? Cobras palhaços, responde o herói. Mas na verdade é ter uma família novamente, já que seus pais foram assassinados quando ele era criança.

A partir dessa premissa a história é criada, então faz todo o sentido termos a presença de Robin (voz de Michael Cera) como a figura de um filho e Alfred (voz de Ralph Fiennes) como a figura paterna que o herói não admite ter. Mas não é só a relação de família que incomoda o Batman.

Quando Barbara Gordon (Rosario Dawson) assume o lugar do pai como comissária de polícia de Gotham City, sua primeira crítica é dizer que Batman não resolveu o problema da criminalidade da cidade. Afinal, os bandidos de Gotham City continuam sempre à solta cometendo seus crimes. O herói precisa dos vilões para ter um sentido na vida, mas tem dificuldades em assumir isso, o que por sua vez incomoda o Coringa (voz de Zach Galifianakis), que fica chocado e triste pelo fato de o Cavaleiro das Trevas não o considerar o seu arqui-inimigo.

Ou seja, o que a versão LEGO do Batman realmente precisaria seria uma terapia, mas nada como um pouco de humor e aventura para resolver todos os seus problemas. Dessa forma, a animação comandada pelo estreante Chris McKay é literalmente para toda a família, ironicamente o maior medo do protagonista. Uma forma bastante inteligente de explorar um lado do homem morcego não muito aprofundado em suas versões nos quadrinhos, animações e filmes. Uma mensagem positiva da importância de não querer fazer tudo sozinho e de ter amigos e família ao seu lado para ajudar a enfrentar as dificuldades da vida. Até mesmo um super herói solitário precisa refletir sobre isso. E essa é a essência do personagem, já que ele perdeu sua família e transformou o combate ao crime no seu objetivo de vida.

Claro que tudo isso é mostrado de forma exagerada e hilária, afinal estamos vendo (é sempre bom lembrar) uma animação com peças de LEGO. Mas mesmo assim existe um pequeno toque de drama, por mais que isso seja meio tragicômico, como o fato do Batman sair em carreata pela cidade sendo ovacionado pela população, mas quando chega em sua mansão está totalmente solitário.

E todos esses elementos fazem parte da essência do Batman. Mesmo fazendo graça com o personagem, a animação mostra um profundo respeito pelo universo do herói. Então, para agradar os fãs, o que não faltam são fan services com diversas referências ao mundo do Cavaleiro das Trevas e à cultura pop em geral. Assim como diversas participações especiais de diversos personagens da DC.

Conseguir realizar um filme que funciona para todas as idades e que mesmo assim mantém a essência do Batman é um grande feito dessa animação, especialmente considerando a grande dificuldade que a Warner está tendo em construir o universo cinematográfico da DC. Até isso LEGO Batman: O Filme não perdoa ao zoar “Esquadrão Suicida”, mesmo que depois ele use praticamente a mesma premissa dele usando vilões para resolver o conflito. Será então que o lado cômico é a resposta? Com certeza não. Basta construir uma boa história e lembrar da importância da essência do personagem. A versão LEGO conseguiu fazer isso muito bem, agora é aguardar a resposta de carne e osso.


Uma frase: – Batman: “A vida não te dá um cinto de segurança!”

Uma cena: O início do filme com tela preta.

Uma curiosidade: Ralph Fiennes é o terceiro ator britânico indicado ao Oscar a interpretar o personagem Alfred Pennyworth. Os outros são Michael Caine não trilogia Cavaleiro da Trevas e Jeremy Irons em Batman vs Superman: A Origem da Justiça.

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LEGO Batman: O Filme (The LEGO Batman Movie)

Direção: Chris McKay
Roteiro: Seth Grahame-Smith, Chris McKenna, Erik Sommers, Jared Stern e John Whittington
Elenco: Will Arnett, Zach Galifianakis, Michael Cera, Rosario Dawson e Ralph Fiennes
Gênero: Animação, Ação, Aventura
Ano: 2017
Duração: 104 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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