Crítica | Aliados (Allied)

O que você faria se descobrisse que sua esposa é uma espiã traidora e tivesse que matá-la? Essa é a premissa de “Aliados”, novo filme do diretor Robert Zemeckis. Uma mistura de filme de espionagem, guerra e romance. Entretanto, a parte amorosa é justamente a que compromete o longa metragem.

O primeiro ato do filme tem o objetivo de apresentar os personagens e construir a relação amorosa dos protagonistas. Assim, conhecemos Max Vatan (Brad Pitt), que chega à cidade de Casablanca, no Marrocos francês, durante a 2ª Guerra Mundial para uma missão: assassinar um embaixador alemão. Ele conta com o auxílio de Marianne Beausejour (Marion Cotillard), uma rebelde francesa que fugiu do seu país após a morte do grupo de resistência do qual fazia parte. O disfarce de ambos é ser um casal para ir à festa do embaixador e completar a tarefa.

A preparação da missão e ambientação de Max é de 10 dias. Embora role uma tensão sexual entre ambos, é preciso focar na tarefa. Em determinado momento o casal cede à tentação. Após o assassinato, Vatan convida a moça para que retornem a Londres e se casem. Juntos, eles têm uma filha e após um período tranquilo ao lado da família, Max é surpreendido com suspeita de que a Marianne possa ser uma espiã. Transtornado, ele decide buscar a verdade.

A premissa é interessante. Porém, o roteiro de Steven Knight, não desenvolve o romance satisfatoriamente. Tudo muda com uma única cena de sexo entre os protagonistas e embora isso possa ser plausível, fica artificial. A falta de química entre os atores não convence o público, ainda que ambos atuem de forma correta.

Sem que o romance funcione, o segundo ato do filme perde a tensão. Max precisa descobrir a verdade sobre a esposa e, caso se confirme que ela é, de fato, uma espiã, ele ter que matá-la, sob pena de ser considerado traidor. A parte mais problemática da narrativa é justamente essa de desconfiança e investigação. O comportamento estranho do marido e seus métodos ineficazes para descobrir a verdade tornam essa parte do filme arrastada.

Na conclusão o filme se perde completamente. Não foi criado um clima de tensão que culminasse no encerramento da história e, a essa altura, é tarde para fazer com que o espectador se importe ou se emocione com o destino dos personagens. Há poucos momentos em que a tensão criada foi bem sucedida, como a cena na qual Max aguarda uma ligação, em casa. Ouvimos apenas o som do relógio fazendo tic tac, em cima do criado mudo. A expressão do personagem demonstra toda a preocupação com a proximidade da hora marcada para que o telefone toque.

É preciso citar aqui o ótimo trabalho da trilha sonora, de Alan Silvestri, colaborador frequente dos filmes de Zemeckis. Com tom minimalista no qual, em muitos momentos, ouvimos apenas os sons diegéticos da cena, como sons de passos, porta batendo, etc.

Na parte técnica vale destacar o design de produção, sempre essencial em filmes de época. Já a fotografia deixa a desejar em algumas cenas externas, principalmente as do deserto por criar um ambiente com visual artificial.

Outro destaque são as cenas de ação, mas elas se resumem a, basicamente, duas. Ambas são muito bem realizadas e mostram todo o talento de Zemeckis como diretor. Muito embora uma delas não seja, necessariamente, de ação, ela funciona como se fosse. É a cena em que Marianne está dando à luz e, concomitantemente, acontece um bombardeio.

O filme se resume a poucas cenas interessantes. Uma pena, considerando a quantidade de talentos envolvidos no projeto. A ideia era criar um romance de guerra e espionagem, porém, o elemento mais básico da narrativa – a relação amorosa – simplesmente não funciona bem.

* Texto revisado por Elaine Andrade


Uma frase: – Max Vatan: “Nós somos casados, por que deveríamos dar risada?”

Uma cena: A tensão com o barulho do relógio se aproximando da hora marcada para Max receber uma ligação.

Uma curiosidade: Brad Pitt teve Marion Cotillard como professora de francês.

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Aliados (Allied)

Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Steven Knight
Elenco: Brad Pitt, Marion Cotillard, Jared Harris, Simon McBurney e Lizzy Caplan
Gênero: Ação, Drama, Romance
Ano: 2016
Duração: 124 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

2 thoughts on “Crítica | Aliados (Allied)

  1. Sem dúvida, trata-se de um filme que tem um ótimo elenco e um bom diretor por trás das câmeras. Entretanto, tenho uma birra com “Aliados”: o trailer conta detalhes demais… Não deixa nem a gente com aquele gostinho de quero mais. Me parece que todas as camadas da história foram reveladas ali.

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