Crítica | Quando as luzes se apagam ( Lights Out, 2016)

Em 2013 o curta de terror Lights Out se tornou um grande sucesso no facebook. Nele, uma mulher visualiza uma silhueta estranha toda vez que apaga a luz e a medida que faz isso a figura se aproxima ainda mais sem contar com o final assustador. A exemplo de Mama, não demoraria para esse curta virar um longa e, claro, não conseguir manter a atmosfera de medo do seu antecessor.

Quando as luzes se apagam conta a história de um garoto que vê uma figura estranha quando ele apaga as luzes em sua casa. O medo crescente se mistura a preocupação com a mãe que está entrando em uma espiral de loucura após a morte do marido e parece estar ligada a essa figura macabra, restando apenas a chance de pedir ajuda à sua irmã mais velha que não mora com eles faz alguns anos.

O início do filme lembra muito o ar claustrofóbico e urgente que tornou o curta tão assustador. A atriz Lotta Losten, protagonista do curta, inicia o filme em uma cena muito parecida com a original: Apagando as luzes. O medo crescente que passa para uma cena de perseguição a outro personagem deixa o espectador com os nervos a flor da pele, torcendo por uma fresta de luz onde ele possa se esconder. Iniciar o filme com esse tipo de ação e sem florear na explicação é um ótimo aperitivo, pena que termina por aí.

Dirigido por David F. Sandberg, o responsável pelo curta, e produzido pelo já conhecido James Wan, o filme não se sustenta. O clímax são os minutos iniciais e a medida que passamos a conhecer melhor aquela família e por consequência a entidade que a assombra, o medo vai indo embora. O fato da entidade, chamada de Diana, estar presa aquelas pessoas já é bastante limitador e, com protagonistas tão pouco desenvolvidos, fica difícil torcer pelo destino deles. Sophie, personagem de Maria Belo, não causa nenhuma empatia mesmo quando resolve pedir ajuda, as cenas de tensão onde Rebecca e Martin tentam se manter longe da escuridão são previsíveis e pouco elaboradas. Já no final do filme, em um breve momento quando Bret foge da entidade, temos de volta aquele gostinho de que o perigo não está confinado na casa (como na maior parte das cenas) mas também faz da rua um local extremamente perigoso. Uma pena que não levam esta ideia adiante.

Happy Birthday
Happy Birthday

Acredito que a ideia seria sair do cinema com aquele friozinho na barriga e o olhar mais atento ao adentrar em um ambiente sem luz. Infelizmente isso não acontece e aquela sensação de vulnerabilidade tão esperada fica apenas na vontade. Com um desfecho¹ morna para um filme “apagado”, não consegui entender como a crítica internacional o colocou no mesmo patamar de outros muito mais assustadores. Cabe a você tirar suas próprias conclusões e sentir, ou não, medo de apagar as luzes!

¹ Uma ideia foi plantada no final do filme mas não houve uma conclusão: Sophie teria prendido o espirito de Diana no porão da sua casa? Com as mensagens na parede ficou a impressão que ela estava confinada naquele local exatamente como o pai fazia antes do internamento. O que acharam?

Uma frase: Paul, acho que tem algo lá no depósito. (Esther)

Uma cena: A sequência inicial quando Paul vai apagar as luzes do depósito de manequins e vê pela primeira vez a entidade. 

Uma curiosidade: A casa neste filme é o mesmo usado em Ouija (2014) e Ouija: Origem do Mal (2016)

 

 


cartaz
Quando as luzes se apagam (Lights Out)

Direção:  David F. Sandberg
Roteiro: Eric Heisserer e David F. Sandberg
Elenco: Teresa Palmer, Maria Bello, Billy Burke, Gabriel Bateman, Alexander DiPersia.
Gênero: Horror
Ano: 2016
Duração: 81 min.



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Uma criatura meio doida que lembra a irmã do Ferris Bueller, finge que é nerd, adora filmes de terror mas tem medo de comédias românticas.

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