Crítica | Bruxa de Blair (Blair Witch, 2016)

Quanto a expectativa que fazemos em relação a um filme pode influenciar em nossa percepção final? Logo que soube da movimentação em torno de um outro filme da Bruxa de Blair, já esperei pelo pior. Apesar do trailer interessante, ficou aquele medo de me deparar com outra produção equivalente a Bruxa de Blair 2 – O livro das sombras, lançado em 2000. Aquela continuação figura como uma das piores sequências realizadas na vertente dos filmes de terror, em pé de igualdade a A Hora do Pesadelo 2. Embora a crítica estrangeira tenha feito muitos elogios ao filme de 2016, preferi me resguardar pois o mesmo aconteceu em Lights Out, muito se elogiou mas achei bastante fraco.

Bruxa de Blair 2016 me surpreendeu positivamente! O filme ignora totalmente a sequência de 2000 – o livro das sombras, contando uma história baseada no original de 1999; quase uma continuação. O filme conta a história de James que reúne alguns amigos para ir em busca da irmã Heather (do filme original), desaparecida na floresta de Black Hills enquanto filmava um documentário a respeito da Bruxa de Blair. Embora ele tivesse seis anos na época, tem muito viva a memória daquele período onde o país se mobilizou nas buscas pelos jovens mas nada além dos equipamentos deles foram encontrados. James, os amigos e mais um casal de moradores locais entram na floresta e sentem na pele a implacável perseguição da Bruxa.

O filme demonstra uma certa maturidade explorando o que se tem disponível de tecnologia para os amigos estarem seguros no local de buscas. Os equipamentos vão desde GPS individual, rádio e até um drone! É aquela velha história que parece batida mas nunca conte apenas com um modelo de comunicação, a exemplo de um celular que pode ficar sem sinal ou a bateria acabar. Apesar de se mostrarem tão preparados, fazem umas loucuras que nem as crianças mais ingênuas seriam capaz.

A primeira delas é permitir que um casal desconhecido se junte a eles para acampar na floresta. Duas pessoas que já demonstram certa instabilidade e um grau perigoso de fanatismo pela história da Bruxa podem ser um perigo pra o grupo. Eles podem assaltar os colegas, matar ou forjar alguma aparição sobrenatural … o que de fato se concretiza. Outra incoerência é simplesmente a falta de explicação para as pessoas insistirem em se separar ou entrarem sozinhos na floresta. Não existe uma razão para correr sozinho, a noite, em uma floresta desconhecida, seja para aliviar necessidades fisiológicas, procurar lenha ou tentar salvar um amigo que grita pedindo socorro.

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Um outro ponto positivo deste filme é a ideia de que não existe nada para lhe dar segurança em Black Hills. Não importa a quantidade de equipamentos que você leve, como GPS, câmeras, drones… nada vai te deixar seguro. A floresta tem seu próprio contexto de espaço/tempo, levando as pessoas à loucura. Um exemplo disso é o fato de não controlarem o próprio sono, acordando já na parte da tarde e também percebemos que simplesmente não amanhece, tornando a floresta uma eterna noite. Enquanto para o grupo se passaram apenas dois dias, para Lane e Talia já haviam se passado cinco dias de completa escuridão.

Quando você tem muitas câmeras e muitos pontos de vista, as imagens ficam confusas. E quando eu digo confusa é de uma forma ruim. No original, as imagens confusas ou fora do ângulo onde acontecia a ação dava uma sensação de medo enorme pois você não sabia o que estava acontecendo! Podíamos ver como uma filmagem “real” e isso quer dizer que ao correr pra salvar sua vida, quando o medo é real, você não lembra ou não se importa em filmar. No filme de 2016 a confusão fica por conta de muitas imagens que só fazem sacudir, mas nos momentos chave estão ali filmando direitinho no ângulo correto. Deixaram a impressão de que estamos apenas esperando o próximo susto e não com medo do desconhecido. Mesmo com os pontos negativos posso dizer que Bruxa de Blair é um bom filme de terror, vale o ingresso do cinema e tem seu lugar como uma boa continuação. Não espere nada comparado ao clássico original, mas respeita seu antecessor. Fico muito feliz que possamos contar cada vez mais com filmes de terror nos cinemas e em 2016 a safra tem surpreendido. Vamos aproveitar!

 


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Uma frase: “Não olhe pra ela!”

Uma cena: Quando Lane e Talia, após serem expulsos, reaparecem completamente desnorteados e sujos. A partir desse momento começamos a perceber a diferença entre espaço/ tempo dentro da floresta.

Uma curiosidade:  O Diretor Adam Wingard afirmou que, a grande diferença entre o seu filme e o original é que o de 1999 é sobre estar perdido na floresta, este filme é sobre ser perseguido.

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Bruxa de Blair (Blair Witch)blairwitchposter

Direção: Adam Wingard
Roteiro: Simon Barrett
Elenco: James Allen McCune, Callie Hernandez, Corbin Reid, Brandon Scott, Wes Robinson, Valorie Curry
Gênero: Terror, Suspense
Ano: 2016
Duração: 89 min

 

Uma criatura meio doida que lembra a irmã do Ferris Bueller, finge que é nerd, adora filmes de terror mas tem medo de comédias românticas.

4 thoughts on “Crítica | Bruxa de Blair (Blair Witch, 2016)

  1. De fato, não tem como comparar com o original. É impossível reproduzir a aura de mistério que existia em torno dele, porque hoje em dia os tempos são outros, a internet é outra, não tem mais bobo no futebol.
    Mas, deixando isso de lado, é um bom filme, concordo com a nota.

  2. No quesito terror, suspense, agonia e a sensação de desespero por estar perdidos, não deixa a desejar em praticamente nenhum momento,foi muito bem feito e concordo com o que disse sobre “estarem sempre prontos e apontando para o local do susto”. Porem quando se fala de reproduzir um filme de grande sucesso é realmente difícil chegarem a esse ponto. Tiveram as sacada de ignorar completamente o fracasso de 2000 e manter viva a história do original. Eu sou duvidoso para falar pois curto muito o estilo de filme do tipo ‘atividade paranormal’ onde o fantasma, monstro ou demônio em questão nunca aparece, deixando aquele ar de tensão que nunca se sabe onde e quando irá aparecer, um ponto criticado porém gostei no filme “Blair Witch”. E para quem já esteve em uma floresta a noite, sabe o que é o poder da mente. Como a própria Lisa do filme diz que sua mente está pregando peças, o que muitas pessoas que estão na floresta são enganadas ou passam momentos de tensão pela imaginação. Finalizando achei muito bem feito e vale passar suas 1h29m assistindo este filme.

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