Crítica | Jason Bourne, 2016

A série que reinventou o thriller de espionagem para o século XXI tenta se reinventar mais uma vez.

Quando a trilogia Bourne foi concluída em O Ultimato Bourne (2007) tanto o diretor Paul Greengrass quanto o astro Matt Damon declararam que apenas retornariam à franquia se tivessem uma excelente história para contar. Infelizmente, esse não é o caso em Jason Bourne (2016).

O quinto filme da franquia do homem transformado em uma máquina de matar sem identidade por um programa black ops da CIA se sustenta basicamente em repetir a fórmula e a estrutura do terceiro filme, o O Ultimato Bourne. O enredo muda um pouco, mas durante todo o desenvolvimento da fita temos a nítida sensação de que estamos assistindo ao mesmo filme de 2007.

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Jason Bourne havia concluído sua jornada, enfim, no terceiro filme da franquia, e de fato era preciso desenvolver um argumento que fosse capaz de oferecer uma justificativa convincente para trazer o personagem título de volta à ativa. Assim, após quase 10 anos sem emergir, Jason Bourne é contatado pela sua antiga aliada e única amiga viva a hacker Nicky Parsons (Julia Stiles) com informações sobre o passado dele.

Bourne pode ter recuperado sua memória, mas isso não faz com que ele saiba toda a verdade em torno de seu recrutamento para o projeto Treadstone. Nicky descobriu pistas que indicam envolvimento de seu pai, Richard Webb (Gregg Henry), um antigo analista da CIA, no projeto que transformou David Webb em Jason Bourne. A partir daí o herói inicia uma jornada de reencontro com seu passado em busca de uma verdade que ele nem mesmo imaginava existir.

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O enredo é convincente, mas ao apelar para aspectos da vida pessoal do sempre enigmático Jason Bourne acaba incorrendo em uma série de clichés dos quais a série anteriormente era bem sucedida em evitar. As famosas questões paternas, a ideia de uma trama maior conspiracional envolvendo seu passado que até então havia sido mantida convenientemente esquecida, e um grande nêmesis pessoal (que nesse caso se desdobra nos personagens de Tommy Lee Jones e Vincent Cassel) são os que mais chamam a atenção nesse ponto.

E apesar de ser sempre bom apreciar a beleza sutil e enigmática de Alicia Vikander em tela, e satisfatoriamente reconhecer que seu perfil se encaixa muito bem no universo da série do espião Jason Bourne, é impossível não perceber, com certo incômodo também, que sua personagem, a ambiciosa e genial analista Heather Lee, é uma espécie de amálgama das personagens de Julia Stiles e Joan Allen nos filmes prévios, ocupando espaço similar ao de ambas em vários momentos.

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Apesar disso tudo, Jason Bourne (2016) não é um filme ruim. As edições rápidas e a câmera na mão dos diretor Paul Greengrass seguem dando o tom nervoso que confere uma personalidade diferenciada aos filmes da série, se posicionando em um meio termo de qualidade técnica entre a ótima experiência do terceiro filme da série e a irregular experiência do segundo. Mas como sempre o ritmo é muito bom e mantém o espectador interessado na trama que explora um dos mais instigantes questionamentos atuais envolvendo os limites da nebulosa relação entre vigilância de estado e redes sociais.

Jason Bourne pode não ser, assim, o melhor filme da franquia do espião que trouxe o gênero para o século XXI, mas consegue trazer de volta o personagem com relativo sucesso e, possivelmente, estabelecer premissas para interessantes para novos rumos da série.


1 (Kevin) Bacon

Uma frase: Lembrar-se de tudo não significa que você saiba de tudo.

Uma cena: A sequência de perseguição de carros em Las Vegas.

Uma curiosidade: Quando Nikki vai para Reykyavik para visitar o esconderijo dos hackers, um velho computador Atari ST  de 1980 é visível ao lado de onde ela configura seu laptop.


Jason Bourne, 2016

Direção: Paul Greengrass
Roteiro: Christopher Rouse e Paul Greengrass
Elenco: Matt DamonAlicia VikanderTommy Lee JonesVincent CasselRiz AhmedAto Essandoh e Julia Stiles.
Gênero: Ação, Thriller
Ano: 2016
Duração: 123 min.
Graus de KB: 1! – Tommy Lee Jones atuou em  JFK – A Pergunta que Não Quer Calar (1991) com Kevin Bacon.

 



Quadrinista e escritor frustrado (como vocês bem sabem esses são os “melhores” críticos). Amante de histórias de ficção histórica, ficção científica e fantasia, gostaria de escrever como Neil Gaiman, Grant Morrison, Bernard Cornwell ou Alan Moore, mas tudo que consegue fazer mesmo é mestrar RPG para seus amigos nerds há mais de vinte anos. Nas horas vagas é filósofo e professor.

3 thoughts on “Crítica | Jason Bourne, 2016

  1. Pois é, a coisa ficou muito “pessoal” na história o negócio acabou caindo em clichês de vingança coisa e tal. É um bom filme, mas acabou caindo no lugar comum dos filmes do gênero. Ainda assim ele ainda é um pouco acima da média e as cenas de ação continuam sendo impressionantes.

  2. decepcionante, esperava um filme a altura dos anteriores, mais encontrei aqui um filme pior do que o Legado Bourne, triste de ver…pior filme da franquia, lamentável para Matt Damon!

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