Crítica | O Contador (The Accountant)

Autista, treinado militarmente e com um “quê” de Batman. Mistura de Rain Man e Jason Bourne que faz do personagem de Ben Affleck, em O Contador, algo entre o peculiar e o divertido.

Apesar de ser um personagem interessante, o roteiro de Bil Dubuque não conseguiu construí-lo de forma inteiramente verossímil. E é aí que entram o talento e, especialmente, o carisma de Affleck para amenizar os problemas.

Wolff (Ben Affleck) é o contador de figuras criminosas. Recebeu do pai treinamento militar e na prisão, aprendeu a lavar dinheiro. É assim que o personagem consegue escapar da mira da polícia. Ao ser contratado por uma empresa chamada Living Robotics, Wolf descobre uma fraude milionária. E com isso, ele coloca em risco a funcionária Dana Cummings (Anna Kendrick), que também é contadora e suspeitava do desvio.

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Somente a trama do protagonista já seria o suficiente para uma premissa interessante. Mas o filme de Gavin O’Connor investe também na história da agente do departamento de tesouro chamada Marybeth Medina (Cynthia Addai-Robinson). A ideia seria criar a relação entre polícia e ladrão, entretanto o roteiro de Dubuque falha nessa construção. A personagem apenas ocupa tempo no filme sem mostrar sua real importância.

Ao iniciar a investigação, o processo usado por Medina mostra-se incapaz de enxergar pistas óbvias. O pior de tudo é que o caso é resolvido de uma forma forçada.

O filme também é prejudicado pela utilização de flashbacks que apresentam o passado de Wolff. Esse recurso quebra o ritmo da trama e também falha ao desenvolver o histórico do personagem. Assim, a versão dele do presente não condiz com a do passado. Para compensar a falta de ritmo há boas cenas de ação de lutas e tiroteios.

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Diante de tudo isso, era mesmo necessário mostrar a genialidade de Wolff com números enquanto o personagem escreve em quadros e janelas? Esse clichê cinematográfico que retrata gênios matemáticos mostra-se inútil neste filme, além de parecer um recurso visual preguiçoso do diretor.

Apesar de ser problemático, o filme “O Contador” traz um protagonista bem interpretado por Affleck. Ele faz de Wolff alguém interessante e divertido. A premissa de um simples contador que resolve suas questões dando tiros já vale a ida ao cinema.

* Texto revisado por Elaine Andrade


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Uma frase: – Dana Cummings: “Quem é você?” (perguntando para Christian Wolff)

Uma cena: A sessão de tiros de Christian Wolff sozinho na fazenda de um cliente enquanto este o observa.

Uma curiosidade: Anna Kendrick baseou a sua personagem em sua mãe, um contadora na vida real que revisou o roteiro junto com ela e explicou a matemática para sua filha.

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contador-cartazO Contador (The Accountant)

Direção: Gavin O’Connor
Roteiro: Bill Dubuque
Elenco: Ben Affleck, Anna Kendrick, J.K. Simmons, Cynthia Addai-Robinson, Jon Bernthal, Jeffrey Tambor, John Lithgow, Jean Smart, Alison Wright e Robert C. Treveiler
Gênero: Ação, Crime, Drama, Thriller
Ano: 2016
Duração: 128 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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