Crítica | As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras (Teenage Mutant Ninja Turtles: Out of the Shadows , 2016)

Para aqueles que cresceram se apaixonando pelas Tartarugas Ninja através do desenho animado da década de 80, o novo filme dos jovens quelônios versados nas artes do combate e do subterfúgio é uma viagem de volta à infância.

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras (2016) é a continuação direta de As Tartarugas Ninja (2014), ambos, adaptações mais da série animada na Nickelodeon do que do material original em quadrinhos, criado por Kevin Eastman e Peter Laird, que na década de 80 mesmo era conhecido – ou melhor, muito pouco conhecido – por seu tom sombrio e violento, muito característico de uma época na qual Frank Miller era a grande referência.

Assim, a adaptação é na verdade um grande filme pipoca que funciona para toda a família. Os pais se lembrarão da série animada que passava nas manhãs da TV brasileira, e seus filho mais jovens reconhecerão os quelônios da bem sucedida série animada da Nickelodeon. O tom da animação é preservado quase que integralmente. O filme é divertido, agitado e colorido. Uma adaptação muito bem sucedida.

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Se comparada com As Tartarugas Ninja (2014), o primeiro filme dessa nova safra, – não nos esqueçamos que na década de 90 as Tartarugas Ninja também tiveram três outras adaptações para o cinema, que fizeram relativo sucesso, As Tartarugas Ninjas (1990), As Tartarugas Ninja II – O Segredo do Ooze (1991) e As Tartarugas Ninja III (1993) – essa adaptação é consideravelmente melhor.

Dave Green (responsável pelo singelo Terra para Echo, 2014), o diretor desse longa, não comete os erros Jonathan Liebesman, e entrega um filme muito mais redondo e bem resolvido, com uma trama frenética que, apesar das diversas concessões que se é preciso fazer com o roteiro para se embarcar na trama, convence e agrada pela diversão despretensiosa. Green ainda é bem sucedido em apresentar efeitos especiais melhores, enquadramentos e edição que favorecem à compreensão e ao ritmo da história e em desenvolver certa empatia da platéia com os personagens principais, como da primeira vez, integralmente feitos através da tecnologia de CGI após captura de movimentos.

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Igualmente melhores estão os personagens não criado por CGI. A sempre bela Megan Fox, consegue ser mais do que um rostinho bonito,  imprime uma personalidade à sua April O’Neil que faria a Lois Lane de Amy Adams se esconder de vergonha. Sua química com Stephen Amell (o Oliver Queen da bem sucedida série de TV Arrow, do personagem da DC Comics) funciona bem, apesar deste dar indicações de que sua carreira deve se limitar mesmo ao seriado do qual é protagonista.

Também marcam presença na fita os sempre divertidos Will Arnett (responsável pela voz do Batman na série de adaptações do personagem da Lego) na pele do ex-camera-man Vernon Fenwick e Tyler Perry, com seu ótimo timing para comédia enriquecendo o núcleo dos antagonistas, que se via extremamente prejudicado desde pelo filme pelas limitações Brian Tee como o vilão Destruidor.

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Mas no núcleo dos vilões, quem chama atenção mesmo são os novos inimigos. Os sempre cômicos Rocksteady (Stephen Farrelly) e Bebop (Gary Anthony Williams) dão o ar da graça nesse filme com a presença que sempre mereceram ter. Nos filmes da década de 90 era muito difícil adaptar os mutantes javali e rinoceronte de maneira convincente. Com os efeitos especiais da atualidade a sua disposição os produtores conseguiram apresentar nas telonas a versão dos dois que os fãs sempre sonharam ver.

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O mesmo pode ser dito do vilão Krang, que sem dúvida alguma rouba a cena. Com a voz do excelente Brad Garrett, o comandante maligno do Tecnodrómo e residente da Dimensão-X, enfim faz uma aparição que também deveria estar entre as mais esperadas do fã da animação da década de 80. Krang é uma das melhores sátiras que os vilões mastermind da cultura pop já encontraram, e a única falha do filme é aproveitar muito pouco o personagem.

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O filme tem lá suas falhas, claro. Uma que chama atenção, é a sucessiva dificuldade que os roteiristas têm de desenvolver outros personagens do grupo que não Raphael e Leonardo. A tensão entre os quatro irmãos, e o consequente desenvolvimento que resulta dela, sempre se restringe a esses dois personagens, com Mike e Don servindo sempre como apêndices. Por outro lado, os roteiristas Josh AppelbaumAndré Nemec foram inteligentes ao deixar o mestre Splinter de lado, fazendo apenas o papel de eventual mentor palpiteiro, e focar a trama toda apenas nos quatro irmãos, que é que de fato interessa.

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As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras (2016) é diversão certa para a família inteira e uma boa pedida para um fim de cinema. Um filme pipoca de boa qualidade que agrada tanto às crianças dos dia de hoje, quanto ás crianças da década de 80 que ainda vivem nos marmanjos que cresceram ouvindo Michelangelo gritar “Santa Tataruga!”.


1 (Kevin) Bacon

Uma frase: Santa Tartaruga! (Bem, na verdade eles falam Cowabanga, mas ainda acho Santa Tartaruga imbatível em termos de localização.)

Uma cena: A primeira cena de perseguição do filme, com efeitos práticos misturados a CGI é muito bem realizada, e uma das poucas do filme que não é feita inteiramente por computação gráfica.

Uma curiosidade: Brad Garret, que faz a voz de Krang, nesse filme, é amigo pessoal do dublador Pat Fraley, que fazia a voz do vilão na série animada da década de 80.

 


As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras (Teenage Mutant Ninja Turtles: Out of the Shadows)

Direção: Dave Green
Roteiro: Josh Appelbaum e André Nemec
Elenco: Megan FoxWill ArnettLaura LinneyStephen AmellNoel FisherJeremy HowardPete PloszekAlan RitchsonTyler PerryBrian TeeStephen FarrellyGary Anthony WilliamsTony Shalhoub e Brad Garrett.
Gênero: Ação, Aventura, Comédia
Ano: 2016
Duração: 112 min.
Graus de KB: 2 – Brad Garret atuou em Vira-Lata (2007) ao lado de John Pierce Jones que esteve em Aliança do Crime (2015) com Kevin Bacon.



Quadrinista e escritor frustrado (como vocês bem sabem esses são os "melhores" críticos). Amante de histórias de ficção histórica, ficção científica e fantasia, gostaria de escrever como Neil Gaiman, Grant Morrison, Bernard Cornwell ou Alan Moore, mas tudo que consegue fazer mesmo é mestrar RPG para seus amigos nerds há mais de vinte anos. Nas horas vagas é filósofo e professor.

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