Dark Forces

Há muito tempo atrás, em uma galáxia muito, muito distante…

…um jovem fazendeiro de nome John Carmack aliou­-se ao velho louco eremita John Romero e juntos desenvolveram aquele que provavelmente é até hoje o mais importante jogo de tiro em primeira pessoa já feito: DAIKATANA (não, mentira. O Carmack teve o bom senso de nem participar desse).

Estamos falando de DOOM, um marco na história dos videogames, a “pedra fundamental” dos FPS, um dos jogos mais influentes, conhecidos e amados de nossa indústria. Foi um game que, além de trazer o capeta pra mais perto de você, trouxe também várias inovações, tanto no jogos de tiro em 3D (por exemplo o fato de existirem diferentes níveis e andares) como nos jogos em geral (foi ele que inventou os “mods” e o mata-mata online no multiplayer).

Na verdade, a importância dele foi tamanha que, por anos a fio, qualquer jogo de tiro que saía era automaticamente rotulado de “clone do DOOM”: Herectic, Blood, Rise of the Triad, Duke Nukem 3D… todos ganharam esse estigma maldito. Porém, houve um título que se sobressaiu, não só pela qualidade e pelo charme, mas por trazer o carimbo de uma das franquias mais famosas do cinema: Star Wars.

DARK FORCES foi publicado em 1995 pela falecida (snif) LucasArts, que na época era mais famosa por seus adventures de apontar e clicar (e creio que até hoje em dia ela ainda é mais conhecida por isso). Apesar de ser “mais um clone do DOOM”, tentava inovar em alguns aspectos, e de fato trouxe várias mecânicas inéditas que viriam a ser copiadas no gênero a partir de então: você podia olhar para cima e para baixo, podia abaixar, pular e usar itens específicos para resolver “puzzles”. Além disso, tinha uma história mais redondinha, coisa inédita para o gênero até então.

No jogo você incorpora o mercenário Kyle Katarn, um ex­-Stormtrooper, que não deu certo no Império (não sei, talvez sua pontaria fosse boa demais) e resolveu virar um soldado da fortuna. Mais pra frente, Kyle viria a se tornar um personagem importante no Universo Expandido, aparecendo em outros games, livros e quadrinhos, inclusive vindo a se tornar um grande Jedi, mas aqui ele tinha a mundana missão de roubar os planos para a Estrela da Morte (é, aqueles). Katarn acaba se envolvendo com a Aliança Rebelde e, após alguns contratos, descobre projetos para um novo tipo de soldado do Império conhecido como DARK TROOPER. Cheio de sangue no zóio, Kyle parte pra cima do Império a fim de acabar com esse sinistro experimento.

Não tenho um bom pressentimento quanto a isto aqui...
Não tenho um bom pressentimento quanto a isto aqui…

DARK FORCES foi um marco, principalmente por trazer pela primeira vez aos jogos de tiro um ambiente familiar – e que ambiente. Por ser desenvolvido dentro da empresa do Sapo Barbudo (aka George Lucas), o esmero em respeitar a obra era evidente. Desde os sprites e texturas que reproduziam com fidelidade (levando em conta as limitações da época) do filme, até os sons de blasters e naves, passando pela icônica trilha de John Williams, o game transbordava Guerra nas Estrelas por todos os poros. Para os fãs, era como um sonho molhado: pela primeira vez você tinha a visão de um protagonista no universo da saga, e de quebra um ótimo gameplay para complementar.

Infelizmente não se tornou um jogo tão lembrado quanto seu avô encapetado, mas deixou sua marca na história dos games. Teve duas excelentes continuações, mas isso é assunto para outro artigo.

Recomendo, especialmente para os fãs da saga e para os desbravadores de jogos antigos. Especial atenção para a missão que se passa dentro de um Super Star Destroyer e que até hoje é um marco do design de fases.


Dario Lima não sabe cozinhar feijão, andar de bicicleta e nem assobiar usando os dedos, mas pode ser ouvido quinzenalmente no podcast Cavaleiros Que Dizem Lista.

Dario Lima, além de ser faixa branca em todas as artes marciais e modalidades de combate conhecidas pelo homem, é também formado em Cinema. Mas sua verdadeira paixão são os joguinhos eletrônicos, desde que ganhou um Atari de presente do pai em uma época longínqua em que Menudo tocava nas rádios, Chevette era carro de playboy e McGyver passava na TV nas manhãs de domingo. Escreve sobre games na POCILGA e de vez em quando perturba os outros em algum episódio do Varacast.

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