Crítica | Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Crítica | Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

A Marvel Studios segue expandindo seu MCU de maneira ambiciosa e planejada. Dessa forma é possível levar para o cinema personagens menos conhecidos do grande público e que mostram toda a diversidade de histórias diferentes existente nos quadrinhos. Shang-Chi foi criado em 1973 e ficou conhecido inicialmente como o mestre do kung fu. O objetivo da casa das idéias era criar um “Bruce Lee da Marvel”, mas envolvendo também a mitologia oriental incluindo magias em universo de fantasia. Agora em 2021 o diretor Destin Daniel Cretton comanda “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”, levando o herói para a tela grande.

Na trama o protagonista Shang-Chi mora nos EUA e ficou conhecido como Shaun (Simu Liu), onde trabalha como manobrista junto com sua melhor amiga Katy (Awkwafina). Ele perdeu a mãe e fugiu do controle do pai, que queria transformá-lo em um assassino. Mas obviamente após um tempo “foragido”, seu pai Xu Wenwu (Tony Leung) o encontra e o quer de volta em sua organização, então Shaun vai em busca de sua irmã (Meng’er Zhang) para que juntos possam derrotar o pai. Bom, vale destacar também que existe toda a mitologia de magia envolvendo os dez anéis e do poder em torno deles. Assim Xu Wenwu ficou um tempo sem usá-los, mas após perder a esposa decide usar os anéis novamente.

O roteiro de Dave Callaham, Destin Daniel Cretton e Andrew Lanham é inteligente ao estruturar a narrativa de forma não linear, assim somos apresentados a novos detalhes da trama através de flashbacks enquanto a história é apresentada. Dessa forma, algumas surpresas surgem durante o filme e as motivações dos personagens são esclarecidas. A montagem de Nat Sanders, Elísabet Ronaldsdóttir e Harry Yoon é eficiente em construir a trama sem deixá-la confusa para o espectador. Por outro lado, o diretor não soube filtrar bem alguns momentos, assim o filme torna-se um pouco longo e cansativo, mas felizmente isso não prejudica o resultado final de “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”.

A montagem também é eficiente nas cenas de luta e aventura, onde a fotografia de William Pope igualmente se destaca, construindo momentos muito bons onde a ação vista na tela é clara para o espectador. O melhor momento para exemplificar isso é a luta dentro de um ônibus em movimento nas ruas de São Francisco, onde os efeitos visuais contribuem para que apesar dos “exageros”, a coreografia pareça verossímil, ao contrário que foi visto em “Viúva Negra”. Em contrapartida, a batalha final utiliza o clichê visto em filmes do gênero onde o grupo de heróis tem que combater o vilão final, no caso criaturas mitológicas feitas em computador, que tornam a cena extremamente artificial.

Outro ponto positivo do roteiro é na apresentação do universo de Shang-Chi, ainda que sejam necessários muitos diálogos expositivos. A personagem de Awkwafina funciona como um “avatar” do espectador, que assim como ela quer descobrir mais sobre o que aconteceu. A trama também explora de forma correta as relações familiares do protagonista, mas digamos que na cena escondida depois dos créditos um pouco desse esforço é meio jogado fora.

O elenco também é muito competente e carismático, com destaque principalmente para Simu Liu que desenvolve bem os conflitos do protagonista, além de ser muito habilidoso nas cenas de luta. A já citada Awkwafina também está bem, mais “controlada” que o normal, desenvolvendo uma ótima química com Simu. Outro que merece ser citado é o veterano Tony Leung, conhecido por estar presente nos filmes do diretor Wong Kar-wai, em seu primeiro papel em um filme americano.

A trilha sonora de Joel P. West também é muito competente ao explorar bem temas orientais para criar músicas que retratam bem o clima de fantasia da história, mas que da mesma forma investe no clima de ação, contribuindo perfeitamente para o tom da narrativa.

Em resumo, “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” é mais um acerto da Marvel, que mostra que é possível introduzir nesse universo cinematográfico os mais diversos tipos de personagens de maneira coerente e interessante. Mas o mais importante é conseguir manter um padrão de qualidade, apesar de que isso também “engesse” um pouco as produções. O fundamental é que a aventura dirigida por Destin Daniel Cretton é bem divertida e muito competente, principalmente na parte técnica, contanto também com um elenco de qualidade.


Uma frase: – Shang-Chi: “Achei que poderia mudar meu nome, começar uma nova vida… mas nunca poderia escapar de sua sombra.”

Uma cena: A luta dentro de um ônibus.

Uma curiosidade: Simu Liu tuitou em dezembro de 2018 sobre pedir o papel à Marvel. Mais tarde, ele retuitou o tweet original em 20 de julho de 2019, agradecendo.


Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis (Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings)

Direção: Destin Daniel Cretton
Roteiro: Dave Callaham, Destin Daniel Cretton e Andrew Lanham; história de Dave Callaham e Destin Daniel Cretton
Elenco: Simu Liu, Awkwafina, Meng’er Zhang, Fala Chen, Florian Munteanu, Benedict Wong, Michelle Yeoh, Ben Kingsley e Tony Leung
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Ano: 2021
Duração: 132 minutos

Ramon Prates

Ramon Prates

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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