Crítica | Val (2021)

Crítica | Val (2021)

O ator Val Kilmer passou por um câncer na garganta e após se curar dele ficou com uma sequela na voz. Sem dúvidas ele é um dos artistas mais talentosos da sua geração, mas que infelizmente nunca teve o seu merecido reconhecimento. Tempos depois ganhou fama de ser difícil de trabalhar, algo que marcou outros colegas como Robert Downey Jr. — que conseguiu se recuperar. Eis que Kilmer resolveu contar a sua própria história, assim o documentário “Val”, dirigido pela dupla Leo Scott e Ting Poo, faz uma bela homenagem a carreira dele.

O diferencial do documentário é que Val Kilmer possui um grande acervo de imagens de arquivo, tanto mostrando sua vida pessoal quanto a profissional. O próprio ator escreveu o roteiro e pediu para seu filho Jack gravar as vozes em off como se fosse sua própria voz, e realmente existe uma grande semelhança entre as vozes. Assim, o trabalho dos diretores foi escolher grandes momentos para ilustrar o filme de acordo com a orientação do texto de Kilmer, além de usar imagens atuais do ator em momentos pessoais e profissionais.

A decisão de Kilmer é corajosa, já que no documentário ele expõe bastante da sua vida pessoal e isso ajuda o espectador a ver esse lado pouco divulgado da sua história. Em “Val” vemos um pouco da sua trajetória como ator e momentos curiosos de algumas produções que ele fez parte, como bastidores de uma peça de teatro junto com Sean Penn e Kevin Bacon, ou cenas das filmagens de “Top Gun”, o primeiro grande sucesso do qual fez parte. Neles vemos muito da versatilidade dele como artista, sempre aberto a grandes desafios, além de um pouco do processo de como ele constrói um personagem, buscando alguma conexão com o papel.

É interessante ver também como ele expõe como a sua vida artística influenciou a pessoal, como sua dedicação exagerada na preparação para um papel como o de Jim Morrison no filme “The Doors” (1991) de Oliver Stone prejudicou seu casamento Joanne Whalley, resultando depois no divórcio. Outro exemplo foi interpretar Batman no filme “Batman Eternamente” (1995) e, após o sucesso, decidir não continuar como o personagem na sequência por motivos artísticos, isto é, não ter motivação para continuar interpretando o homem morcego. Assim ele foi considerado “maluco” por recusar um papel que lhe renderia bastante dinheiro e tempos depois teve dificuldade em encontrar espaço em filmes de maior relevância.

É impossível não se emocionar com sua história e com sua situação atual após a batalha com o câncer, então é importante dar créditos ao documentário “Val” por registrar a carreira de Val Kilmer, marcada por diversos papéis interessantes e atuações primorosas que com certeza fazem parte da história do cinema e sem dúvidas o ator merecia um destaque maior por sua obra.


Uma frase: – Val Kilmer: “Meu nome é Val Kilmer, eu sou um ator. Eu vivi uma vida mágica.”

Uma cena: Val Kilmer conversando com Marlon Brando.

Uma curiosidade: O filme teve sua estreia mundial no Festival de Cinema de Cannes em 7 de julho de 2021, e foi lançado de forma limitada em 23 de julho de 2021, antes do streaming digital no Prime Video em 6 de agosto, pela Amazon Studios.


Val

Direção: Leo Scott e Ting Poo
Roteiro: Val Kilmer
Elenco: Val Kilmer
Gênero: Documentário
Ano: 2021
Duração: 108 minutos

Ramon Prates

Ramon Prates

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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