Crítica | Aniara

Baseado em um poema escrito por Harry Martinson em 1956, Aniara é uma ficção científica que explora a existência humana como poucas obras atuais ainda se aventuram a fazer. Em meio ao infinito do espaço e do tempo, muitas questões são levantadas neste filme sueco/dinamarquês que teve a sua estréia bem recebida no Festival Internacional de Cinema de Toronto no ano de 2018.

Na trama, em um futuro não especificado, o planeta Terra chegou num ponto irreversível de destruição, tornando Marte o destino de um contingente grande de pessoas que estão indo para fazer de lá um novo lar. A duração da viagem é estimada em algumas semanas apenas, mas durante o início do percurso algo de errado acontece com a nave que sai de sua rota e acaba ficando à deriva no espaço.

Logo no início do filme somos apresentado a uma mulher (Emelie Jonsson) que trabalha numa espécie de “atração” da nave chamada MIMA que, de início, não é muito procurada. Trata-se de uma tecnologia capaz de capturar as emoções das pessoas e transformá-las em imagens, ou melhor, numa espécie de sonho vívido na mente delas. À medida que nave vai vagando sem rumo pelo espaço, enquanto não se sabe ainda se é possível voltar à rota correta, dias se tornam semanas, semanas se tornam meses e a procura por MIMA aumenta.

Escrito nas estrelas

Aniara explora muito bem o que nos torna humanos enquanto raça e também a importância de se ter um local para chamar de seu. O que era para ser um simples transporte, com o passar do tempo se torna na verdade uma espécie de “mini-planeta”. O confinamento, mesmo que numa nave grande e com recursos para sobrevivência humana, e também a incerteza rumo ao futuro e ao destino de todos, inicia uma série de conflitos. O sentimento de desesperança começa a se proliferar como uma doença, por mais que algumas pessoas tentem encontrar, no meio de tudo aquilo, alguma alegria e motivos para seguir em frente.

O filme não contou com um grande investimento, ainda mais se comparado a outros lançamentos hollywoodianos, entretanto a parte de efeitos visuais e toda a produção é bastante competente. Talvez falte um pouco mais de desenvolvimento de alguns personagens. Alguns arcos surgem “do nada” e também desaparecem sem serem melhor explorados.

Outro ponto que não pouco acrescenta (positivamente) ao filme é a divisão por capítulos. Eles se tornam na verdade uma espécie de pequenos “mini spoilers” do que está por vir. Ajuda os mais ansiosos mas talvez tire um pouco do brilho e da surpresa de algumas cenas e sequências. Não é nada que chegue a atrapalhar e é até um pouco divertido ver os nomes dos capítulos escrito em sueco (ou seria dinamarquês?) e perceber o quanto é diferente do que estamos acostumados a ver.

Procurando por esperança

Contar mais sobre Aniara, principalmente sobre o seu desfecho, talvez estrague a experiência que é acompanhar essa produção digna de figurar entre as mais bem realizadas do gênero. Quando uma Ficção Científica te conta mais que uma história, te faz ir além e questionar algumas “certezas” e, principalmente, nos mostra nosso lugar em meio a toda vastidão do universo, dizendo o que nos torna humanos, é porque, sem dúvidas, se trata de uma obra que vale o seu tempo e merece ser assistida.


Uma frase: “Nós criamos nosso próprio Planeta”

Uma cena: A Chegada à Constelação de Lyra

Uma curiosidade: O poema que é lido durante o funeral de uma integrante da tripulação foi tirado do poema no qual o filme é baseado.

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Aniara

Direção: Pella Kagerman e Hugo Lilja
Roteiro:
Pella Kagerman e Hugo Lilja adaptando poema de Harry Martinson
Elenco: Emelie Jonsson, Bianca Cruzeiro, Arvin Kanania e Anneli Martini
Gênero: Ficção Científica, Drama.
Ano: 2018 (Canadá) / 2019 (Mundial)
Duração: 1 h e 46 min.

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