Crítica | A Maratona de Brittany

Uma mulher, cansada da vida que levava, decidiu que iria correr uma maratona. Esta história real de uma amiga pessoal do cineasta Paul Downs Colaizzo o inspirou a fazer o filme “A Maratona de Brittany (Britanny Runs a Marathon)”. Disponível no catálogo da Amazon Prime, esta é mais uma daquelas obras que apostam em uma história inspiradora, que mistura superações pessoais com um pouco de comédia, para divertir.

Na trama somos apresentados a Brittany (Jillian Bell, “Anjos da Lei 2”), uma nova iorquina que sente-se constantemente cansada e chateada por conta de sua rotina, que se resume a ir a diversas festas e agradar pessoas que não estão merecendo a sua atenção. Precisando mudar, em todos os sentidos, ela decide que vai participar de uma das maratonas mais famosas do mundo, a de Nova York.

Marcando sua estreia na direção e também assumindo o roteiro, o diretor Paul Downs Colaizzo consegue trabalhar razoavelmente bem com o elenco, principalmente com a atriz Jillian Bell que é muito carismática. Fica fácil o espectador sentir as dores da personagem, comprar a sua briga e vibrar a cada pequeno passo rumo aos seu objetivo final. Como bem diz a personagem logo que decide mudar seus hábitos, “Um passo de cada vez“.

É uma pena no entanto que o filme traga, como muitos outros ainda trazem, uma certa demonização em relação ao “peso ideal” das pessoas. Essa visão que, para ser feliz, bem sucedida e capaz de atrair olhares e interesse dos demais a sua volta é necessário estar em forma é bastante perigosa. O próprio conceito de “estar em forma” é bastante relativo e, mais relativo ainda, o conceito de ser uma pessoa bela e atraente.

É verdade que existem algumas tentativas de deixar isso menos direto, principalmente na parte em que é apresentado uma condição médica preocupante da protagonista. Já próximo ao final da história, existe um momento de um “pedido de desculpas” que tenta reparar um pouco essa ideia. Apresentar como uma das primeiras insatisfações pessoais da personagem uma rejeição “física”, que ela percebe em uma balada, não sei (particularmente) se é uma decisão tão acertada também.

Tendo esse olhar mais crítico em relação a isso, sabendo separar as coisas, é possível se divertir com o filme e até mesmo se empolgar com a jornada da protagonista. Afinal, é para isso que servem as histórias inspiradoras não é mesmo? Talvez o que mais conte ponto a favor aqui em “A Maratona de Brittany” seja mesmo essa verossimilhança com a vida real de muitas pessoas que estão sempre à procura de melhorar seus hábitos e alcançar metas. Sem contar com a forma humana que a protagonista é representada, com vários defeitos e erros que ela custa a perceber e superar.

Apesar de faltar um cuidado maior na representação da personagem enquanto mulher querendo superar desafios pessoais. – existe uma cena em que ela chora de emoção após transar que não sei se estaria no filme se ele fosse dirigido por uma mulher – “A Maratona de Brittany” consegue equilibrar bem o humor e trazer uma história que inspira ao mesmo tempo em que diverte. Querer mais que isso num filme “pequeno” e “despretensioso” talvez seja querer demais. Como bem mostra a protagonista, vamos correr um quarteirão de cada vez.


Uma frase: – “Eu sou uma corredora”.

Uma cena: A primeira vez que Brittany participa do “clube de corrida”..

Uma curiosidade: Durante as filmagens das cenas na maratona de Nova York, os outros competidores acreditaram que Jillian Bell estava sendo filmada pra algum documentário e, vários deles, pararam pra ajudá-la a durante o percurso..


A Maratona de Brittany (Brittany Runs a Marathon)

Direção: Paul Downs Colaizzo
Roteiro: Paul Downs Colaizzo
Elenco: Jillian Bell, Michaela Watkins, Utkarsh Ambudkar, Lil Rel Howery e Micah Stock
Gênero: Drama, Comédia
Ano: 2019
Duração: 103 minutos 

 

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