Crítica | Durante a Tormenta (2018)

Quando o nome Oriol Paulo vem associado a algum filme, meu radar liga automaticamente. Para mim, é difícil não ligar Oriol a ótimos filmes espanhóis, visto que ele é roteirista de obras como O Corpo, Os Olhos de Júlia e Um Contratempo. Todos esses filmes tem em comum uma trama bem amarrada, com suspense crescente, plot twists honestos e com Durante a Tormenta não poderia ser diferente.

A história se concentra em Vera, que se muda juntamente com o marido e a filha para uma nova casa onde encontra um amontado de fitas VHS e uma TV analógica esquecida em um dos cômodos. Contrariando todas ações de alguém que assiste filmes de terror, ela resolve ver o que tem nas fitas e descobre que foram gravadas anos atrás por um garoto chamado Nico, morto devido a um atropelamento. Durante uma tempestade fortíssima, uma fenda temporal se abre e Vera consegue se comunicar por alguns minutos com o garoto da fita e através da TV conta a ele sobre o acidente na tentativa de impedir sua morte.

O problema nesta ação benevolente é que ela altera o passado e por consequência também o futuro. No dia seguinte, Vera se vê presa em uma vida completamente diferente da que tinha pois ao alterar o passado do menino alterou também o próprio futuro, onde nunca se casou nem teve filha. Desesperada por ter perdido tudo que importava pra ela, Vera tenta voltar a vida que tinha, presa em um presente onde todos acreditam que ela está tendo um surto psicótico.

A princípio parece difícil entender o que está acontecendo em Durante a Tormenta, pois assistimos a três linhas temporais: o passado de Nico, o passado e o futuro de Vera. Somado a isso temos histórias âncoras que são importantes para explicar as consequências dos acontecimentos a exemplo do suposto assassinato de uma vizinha, a família do ex namorado de Vera, a vida secreta do marido dela e um detetive que resolve comprar a história da moça psicótica. Por mais que pareça existir muitos elementos, tudo tem uma razão. Você começa a entender cada coisa a medida que o filme passa e se acostuma a analisar todos os processos ao mesmo tempo. É um exercício fabuloso de atenção e torcida.

Um dos poucos pontos baixos é que o filme é longo demais e alguns momentos dá a impressão que está se arrastando, segurando informação ou apenas aquecendo a cena para algo mais importante que está por vir. Isso as vezes cansa mas nada que diminua consideravelmente a história. Durante a tormenta não é um filme sobre viagem no tempo pois nenhum dos personagens viaja realmente no tempo. Ele fala sobre uma brecha temporal onde o passado e o futuro se conectam e mesmo uma ação nobre pode ter consequências terríveis. Vale muito a pena dedicar 128 minutos a mais uma ótima obra de Oriol Paulo.


Uma frase: – Você com certeza não tem filhos ou saberia o porquê eu quero tanto voltar.

Uma cena: A morte de Nico

Uma curiosidade: A torre do relógio, atingida por um raio, é interrompida às 10h04, o mesmo que em De volta para o futuro..


Durante a Tormenta (Durante la tormenta)

Direção: Oriol Paulo
Roteiro:
 Oriol Paulo, Lara Sendim
Elenco:  Adriana Ugarte, Chino Darín, Javier Gutiérrez, Álvaro Morte, Nora Navas, Miquel Fernández
Gênero: Thriller
Ano: 2018
Duração: 128 minutos

3 thoughts on “Crítica | Durante a Tormenta (2018)”

  1. Senti esse ‘cansaço’ tanto que vi o filme em duas partes. É um exercício interessante ainda que alguns mistérios da trama não sejam tão incríveis, o contexto geral do filme é interessante e sabe trabalhar as tramas.

    Mais uma boa dica sua que vejo aqui da Netflix!

  2. Achei longo demais. O filme conseguiu manter a lógica muito bem amarrada, nada de malabarismos e explicações tiradas da cartola. Nem tem mistérios… É mais uma expectativa de como ela vai consertar as coisas.

    Tenho fugido dos filmes mais conhecidos
    🙂

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