Crítica | Guerra Fria (Zimna wojna)

É possível viver um grande amor no meio de uma guerra? Guerra Fria, filme do diretor polonês Paweł Pawlikowski, fala um pouco sobre isso. O cineasta narra a jornada de Zula e Wiktor, duas pessoas que buscam – através da música – sobreviver durante o período do conflito entre União Soviética e os EUA após o final da 2ª Guerra Mundial.

Pawlikowski é inteligente em usar a música como um grande diferencial em sua narrativa. As canções servem para ajudar na contextualização da época e do conflito, mas principalmente, para apresentar características dos protagonistas.

Wiktor é um músico que está montando um espetáculo musical sobre a cultura da Polônia, então está em busca de pessoas que saibam cantar e dançar, principalmente canções típicas do país. Zula gosta de cantar e assim como Wiktor, essa é uma oportunidade de fugir do conflito e conseguir uma vida melhor. Quando a moça se apresenta para o homem com o intuito de ser selecionada é possível ver que surge uma faísca dali.

No entanto, se a música é uma salvação, a guerra e a realidade do país atrapalham a possibilidade do casal ficar juntos. Enquanto ela segue viajando com o espetáculo musical, ele precisa fugir e sobreviver em outros países. Um amor impossível, mas mesmo as mudanças e a realidade não os impedem de tentar ficar juntos.

Guerra Fria é um filme simples sobre amor, mas o pano de fundo da narrativa, a forma como ele é filmado, e principalmente a trilha sonora, transformam a experiência de assistí-lo totalmente prazerosa, mesmo que tenha um tom agridoce.

Paweł Pawlikowski filmou em preto-e-branco e com uma razão de aspecto reduzida, que deixa o filme com uma pegada nostálgica de filme antigo. Isso também facilita a imersão do espectador dentro do universo da narrativa. E esses elementos podem ter outra interpretação. A falta de cor com seus tons de cinzas funcionam como uma metáfora do período em que a história se passa.

A redução do campo de visão ajuda a focar melhor nos personagens, como se fosse uma forma visual de “ignorar” o pano de fundo ou de mostrar que uma pessoa apaixonada não consegue tirar os olhos do seu amor, focando apenas nela. Contudo, é difícil deixar de apreciar as paisagens apresentadas no filme, sejam a beleza urbana das ruas de Paris ou encanto natural da natureza polonesa. E esses cenários contrastam com a realidade da guerra.

Guerra Fria é um filme belíssimo, uma história simples, mas ao mesmo tempo profunda, sobre um romance impossível, principalmente por causa da situação dos personagens. O trabalho dos atores Joanna Kulig e Tomasz Kot é incrível! Com uma química fantástica eles constroem perfeitamente esse amor cheios de idas e vindas onde as complicações parecem ser superadas através do sentimento que sentem um pelo outro. E a paixão, assim como a guerra, também tem seus momentos de “combate”.


Uma frase: – Zula: “Ele me confundiu com minha mãe e a faca mostrou a ele a diferença”

Uma cena: Quando Zula se apresenta pela primeira vez para Wiktor para tentar ser escolhida para o espetáculo.

Uma curiosidade: O relacionamento turbulento entre os protagonistas do filme foi inspirado pelo pais verdadeiros do diretor, que terminaram e voltaram algumas vezes enquanto se mudam de um país para o outro.


Guerra Fria (Zimna wojna)

Direção: Paweł Pawlikowski
Roteiro:
Paweł Pawlikowski, Janusz Głowacki e Piotr Borkowski
Elenco: Joanna Kulig, Tomasz Kot, Borys Szyc, Agata Kulesza, Cédric Kahn e Jeanne Balibar
Gênero: Drama, Música, Romance
Ano: 2018
Duração: 85 minutos

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