Crítica | Nasce Uma Estrela (A Star is Born)

O terceiro remake de Nasce Uma Estrela pode ser interpretado como uma metáfora para o “renascimento” artístico de dois grandes astros já consagrados na música e no cinema. De um lado, a surpreendente atuação da cantora Lady Gaga (Ally), que não cansa de provar ser uma artista completa, proprietária de uma das melhores vozes de seu tempo. Do outro, o ator Bradley Cooper (Jackson), que além de protagonizar o longa, também faz uma incrível estreia como diretor e roteirista.

Gaga literalmente se despe de suas tradicionais performances extravagantes e se entrega ao papel da jovem cantora para construir com Cooper uma química convincente, que favorece a identificação do público. O filme entrega o que promete. Nem mais e nem menos. As lágrimas são inevitáveis. Afinal, são as já conhecidas fórmulas de drama e romance que constroem a narrativa, que sofreu algumas poucas mudanças em relação ao roteiro original de 1937, escrito por William A. Wellman e Robert Carson.

Na história, Jackson Maine é um renomado cantor e compositor que vê sua carreira entrar em declínio devido ao vício em álcool e drogas. Ao conhecer a poderosa voz de Ally, ele se apaixona e passa a ser o seu mentor musical, lançando-a ao estrelato. O relacionamento dos dois, no entanto, é abalado pelas recorrentes recaídas de Jack, que se afunda mais e mais, enquanto Ally alcança seu auge profissional.

Nasce Uma Estrela, foto

Para dar veracidade ao personagem, Bradley Cooper precisou se empenhar para aprender a tocar guitarra como um verdadeiro astro do rock, além de se aprofundar nas aulas de canto. Corajosamente, como diretor, decidiu acatar a acertada sugestão de Lady Gaga para gravar as cenas de música ao vivo. O resultado é um filme no qual a música tem a qualidade técnica merecida e uma trilha sonora original que deve figurar entre as indicadas ao Oscar 2019.

Em comparação ao roteiro da versão de 1976, estrelada por Barbra Streisand, algumas alterações foram adequadas e necessárias. O tom machista do remake anterior de Nasce Uma Estrela dá lugar a um filme sintonizado com as questões mais urgentes da atualidade, como o enfrentamento da depressão, a igualdade de gênero e a representatividade. Prova disso é a participação no filme das drags queens Shangela e Willam – famosas concorrentes do reality show RuPaul’s Drag Race – que são uma referência direta e também uma homenagem ao principal público que ajudou a alavancar a carreira musical de Gaga.


Uma frase: – Bobby diz para Ally: “Música é essencialmente 12 notas entre qualquer oitava – 12 notas e a repetição da oitava. É a mesma história contada repetidamente, para sempre. Tudo o que qualquer artista pode oferecer a esse mundo é como eles veem essas 12 notas. É isso aí”.

Uma cena: Quando Jack convida Ally a cantar com ele, pela primeira vez, no palco.

Uma curiosidade: Bradley Cooper teve que batalhar para convencer a Warner Bros a escalar Lady Gaga como Ally. Para isso, ele mostrou uma gravação do iPhone de ambos Lady Gaga e Bradley Cooper cantando um dueto de Midnight Special – Creedence Clearwater Revival gravado na casa de Lady Gaga.


Nasce Uma Estrela, cartazNasce Uma Estrela (A Star Is Born)

Direção: Bradley Cooper
Roteiro:
Eric Roth, Bradley Cooper e Will Fetters
Elenco: Lady Gaga, Bradley Cooper, Sam Elliott, Andrew Dice Clay, Rafi Gavron e Anthony Ramos
Gênero: Drama musical
Ano: 2018
Duração: 135 minutos

Filha dos anos 80, a Não Traumatizada, Mãe de Plantas, Rainha de Memes, Rainha dos Gifs e dos Primeiros Funks Melody, Quebradora de Correntes da Internet, Senhora dos Sete Chopes, Khaleesi das Leituras Incompletas, a Primeira de Seu Nome.

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