Crítica | Um Dia para Viver (24 Hours to Live)

A premissa de Um Dia para Viver é curiosa. O protagonista Travis Conrad (Ethan Hawke) é um matador profissional que após morrer durante um trabalho é ressuscitado, e agora tem a chance de se vingar da empresa que o contratou. É interessante ver como os roteiristas sempre tentam “inovar” quando querem abordar um tema explorado à exaustão, ainda mais em filmes do gênero. Mesmo sendo absurdo, o filme é eficiente em suas cenas de ação e também apresenta uma narrativa consistente para justificar o que é visto na tela.

Vingança pode ser o tema principal, mas até que o roteiro explora outras questões sobre o passado do protagonista. Primeiro encontramos com Travis lidando com a perda da mulher e do filho, mas ele resolve sair da aposentadoria para mais um trabalho. Essa nova missão não tem um final feliz para o protagonista, mas quando ele acorda descobre que existe algo por trás da missão envolvendo a empresa que o contratou, então Travis decide se vingar.

No entanto, o fato de ressuscitar causa dois problemas para Travis. Primeiro ele tem um prazo de sobrevida: 24 horas, daí a referência do título. O segundo são os efeitos colaterais que causam alucinações. Dessa forma o seu lado psicológico é comprometido em alguns momentos com fantasmas do passado, mais especificamente do seu filho e esposa, o atormentando, mas também servindo como inspiração para continuar com seu plano de vingança. Esse recurso emocional é interessante, contudo o filme o utiliza muitas vezes e ele perde o seu peso dramático na narrativa.

Felizmente o protagonista interpretado por Ethan Hawke consegue explorar bem esse lado dramático, equilibrando bem com o vigor físico, transformando a figura de Travis em um personagem convincente. O carisma e talento do ator são inegáveis e ele carrega o filme com competência.

Um Dia para Viver, foto

O roteiro também explora o passado do protagonista através de flashbacks que surgem durante a narrativa, apresentando de forma gradativa mais detalhes sobre sua vida. Esses fatos são importantes para a resolução da vingança e ajudam a justificar a jornada do personagem até a sua catarse final.

Apesar dessa carga emocional, o mais interessante de Um Dia para Viver são suas cenas de ação. Como o diretor Brian Smrz teve experiência como dublê e também na coordenação de dublês, então ele comanda bem esses momentos. Um dos destaques são as partes envolvendo perseguição de carro, que são muito verossímeis por usar poucos efeitos visuais. Esse detalhe sempre faz a diferença em filmes do gênero. As cenas de lutas e também de tiroteios são bem filmadas, ficando fácil para o espectador conseguir acompanhar o que é visto na tela de forma clara, sem ficar perdido. Isso também é essencial para o sucesso de um bom filme de ação.


Uma frase: – Dr. Helen: “Você tem menos de 24h de vida.”

Uma cena: A fuga de Travis dirigindo um táxi.

Uma curiosidade: Segundo filme do diretor Brian Smrz, que antes era dublê, coordenador de dublês e diretor de segunda unidade.


Um Dia para Viver, cartazUm Dia para Viver (24 Hours to Live)

Direção: Brian Smrz
Roteiro:
Zach Dean, Jim McClain e Ron Mita
Elenco: Ethan Hawke, Xu Qing, Paul Anderson, Liam Cunningham e Rutger Hauer
Gênero: Ação, Sci-Fi, Thriller
Ano: 2017
Duração: 93 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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