Crítica | Oito Mulheres e Um Segredo (Ocean’s Eight)

A fim de pegar carona no sucesso de recentes filmes protagonizados por mulheres, a Warner Bros. decidiu trazer de volta para a telona a bem sucedida fórmula da trilogia Onze Homens e Um Segredo, lançada entre 2001 e 2007. Desta vez, o grupo é formado somente por mulheres, que são lideradas por Debbie Ocean (Sandra Bullock), irmã do falecido bandido Danny Ocean, protagonista vivido por George Clooney nos longas anteriores. O protagonismo feminino do novo filme é o principal trunfo do roteiro e também a maior sacada de marketing do estúdio. Na aparência, é vendido como filme girl power, mas Oito Mulheres e Um Segredo esbarra numa execução narrativa cheia de clichês machistas.

Sob o argumento preconceituoso de que mulheres passam muitas vezes despercebidas nos recintos, Debbie Ocean arquiteta toda a logística do roubo de um colar de diamantes avaliado em US$ 150 milhões, que a famosa joalheria Cartier mantém guardado em um cofre subterrâneo há 50 anos. O golpe é planejado para acontecer durante o prestigiado baile organizado anualmente no Metropolitan Museuam of Art, em Nova York, conhecido como Met Gala, no qual comparecem as mais famosas estrelas do mundo da moda, da música e das artes. A celebridade Daphne Kluger (Anne Hathaway) é a escolhida para usar a jóia no evento e assim garantir o sucesso do plano.

Junto a sua principal comparsa Lou (Cate Blanchett), Debbie recruta mais cinco mulheres para executarem o roubo: Amita (Mindy Kaling), Constance (Awkwafina), Tammy (Sarah Paulson), Bola Nove (Rihanna) e Rose Weil (Helena Bonham Carter) que, juntas, formam um elenco afinado e bem humorado, ao mesmo tempo, cheio de diversidade. E, nesse quesito, o diretor Gary Ross — responsável pelo primeiro Jogos Vorazes — acerta. Os destaques ficam para as atuações de Anne Hathaway e para a cantora Rihanna, interpretando quase que ela mesma no longa.

Porém, com um time desses em mãos e sem saber muito bem explorar as possibilidades de um filme voltado para o público feminino, o cineasta — a despeito de “feminilizar” a franquia Onze Homens e um Segredo — se deixa levar pelo lugar comum das produções hollywoodianas, em que mulheres são frívolas, sempre preocupadas com homens, boa aparência, maquiagem e dinheiro. A ideia de trazer elementos do dito “universo feminino” é ostensivamente reforçada ao longo da narrativa, até mesmo pelas personagens mais masculinizadas da história.

Oito Mulheres e Um Segredo, foto

Já a protagonista faz exatamente o que todas as mulheres precisam fazer quando adentram num território tido como “masculino” — e o crime é um deles: ela precisa provar para si mesma que é capaz. Mais do que isso, na história, a personagem de Sandra Bullock, entre outras razões pessoais, também quer honrar a carreira de golpista construída pelo irmão e, ainda, pretende se vingar do ex-namorado que a colocou na cadeia. Ou seja, para que o êxito do plano seja completo e satisfatório, o roteiro dá, desnecessariamente, à Debbie motivações relacionadas aos personagens masculinos da trama.

Como comédia, o filme fica na média das produções do gênero. Faltou originalidade e ousadia dos roteiristas e do diretor. A impressão é de um longa que foi executado na zona de conforto da trilogia anterior, porém, com uma pretensa roupagem “feminina”. Já como filme policial, Oito Mulheres e Um Segredo é divertido. Tem uma narrativa bem amarrada, que entretém o espectador, principalmente, na apresentação das personagens e no clímax. O longa explora à exaustão a fórmula clássica desse estilo de cinema, sem surpreender ou decepcionar.


Uma frase: John Frazier pergunta para Debbie Ocean – “É genético? A família toda é assim?”

Uma cena: Debbie fingindo trocar produtos numa loja para sair com eles sem pagar.

Uma curiosidade: O elenco principal ganhou quatro Oscars, dois Emmy, oito Grammys, seis Globos de Ouro, cinco BAFTAs e 10 SAGs combinados.


Oito Mulheres e Um Segredo, cartazOito Mulheres e Um Segredo (Ocean’s Eight)

Direção: Gary Ross
Roteiro:
Gary Ross e Olivia Milch
Elenco: Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Mindy Kaling, Sarah Paulson, Awkwafina, Rihanna, Helena Bonham Carter, Richard Armitage e James Corden
Gênero: Comédia, Policial
Ano: 2018
Duração: 100 minutos

Filha dos anos 80, a Não Traumatizada, Mãe de Plantas, Rainha de Memes, Rainha dos Gifs e dos Primeiros Funks Melody, Quebradora de Correntes da Internet, Senhora dos Sete Chopes, Khaleesi das Leituras Incompletas, a Primeira de Seu Nome.

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