Crítica | Rampage – Destruição Total (Rampage)

Rampage – Destruição Total é baseado em um jogo de videogame. No entanto, o filme dirigido por Brad Peyton não se importa muito com essa fonte de inspiração. Durante o longa vemos em algum momento uma máquina de fliperama do game no fundo, mas é apenas um easter egg para alegrar os fãs. Na verdade, a aventura estrelada por Dwayne Johnson – mais conhecido como The Rock – está mais interessada em entreter com monstros gigantes, confiando que o carisma do seu protagonista vai ser capaz de amenizar os problemas do roteiro. Infelizmente isso não acontece.

O filme começa com uma cena interessante em uma estação espacial. Nela ocorreu uma experiência científica não bem sucedida envolvendo “edição genética” – termo que depois é dito por uma das personagens. Uma das tripulantes quer escapar do caos dentro do local, mas uma voz feminina diz que a mulher só terá acesso ao módulo de fuga caso leve consigo as amostras genéticas do experimento. É criada uma certa tensão. Conseguirá ela escapar? Até o uso do 3D funciona nesse momento explorando a profundidade e deslocamento da cientista dentro da estação.

Entretanto essa cena é um ponto fora da curva dentro do filme. No restante da projeção o longa não consegue dar conta dos próprios absurdos, se leva muito a sério e tenta emocionar sem sucesso.

O protagonista é Davis Okoye (Dwayne Johnson), um primatologista que por acaso também é um ex-militar. O homem não gosta de interagir com outros seres humanos, então sua vida gira em torno dos primatas que ele cuida em um centro de estudos de animais. Uma cena na qual Okoye descreve como salvou o gorila George tinha tudo para definir bem o personagem e causar algum tipo de emoção no público, mas o momento é tão constrangedor que ele apenas gera risos involuntários.

Bom, as amostras da tal experiência no espaço caem em três lugares diferentes dos Estados Unidos. O patogênico infecta 3 animais: um jacaré, um lobo e o gorila George, fazendo com que eles fiquem praticamente indestrutíveis, aumentem de tamanho e fiquem incontroláveis. A empresa dos irmãos Brett (Jake Lacy) e Claire Wyden (Malin Åkerman) precisa capturar as criaturas, já que elas são o que sobrou do experimento, então resolve contratar mercenários para o serviço.

Essa dupla de personagens é a pior coisa do filme. Eles são os vilões que usam os piores clichês e tem os piores planos e intenções. Eles resolvem, em determinado momento do filme, colocar um sinal sonoro no topo do prédio da companhia, no meio da cidade de Chicago, para atrair os bichos. Assim eles poderiam recolher algumas amostras do que sobrar das criaturas após serem abatidas pelo exército americano. Mas é óbvio que isso não funciona.

Okoye conta com a ajuda da Dr. Kate Caldwell (Naomie Harris), ex-funcionária da empresa dos irmãos Wyden, e Harvey Russell (Jeffrey Dean Morgan), um agente de uma agência desconhecida. Na parte dos “mocinhos” também o que não falta é clichê e falta de desenvolvimento satisfatório dos personagens. A pobre da Caldwell adiciona alguns conhecimentos científicos, mas é utilizada mais como mocinha em perigo. Enquanto Russell é um agente genérico em que Morgan utiliza os mesmos trejeitos de Negan – que ele interpreta na série The Walking Dead – faltando apenas um taco de beisebol e o figurino.

O roteiro além de não construir bem seus personagens, também não consegue criar uma narrativa coesa. São tantos problemas, além dos que já foram apresentados, que fica até difícil enumerar. A única coisa que funciona de maneira razoável é a relação entre Okoye e George. Homem e criatura se comunicam através de linguagem de sinais e a amizade entre os dois é bem apresentada na história. Assim o espectador realmente acredita na motivação do protagonista em querer salvar o amigo. O filme “força a amizade” ao explorar algo mais emocional em torno disso, só que totalmente sem sucesso.

Apesar de todos os problemas de roteiro, o filme apresenta efeitos visuais satisfatórios na maior parte do tempo. A maioria das cenas são feitas durante o dia, então aumenta a dificuldade em se criar efeitos convincentes, principalmente em relação às criaturas. No entanto em alguns momentos a escala dos animais parece perdida e o próprio espectador não consegue ter a real noção do tamanho das mesmas. Esse problema faz com que ele “saia” do universo da história e comece a prestar mais a atenção nos defeitos.

As cenas de aventuras também são bem realizadas, sendo possível acompanhar toda a ação sem ficar perdido geograficamente no que está acontecendo na tela. Porém elas não são muito inventivas e parecem muito genéricas, com a sensação de já termos visto algo parecidos em outros filmes do gênero.

Após o final de Rampage – Destruição Total fica aquela sensação de que o filme não é bom, mas que também não é tão terrível assim. Contudo, depois do cérebro terminar de processar as informações, fica claro que nada do que foi visto na tela fez muito sentido. O pior é que nem mesmo como diversão ele serve. Então o sentimento final é que os inúmeros problemas apresentados causaram uma “destruição total” no mínimo de entretenimento que foi apresentado.


Uma frase: – Davis Okoye: “Claro que o lobo voa.”

Uma cena: A cena inicial no espaço.

Uma curiosidade: Jeffrey Dean Morgan e Malin Åkerman estiveram juntos em Watchmen: O Filme (2009).

 


Rampage – Destruição Total (Rampage)

Direção: Brad Peyton
Roteiro:
Ryan Engle, Carlton Cuse, Ryan J. Condal e Adam Sztykiel; história de Ryan Engle
Elenco: Dwayne Johnson, Naomie Harris, Malin Åkerman, Joe Manganiello, Jake Lacy, Marley Shelton e Jeffrey Dean Morgan
Gênero: Ação, Aventura, Sci-Fi
Ano: 2018
Duração: 107 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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