Crítica | Lady Bird: É Hora de Voar (2017)

Com muitas expectativas fui conferir a estreia de Greta Gerwig na direção e não me decepcionei. Lady Bird merece todos os elogios que vem recebendo. Em pouco mais de 90 minutos o filme permite que o público estabeleça uma estreita relação com seus personagens, principalmente com Christine “Lady Bird” McPherson. Trata-se de uma história de amadurecimento com qualidade superior por vários motivos, sendo os principais o fato de fugir de clichês, as atuações memoráveis e a autenticidade que transborda do roteiro.

Lady Bird não quer ser chamada pelo o nome de batismo. Ela está terminando a high school e quer cursar uma faculdade o mais longe possível de sua cidade natal, Sacramento. Ela sabe que não tem condições de entrar em faculdades de elite, mas acha que pode encontrar algo decente em Nova Iorque. Julie é sua melhor amiga e a entende como ninguém. Bem diferente é o relacionamento que ela tem com a mãe. As duas tem personalidades fortes e basicamente imiscíveis. Quase toda conversa das duas termina em uma discussão acalorada.

Até aí parece uma história de amadurecimento padrão, mas Lady Bird está longe de ser apenas isso. Primeiro que temos aqui uma protagonista feminina muito mais interessante do que vemos na maioria dos filmes. Ela tem seus relacionamentos com garotos e percalços na amizade com Julie, mas o grande ponto é a relação dela com a mãe. Os diálogos beiram a perfeição em muitas cenas. Palavras duras são ditas no calor do momento e logo depois há um inevitável arrependimento.

O filme também possui um humor inspiradíssimo, geralmente nos surpreendendo de alguma forma. Uma sequência impagável é aquela em que vemos o técnico do time de futebol tendo que substituir o diretor de uma peça de teatro. Hilário.

Lady Bird é uma experiência comovente, divertida e realista. Greta Gerwig nasceu em Sacramento e estudou em uma escola católica só para garotas. Ela não considera o filme autobiográfico, mas certamente sua vivência está presente aqui. Mais do que nos entreter por 90 minutos, o filme nos mostra o quão importante é valorizarmos as pessoas à nossa volta e o lugar em que vivemos. E ele faz isso de um jeito encantador e natural.


Uma frase: “Você não vai entrar no carro de um cara que buzina, vai?”

Uma cena: O técnico de futebol americano como diretor substituo da peça.

Uma curiosidade: A diretora Greta Gerwig sugeriu que Saoirse Ronan não escondesse suas espinhas com maquiagem.


Lady Bird: É Hora de Voar (Lady Bird)

Direção: Greta Gerwig
Roteiro:
Greta Gerwig
Elenco: Saoirse Ronan, Laurie Metcalf, Tracy Letts, Lucas Hedges, Timothée Chalamet, Beanie Feldstein, Stephen McKinley Henderson e Lois Smith
Gênero: Comédia, Drama
Ano: 2017
Duração: 94 minutos
Info: IMDB

 

Fã de sci-fi que gosta de expor suas opiniões por aí! Oinc!

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