Crítica | O Destino de Uma Nação (Darkest Hour)

Contar em apenas duas horas de filme um dos momentos mais difíceis e decisivos para a Grã-Bretanha na Segunda Guerra Mundial não parece uma tarefa fácil, ainda mais se o personagem principal da história for o primeiro-ministro Winston Churchill, um político conservador que assumiu o cargo aos 65 anos, famoso por seus discursos eloquentes nos quais conclamava o povo britânico a resistir e a lutar contra a tentativa de dominação territorial da Alemanha nazista.

O diretor Joe Wright (Orgulho e Preconceito) cumpriu com louvor o desafio, e graças também à excelente atuação de Gary Oldman como Churchill e ao roteiro bem amarrado de Anthony McCarten, o longa já pode figurar na lista de melhores de 2018. Planos, ângulos e jogos de iluminação utilizados pelo diretor revelam as diferentes perspectivas e pontos de vista dos políticos, da nobreza britânica e do povo sobre o contexto histórico. A câmera se move de maneira envolvente, principalmente nas cenas da guerra, do parlamento inglês e da casa do primeiro-ministro.

Gary Oldman, que conquistou o primeiro Globo de Ouro de sua carreira pela atuação no filme, é um forte candidato também ao Oscar de Melhor Ator, prêmio que finalmente pode consagrá-lo após mais de 30 anos de trabalhos na tv e no cinema. Para alcançar a impressionante semelhança com o primeiro-ministro britânico no longa, o ator precisou muito mais do que maquiagem especial e trajes com enchimentos. A entrega ao papel foi tamanha que Oldman sofreu intoxicação por nicotina após fumar cerca de 400 charutos num intervalo de 48 dias, durante as filmagens.

Dunkirk

Curiosidades à parte, o drama se passa nos dias que antecedem a Operação Dínamo — recentemente retratada nos cinemas pelo filme Dunkirk, do diretor Christopher Nolan —, com a qual foi possível resgatar, por via marítima, mais 300 mil soldados aliados que estavam encurralados nas praias de Dunkirk, no norte da França. Winston Churchill tinha acabado de ser nomeado primeiro-ministro, após conservadores e liberais formarem uma coalizão para tentar salvar uma Grã-Bretanha fragilizada pela ameaça de Hitler. Logo nos primeiros dias no poder, o político, se vê pressionado por seus pares a assinar um acordo de paz com a Alemanha, intermediado pela Itália, a fim de evitar um ataque bélico dos nazistas.

Churchill multifacetado

Pelas lentes de Joe Wright e a impetuosa atuação de Gary Oldman, o espectador conhece um Churchill mais profundo, perturbado por conflitos internos, ao mesmo tempo emotivo e irônico. Os personagens mais próximos dele ajudam a revelar as diversas facetas do político de origem nobre, que tinha ímpetos de agressividade na oratória e também no tratamento dispensado aos seus sulbaternos. A secretária Elizabeth Layton (Lily James) é quem desperta mais sensibilidade e compaixão em Winston, por simbolizar o olhar do povo na narrativa. Já a esposa Clementine Hozier (Kristin Scott Thomas) é quem apresenta o lado humano, amoroso e particular do político. Na relação com o Rei George VI (Ben Mendelsohn), Churchill surpreende a perspectiva da nobreza com sua sabedoria, estratégia e sentimento de patriotismo — atributos de um verdadeiro estadista. Por fim, pelo ponto de vista de Viscount Halifax (Stephen Dillane) e Neville Chamberlain (Ronald Pickup), seus principais adversários políticos, o primeiro-ministro mostra inteligência, arrogância e pulso forte.


Uma frase: – Winston Churchill: “Você não pode argumentar com um tigre quando sua cabeça está na boca dele”.

Uma cena: Quando o primeiro-ministro pega o metrô para conversar com pessoas comuns e ouvir suas expectativas sobre a guerra.

Uma curiosidade: A caracterização de Gary Oldman foi desenvolvida ao longo de nove meses e o ator passou, no total, 200 horas na cadeira de maquiagem para virar Churchill.


 

O Destino de Uma Nação (Darkest Hour)

Direção: Joe Wright
Roteiro:
Anthony McCarten
Elenco: Gary Oldman, Kristin Scott Thomas, Lily James, Ben Mendelsohn, Stephen Dillane e Ronald Pickup
Gênero: Drama
Ano: 2017
Duração: 125 minutos

Filha dos anos 80, a Não Traumatizada, Mãe de Plantas, Rainha de Memes, Rainha dos Gifs e dos Primeiros Funks Melody, Quebradora de Correntes da Internet, Senhora dos Sete Chopes, Khaleesi das Leituras Incompletas, a Primeira de Seu Nome.

6 thoughts on “Crítica | O Destino de Uma Nação (Darkest Hour)”

  1. Ainda não assisti, mas meu maior interesse no filme é conferir a atuação de Gary Oldman, além do fato de ser uma história sobre Winston Churchill, que foi uma figura admirável e que já tem seu lugar cativo na história.

  2. Tem o mesmo “problema” de The Post por “romantizar” demais os fatos reais. Mas a atuação de Oldman é sensacional e tira o filme do “lugar comum”. O roteiro é ok, mas a direção é muito boa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *