Crítica | Doentes de Amor (The Big Sick)

Comédia romântica é um gênero no qual é difícil conseguir inovar ou fazer algo que não pareça caricato. “Doentes de Amor” é uma grata surpresa. O principal segredo é o fato de ser baseado em fatos reais. A história é inspirada na vida do ator Kumail Nanjiani (da série Silicon Valley), que interpreta ele mesmo no filme. Além disso, ele também escreveu o roteiro juntamente com a esposa Emily V. Gordon, interpretada pela atriz Zoe Kazan.

No filme Kumail está tentando carreira como comediante de stand up, mas sua fonte de renda vem como motorista de Uber. Durante uma apresentação ele conhece Emily e os dois começam a sair juntos. Inicialmente ela diz que não quer nada sério, mas aos poucos eles se apaixonam.

O problema é a família de Kumail. Ele é do Paquistão onde o casamento é arranjado pelos pais. A mãe do dele está sempre apresentando uma mulher para que o filho escolha a futura esposa. Cada uma delas traz uma foto que o rapaz guarda em uma caixa, em casa. Emily se dá conta de que não existe um futuro para o casal quando descobre a caixa de fotos das pretendentes. Para ela, Kumail não parece disposto a perder o afeto da família por causa dela.

Parece o fim do relacionamento, mas uma reviravolta deixa o filme interessante. Isso pode parecer um spoiler, mas esse detalhe é apresentado no trailer do longa e o próprio título faz referência a isso. Emily fica doente e Kumail é chamado para ir ao hospital. Entretanto o problema dela é grave e ele tem que entrar em contato com os pais dela.

A presença de Beth (Holly Hunter) e Terry Gardner (Ray Romano) dá uma nova dinâmica ao filme com o relacionamento deles com Kumail. O rapaz não precisaria estar presente, mas ele decide ficar e acompanhar o tratamento da garota. Essa nova perspectiva faz com que ele reflita sobre o que realmente sente por Emily e também sobre sua relação com a sua própria família.

A relação de Kumail com sua família é um ponto muito interessante na narrativa e a abordagem lembra um pouco o seriado “Master of None”. Os pais dele vieram para os EUA em busca de uma vida melhor, mas tentam manter o máximo das tradições do seu país, que inclui o casamento arranjado. Entretanto, o rapaz cresceu nos Estados Unidos, o que torna difícil a identificação dele com a cultura paterna. Mas será que ele está disposto a “enfrentar” seus pais por causa de uma garota americana?

Doentes de Amor” é um filme que fala sobre amor em tempos atuais, mas também tem espaço para família e religião. Felizmente o filme trabalha bem com um tema delicado, a doença, e evita apelar para o melodrama mantendo o realismo em torno da situação. Além de um excelente roteiro, as atuações contribuem bastante para fazer com que esse tom entre drama, comédia e romance funcione de forma brilhante. O resultado é um longa extremamente divertido, mas que também é capaz de causar muitas emoções.

* Texto revisado por Elaine Andrade


Uma frase: – Emily: “Pode imaginar um mundo onde podemos ficar juntos?”

Uma cena: Emily acordando no meio da noite para ir tomar um café.

Uma curiosidade: No filme é mencionado mais de uma vez que Kumail é fã do seriado Arquivo X. Na realidade o ator participou de 1 episódio da série em 2016.


Doentes de Amor (The Big Sick)

Direção: Michael Showalter
Roteiro:
Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani
Elenco: Kumail Nanjiani, Zoe Kazan, Holly Hunter, Ray Romano, Adeel Akhtar e Anupam Kher
Gênero: Comédia, Drama, Romance
Ano: 2017
Duração: 117 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

2 thoughts on “Crítica | Doentes de Amor (The Big Sick)

  1. Não me senti envolvido pelo filme não, acho que a história é linda mas não bateu comigo o filme. Achei que faltou até mesmo química entre os protagonistas pra te falar a verdade.

  2. gostei muito!

    como eu não tinha visto o trailer e nem lido as críticas, a tal reviravolta foi surpreendente para mim e me fez gostar ainda mais do que estava vendo.

    o filme consegue abordar vários temas, uns complexos e outros mais simples, sempre com qualidade.

    eles conseguiram inclusive extrair humor de situações sérias e dramáticas, o que é algo difícil.

    o final previsível não me deixa dar 5 estrelas, mas é um dos meus preferidos do ano até o momento.

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