Crítica| O Formidável (Le Redoutable)

Godard conhece uma garota de 17 anos, Anne Wiazemsky, 20 anos mais jovem e dona de personalidade incomum, além de bela. Logo os dois estão apaixonados e mais tarde se casam após a gravação de A Chinesa. Essa parte da vida de Godard é marcada pela revolução que ele acreditava lutar nas ruas, mas o que acontecia mesmo era uma mudança interna, a morte do antigo Jean-Luc Godard e nisso se baseia a história de O Formidável.

O filme todo é sob a perspectiva de Anne sobre os momentos que antecedem uma nova visão de cinema que Godard está buscando explorar. O diretor está cansado e intrigado pelo tipo de filme que está produzindo, agora com uma visão maoista, não consegue admitir que o cinema não seja provocador de mudanças e tenha um ideal revolucionário, como seu recente filme que recebe duras críticas negativas.

Nessa busca por um novo cinema – que claramente é um novo Jean-Luc Godard – arrasta consigo o amor de sua esposa Anne. Entender a relação entre os dois é um abrir de olhos sobre o comportamento masculino em relação às suas companheiras. Na falta de completude em si, sua fragilidade torna o teu próximo o foco do problema. Anne vê em seu marido a liberdade que tanto ansiava e, por fim, acaba sendo tratada como um adereço, objeto de um desejo carnal, alvo de ciúmes gerados pela ausência desse homem.

Godard deixa de entender o que há de interessante em si e começa a criar em seu imaginário o que Anne vê de interessante nos outros. Suas inseguranças estão sendo projetadas na esposa, enquanto o principal problema é como se enxerga e não se admira mais. Enquanto isso a sua atenção está voltada a quem pode ajudá-lo a ser o que pretende no futuro.

O diretor Michel Hazanavicius retrata as manifestações e greves francesas no fim da década de 60, junto com as assembleias estudantis e a interrupção de Cannes. É um bom retrato histórico, com alguns momentos de humor que ainda traz uma carga reflexiva.O filme tem boas atuações como as de Bérénice Bejo (Michele Rosier) e Louis Garrel (Jean-Luc Godard), mas destaca bastante a beleza corporal de Stacy Martin que interpreta a escritora e atriz Anne Wiazemsky. 

O Formidável é quase um estudo de como Godard chega até o ponto em que divide seus fãs e afirma sua fama de controverso, mas não deixa de ser uma forma de criticar o cinema da mesma forma que o polêmico diretor suíço naturalizado francês fez em seus filmes, em alguns momentos usando até dos mesmos planos e características: A exploração do nu feminino, grafitis enormes passando mensagem política e  a exploração da vida urbana.

Além disso é uma forma de desmistificar um homem adorado por muitos por mostrar um cinema atrevido, polêmico e que fazia pensar, contrário ao que é produzido em Hollywood. Porém era alguém intimidante, cruel e egoísta que manteve um relacionamento abusivo por culpa de suas fragilidades.


Uma frase: “Eu sabia que ela me deixaria. Não sei quando e nem onde”.

Uma cena: A discussão dentro de um carro pequeno por 800 quilômetros. 

Uma curiosidade: O filme é baseado nos relatos feitos por Anne sobre sua paixão por Godard.

 


O Formidável (Le Redoutable)

Direção: Michel Hazanavicius
Roteiro:
 Anne Wiazemsky, Michel Hazanavicius
ElencoLouis GarrelStacy MartinBérénice Bejo, Micha Lescot, Grégory Gadebois, Félix Kysyl
Gênero: Drama, Comédia, Biografia
Ano: 2017
Duração: 107 minutos

Uma alma com boas intenções que está metendo dança. Dizem.

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