Crítica | Gaga: Five Foot Two

Um documentário tem como objetivo mostrar um pouco da realidade sobre um determinado tema. Ou melhor, criar um documento visual sobre alguma coisa. “Gaga: Five Foot Two“, filme da Netflix, mostra um pouco da vida da cantora Lady Gaga para retratar um pouco da “pessoa real” por trás da artista.

Nesse sentido o documentário funciona muito bem ao mostrar um pouco do dia a dia da artista com imagens dela em casa, gravando seu último disco, atuando no seriado American Horror Story, entre outras atividades relacionadas a sua carreira, além de atividades pessoais como o batizado do filho de uma irmã. O diretor Chris Moukarbel segue a artista como se estivesse gravando um reality show. Ele acompanhou 8 meses da vida de Gaga, encerrando o filme no momento que é o auge da carreira de Gaga até agora: a apresentação no intervalo do Super Bowl (final do campeonato de futebol americano).

A cantora sempre se apresentou com seu visual fora do comum com roupas e visual exótico, então é interessante enxergar esse lado ordinário dela. Isso reflete o próprio momento atual de sua carreira onde ela deixou um pouco da “máscara” de lado com o lançamento do seu último cd, cujo título “Joanne” é uma homenagem a uma tia que faleceu aos 19 anos de idade. Algumas faixas do disco tem relação direta com a pessoa que sua tia foi e contém letras com uma grande carga emocional. Emoção essa que na cena na qual Gaga mostra a música para a avó, mãe da tia, fica evidente, resultando em um momento muito tocante.

Ao longo do documentário a cantora fala sobre seus medos, a carreira, a produção do novo disco, da sua “briga” com Madonna, sexualidade, os desafios de ser mulher, as desilusões amorosas, entre muitos outros temas, inclusive passando pelas dores que fizeram com que ela cancelasse a apresentação recente no Brasil.

O simbolismo do seu disco mais recente reflete não somente a nova fase de Gaga, mas também tem uma ligação estreitas entre ela e a tia. A homenagem feita foi uma forma de conscientização sobre a doença que afeta a cantora. Durante a segunda parte do documentário, fica mais evidente a influência que isso tem na vida pessoal e profissional dela, e através de cenas no médico ou com massoterapeutas, Gaga consegue sensibilizar o espectador e alertar para os sintomas do Lúpus que infelizmente hoje já afeta milhões de pessoas e não tem cura por ser auto-imune.

O longa apresenta também Gaga como uma pessoa comum e vulnerável, que apesar de ser famosa e rica muitas vezes se sente sozinha quando todos os seus funcionários vão embora e ela fica só em casa.Ou seria essa uma metáfora para a própria solidão pessoal de Gaga, que ainda que rodeada de pessoas não sentiria que pertence àquele lugar? Mas o momento mais interessante é quando ela vai em um supermercado durante o lançamento do disco – que inclusive vazou na Internet antes da data de lançamento – para tentar comprá-lo e questiona o motivo dele não estar exposto entre os destaques da sessão de cds da loja. Sendo que os funcionários não a reconhecem por achar que seria algo surreal a própria Gaga estar lá querendo adquirir seu próprio cd.

Em “Gaga: Five Foot Two” a artista se apresenta sem disfarce, sempre à vontade, como se a câmera não estivesse presente, e na maior parte do tempo parece natural expondo bastante a sua intimidade. É difícil dizer o quanto do documentário é realmente verdadeiro, mas talvez essa seja a forma mais próxima a qual o público e os fãs vão vivenciar sobre quem Lady Gaga realmente é.


Uma frase: – Lady Gaga: “Eu nunca me senti confortável o suficiente pra cantar e ser desse jeito que sou agora, de colocar meu cabelo pra trás.”

Uma cena: Lady Gaga mostrando a música “Joanne” para a avó.

Uma curiosidade: Five Foot Two é a altura de Lady Gaga: 1,57m e também um blues da década de 20 que faz parte da trilha do documentário.


Gaga: Five Foot Two

Direção: Chris Moukarbel
Elenco: Lady Gaga, Bobby Campbell, Joe Germanotta, Mark Ronson, Donatella Versace e Florence Welch
Gênero: Documentário, Biografia, Música
Ano: 2017
Duração: 100 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

One thought on “Crítica | Gaga: Five Foot Two

  1. Enquanto “verdade” o que ela diz é realmente bem interessante e a atitude dela de mostrar o seu lado mais “real”, fora das máscaras e da “personagem” que ela criou, é mesmo interessante saber. Ainda assim não gostei tanto do documentário em si, não sei bem o porquê

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