Crítica | David Lynch: A Vida de um Artista

Se você for assistir ao documentário “David Lynch: A Vida de um Artista” querendo saber mais sobre a carreira do cineasta, ficará desapontado. Não é um filme que funciona como introdução sobre o seu trabalho, mas sim um retrato bem interessante sobre sua vida pessoal. Afinal de contas, em seus filmes o diretor não costuma dar respostas fáceis para o espectador. Então era de se esperar que um documentário sobre ele seguisse a mesma linha.

No documentário iremos ver um pouco da sua vida particular em casa, onde ele passa a maior parte do tempo pintando e brincando com sua filha pequena. O próprio Lynch narra alguns momentos de sua vida enquanto o documentário faz uma boa montagem com imagens de seu arquivo pessoal e com seus quadros, retratando um pouco o que se passa na cabeça do cineasta que aparece na maior parte do tempo fumando.

David fala bastante da sua vida pessoal. Conta sobre sua infância, seu relacionamento com os pais, mudanças de cidade, como surgiu seu interesse pela pintura até finalmente o momento que descobre a paixão pela imagem em movimentos, isto é, o cinema. O fato mais importante foi ele ter conseguido uma bolsa para estudar a 7ª arte, onde ele desenvolveu o seu primeiro filme: “Eraserhead” (1977).

Uma pena que o documentário, que tem apenas 88 minutos, termine justamente quando o cineasta conseguiu realizar seu primeiro filme. Seria interessante saber mais sobre a vida de Lynch na época em que entrou de vez no mundo do cinema.

Um detalhe que curiosamente chama bastante a atenção, principalmente por se tratar de um documentário, é a trilha sonora e a edição de som. A trilha de Jonatan Bengta lembra bastante o trabalho musical de Lynch com uma pegada de música eletrônica. Já o som, outra especialidade do cineasta – ele fez recentemente o design sonoro da última temporada da série Twin Peaks, que ele também dirigiu – explora aspectos orgânicos para dar vida principalmente as obras de arte feitas por David.

David Lynch: A Vida de um Artista” vale a pena apenas para os fãs do cineasta que tem interesse em saber mais sobre o seu lado pessoal. O documentário faz um bom trabalho em mostrar um pouco sobre a vida íntima do diretor. E consegue apresentar um pouco sobre esse “ambiente”, o que se passa na cabeça de Lynch, fazendo com que o espectador explore por alguns instantes esse “mundo”.


Uma frase: – David Lynch: “Eu posso imaginar um mundo inteiro, que não existe.”

Uma cena: Lynch contando sobre a primeira vez que fumou maconha.

Uma curiosidade: O filme foi feito através de um campanha no site Kickstarter e levou vários anos para ser terminado.


David Lynch: A Vida de um Artista (David Lynch: The Art Life)

Direção: Olivia Neergaard-Holm, Rick Barnes e Jon Nguyen
Elenco: David Lynch
Gênero: Documentário, Biografia
Ano: 2016
Duração: 88 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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