Crítica | Deep Web (2015)

O documentário Deep Web é um belo exemplo de ‘Clickbait‘, isso por que o título remete a algo que não é necessariamente o principal tema explorado, o que é uma pena já que ele segue uma linha que levanta discussões importantes e que deveriam ser debatidas abertamente.

Com a narração do grande Keanu Reeves¹, acompanhamos o caso de Ross Ulbricht que foi indiciado pelo Governo dos Estados Unidos de ser o ‘Dread Pirate Roberts²‘, o suposto líder e criador de um dos maiores mercados de venda de drogas ilícitas na deep web, o The Silk Road.

A visão que o documentário tenta vender (sim, todos tem o seu propósito) é que o Silk Road era muito mais do que ‘uma gigante rede de comércio de drogas ilícitas’ como as agências governamentais e o judiciário americano tentaram provar ao acusar Ross por tantos crimes, inclusive um que a vítima e alguns de seus seguidores nunca confirmaram ou acreditaram, o de ter tentado assassinar, ou melhor, tentado contratar um assassino na deep web para dar fim a uma ‘testemunha’. O que é apresentado aqui é que existia uma filosofia por detrás de tudo aquilo que pregava a não-violência ou o não confrontamento violento.

Trazendo alguns depoimentos importantes, um deles de um chefe da polícia de Baltimore, sobre o que representa na realidade o combate às drogas, talvez o maior erro deste documentário tenha sido não saber se vender corretamente. A começar pela escolha infeliz do título que remete a um assunto interessante demais e que aqui só serve como ‘porta de entrada’ para outra discussão, também muito interessante, mas que até se perde em determinado momento a ponto de torná-lo um pouco cansativo. Isso faz com que o documentário escrito e dirigido por Alex Winter perca uma boa oportunidade de conseguir um alcance e recepção melhor do que o que foi conquistado. Ainda assim ele levanta importantes questionamentos que fazem valer o seu tempo.

Qual o real alcance das políticas e da guerra entre governo, traficantes e consumidores? Será que existe uma forma menos mortal para este fim? Anarquia, liberdade, privacidade, vale a pena ainda lutar por coisas cada vez mais caras e que, de certa forma, podem gerar consequências perigosas se exploradas por indivíduos não bem intencionados? Viver de forma anônima ou ter a sua privacidade respeitada é uma utopia na realidade atual?


  1. Nosso porcolunista Ramon Prates fez uma matéria para a Cine Magazine sobre Keanu Reeves, baixe a revista neste link (págs. 8 a 11).
  2. O nome ‘Dread Pirate Robes’ é explicado com a incursão de cenas do filme ‘A Princesa Prometida’ de 1987 e a explicação do jornalista que confirma a essência de um personagem que se mantém ‘vivo’ por gerações de forma ‘anônima’ através de diferentes pessoas que assumem a sua identidade de tempos em tempos.
  3. O fechamento do site Silk Road em 2014 apenas gerou o efeito gremlin. Surgiram outros tantos em seu lugar, inclusive ele próprio deu uma de ‘reborn’.

Deep Web

Direção: Alex Winter
Roteiro: Alex Winter
Gênero: Documentário
Ano: 2015
Duração: 130 minutos.
Graus de KB: 2! Keanu Reeves participou do filme O Príncipe da Pensilvânia (1988) com Joy O. Sanders que, por sua vez, fez JFK: A voz que não quer calar (1991) com Kevin Bacon.

Queria ser astronauta mas tudo o que consegui na vida foi cair de um carro em movimento, fissurar meu crânio andando de skate e zerar Alex Kid in The Miracle World no Master System. Nas horas vagas vejo filmes que ninguém conhece, mato monstros que não existem e torço por um time que nunca vence.