Crítica | Carros 3 (Cars 3)

A franquia Carros da Pixar/Disney segue um caminho mais tradicional dentre as animações produzidas pelo estúdio. Criatividade e originalidade não são adjetivos que podem ser aplicados aos longas, mas ainda assim “Carros 3” tem um bom enredo, uma história bem contada que emociona e apresenta personagens carismáticos.

Esse terceiro filme trás Relâmpago McQueen de volta às pistas de corrida. Agora ele é um veterano, então surge um novato para brilhar. Seu nome é Jackson Storm e ele faz parte de uma nova leva de pilotos com um treinamento baseado em tecnologias que o faz atingir uma velocidade maior. Aos poucos os antigos competidores começam a ser substituídos pelos novos e McQueen resolve correr atrás do prejuízo para se manter competitivo.

McQueen vai contar com a ajuda da treinadora Cruz Ramirez, especialista em revelar novos pilotos e que vê a oportunidade de trabalhar com um de seus ídolos. A trama segue um caminho parecido com o do primeiro filme, só que agora não temos o protagonista seguindo a orientação de um piloto experiente e sim de uma novata.

A relação entre McQueen e Ramirez é muito parecida com a de Relâmpago e Doc. O protagonista continua teimoso e não quer aceitar as novas técnicas de treinamento. Não satisfeito ele ainda resolve ir atrás do mentor de Doc em busca de uma resposta para conseguir vencer na pista.

Felizmente, o roteiro explora mais essa busca de McQueen por respostas do que o caminho óbvio da rivalidade entre veterano e novato. Inclusive esse “vilão” da história é pouco desenvolvido e é apresentado de forma caricata como um típico iniciante arrogante por se achar superior. Mas a história segue pelo conflito entre novo e velho, principalmente através do método de treinamento.

A história vai mais além ao explorar a motivação do personagem principal em querer continuar correndo e também em saber qual o melhor momento de parar de correr. Encerrar no auge ou continuar insistindo podendo entrar em decadência, essa é a questão.

Carros 3” surpreende em fechar o ciclo de McQueen e cria uma boa motivação para ele continuar no mundo das corridas. Mas sem dúvidas o melhor do filme é Cruz Ramirez. A personagem feminina rouba a cena com uma história mais interessante do que a do protagonista. Ela se tornou treinadora por medo e também por não se achar capaz de competir junto com os outros carros masculinos.

Outra coisa que surpreende no filme é a qualidade visual. É impressionante ver o avanço na tecnologia e como é possível criar cenários com uma incrível riqueza de detalhes. Em muitos momentos eles parecem reais de tão perfeitos. O uso do 3D se justifica por utilizar a profundidade para deixar a animação ainda mais bonita aos olhos do espectador. A expressão facial dos personagens, por mais que eles sejam carros, também é muito bem realizada.

Mesmo sem muita originalidade, “Carros 3” mantém o padrão de qualidade da Pixar com uma história emocionante e um visual impressionante mostrando que o estúdio se preocupa tanto com o roteiro quanto com a parte técnica, provando porque é a melhor produtora de animações da atualidade.


Uma frase: – Cruz Ramirez: “A praia me engoliu.”

Uma cena: McQueen treinando na praia com Ramirez.

Uma curiosidade: Algumas das gravações que Paul Newman fez para Carros (2006) foram utilizadas neste filme, tornando-se o primeiro trabalho póstumo de Newman.

 


Carros 3 (Cars 3)

Direção: Brian Fee
Roteiro: Kiel Murray, Bob Peterson e Mike Rich; história de Brian Fee, Ben Queen, Eyal Podell e Jonathan E. Stewart
Elenco: Owen Wilson, Cristela Alonzo, Chris Cooper, Armie Hammer, Bonnie Hunt, Larry the Cable Guy, Nathan Fillion, Kerry Washington, Lea DeLaria e Paul Newman (vozes em inglês)
Gênero: Animação, Aventura, Comédia
Ano: 2017
Duração: 109 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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