Crítica | Rock Dog: No Faro do Sucesso

A animação “Rock Dog: No Faro do Sucesso” é uma produção chinesa e americana e sua história reflete um pouco essa mistura entre as culturas dos países. A trama apresenta um cachorro chamado Bodi que não quer seguir a mesma “profissão” do pai, responsável pela segurança de uma vila habitada por ovelhas. O local é alvo de um grupo de lobos. O protagonista adora música e tem a oportunidade de ir para a “cidade grande” em busca do seu sonho: montar uma banda e seguir os passos do seu ídolo Angus Scattergood, um gato astro do rock.

A diferença entre a cidade e o campo é um reflexo entre a diferença da cultura chinesa e americana, por mais que a China esteja bastante ocidental nos dias de hoje. Já o protagonista é um jovem ingênuo em busca do sonho de se tornar um astro do rock, uma referência a aproximação cultural entre os países. Ao chegar na cidade ele tenta entrar em contato com seu ídolo, mas o gato só enxerga em Bodi uma oportunidade de quebrar seu bloqueio criativo e conseguir compor uma nova canção.

Por mais clichê que a história seja ao mostrar a relação entre pai e filho, depois migrando para fã e ídolo, o roteiro de Rock Dog poderia ser menos óbvio – mesmo sendo voltado mais para o público infantil – e para piorar ainda segue por um caminho superficial. Os personagens não são desenvolvidos de forma satisfatória e a lógica do universo em que a animação se passa não é apresentada de forma clara. Neste sentido a narrativa prefere caminhar de forma fácil e preguiçosa na resolução de seus conflitos. Ou mesmo na forma que os elementos da narrativa são apresentados, como por exemplo, mostrar um avião que deixa cair uma caixa com um rádio que é encontrado pelo protagonista. Dessa forma ele tem seu primeiro contato com o rock e por consequência com a música de Scattergood.

Bodi, o protagonista, é uma figura carismática e o seu jeito ingênuo conquista facilmente a plateia que torce para o seu sucesso. A cena dele chegando na cidade e indo ao Parque Rock´n Roll, com o objetivo de entrar em uma banda, é muito interessante e divertida. O local é um palco a céu aberto onde diversos músicos tentam mostrar o seu trabalho. É bom ver os elementos musicais na história e como o personagem tem a chance de ir em busca do seu sonho, por mais difícil que ele seja.

O filme tem boas referências pop ao mundo do rock, principalmente no nome de alguns personagens e na trilha sonora – que conta com nomes como Foo Fighters, Beck e Radiohead. Ainda assim, o protagonista parece não mergulhar de vez no universo roqueiro, seja no seu jeito de se vestir ou no pequeno detalhe dele não tocar guitarra, mas sim um violão. Quando Bodi se encontra com Scattergood parece que o gato “suga” mais o lado pop do cachorro do que o influência no rock´n roll, uma vez que ele seria a grande influência musical.

O personagem de Angus Scattergood é o mais clichê, mas é o que funciona melhor na história. Ele representa bem o roqueiro famoso cujo ego o fez se isolar do mundo criando um bloqueio criativo. Ainda sim o roteiro não consegue sair muito disso e a mudança no caráter do personagem para alguém “melhor”, influenciada por Bodi, é muito mal desenvolvida.

Já os personagens secundários não conseguem apresentar funções narrativas interessantes, funcionando apenas como alívio cômico em alguns momentos. A relação entre os lobos, representados como uma espécie de “mafiosos”, e as ovelhas não é bem explorado. Elas parecem uma imitação barata de Minions, seres atrapalhados que não conseguem fazer as coisas direito, mas sem a mesma graça.

A premissa da animação Rock Dog é curiosa, mas o roteiro óbvio e superficial atrapalha a diversão. A narrativa tem muitos problemas e fica difícil abstrair os buracos da trama. Algo como se a história fosse muito complexa para o público infantil e com isso ela fosse resumida e resolvida da forma mais simples e óbvia possível. Os personagens também são tão artificiais que não ajudam. Mesmo com alguns bons momentos, o resultado é bem irregular.


Uma frase: – Bodi: “Pai, eu decidi que vou ser um grande músico”

Uma cena: A primeira ida de Bodi ao Parque Rock´n Roll.

Uma curiosidade: O roteiro é baseado em um mangá chinês chamado Tibetan Rock Dog de Zheng Jun, que também é um dos produtores da animação.

 


Rock Dog: No Faro do Sucesso (Rock Dog)

Direção: Ash Brannon
Roteiro: Ash Brannon e Kurt Voelker, história de Ash Brannon e Zheng Jun

Elenco: Luke Wilson, Eddie Izzard, J. K. Simmons, Lewis Black, Kenan Thompson, Mae Whitman, Jorge Garcia, Matt Dillon e Sam Elliott (vozes em inglês); Armando Tiraboschi, Wendel Bezerra, Wellington Lima, Mauro Ramos, Felipe Grinnan, Cássia Bisceglia, Angelo Vizarro, Nestor Chiesse e Carlos de Moraes (vozes em português)
Gênero: Animação, Aventura, Comédia
Ano: 2016
Duração: 80 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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