Crítica | A Autópsia (The Autopsy of Jane Doe)

Uma cena de crime confusa que não parece fazer muito sentido. Nela é encontrado o corpo não identificado de uma mulher. A polícia leva o corpo para que possa ser realizada uma autópsia e assim descobrir algo que possa ajudar na resolução do caso. Tommy (Brian Cox) e Austin Tilden (Emile Hirsch), respectivamente pai e filho, são encarregados da autópsia da mulher desconhecida. Como Tommy mesmo diz: “todo corpo guarda um segredo“, e a história de “A Autópsia” gira em torno desse mistério.

A dupla Cox e Hirsch mostra todo o seu talento no longa e, apenas os dois – mais o corpo da atriz Olwen Kelly – são quase os únicos presentes em cena ao longo do filme. A química entre eles é muito boa. Os atores constroem muito bem a relação entre pai e filho dos personagens. A dinâmica estabelecida é que o pai é mais tradicional, pragmático e metódico, enquanto o filho é mais impulsivo e quer logo encontrar uma resposta com palpites sobre o motivo da morte à cada nova pista encontrada.

O necrotério é um negócio familiar para os Tilden, algo que está sendo passado de pai para filho. O local é naturalmente assustador: fica localizado no subsolo de uma casa, a iluminação é meio escura e os corredores com espelhos nas esquinas criam um ambiente claustrofóbico e aterrorizante. Então imaginem que nesse lugar estão apenas os dois e os corpos dos defuntos; o suficiente para que qualquer barulho vindo de outro lugar já crie um clima de mistério.

O roteiro, escrito por Ian Goldberg e Richard Naing, sabe disso e vai construindo muito bem o suspense da história. A cada nova etapa da autópsia surge uma nova pista que aumenta o mistério em torno do corpo desconhecido. O diretor André Øvredal aproveita cada novo elemento para ir aumentando a tensão. Tecnicamente muito bem realizado, o filme utiliza acertadamente os elementos como a fotografia e a trilha sonora para criar o clima “nervoso” da narrativa.

A fotografia de Roman Osin utiliza muito bem a iluminação para criar um ar “pesado” no local. A cada aumento da tensão elétrica que faz alguma luz oscilar, ajuda no tom de suspense. Enquanto os personagens vão realizando a autópsia, de vez em quando é mostrado o rosto da mulher, na expectativa de algo possa acontecer, como um piscar de olhos, por exemplo. Nesse sentido, a montagem de Patrick Larsgaard é muito eficiente em manter o ritmo do filme criando o aumento do terror até um ponto crítico, mas depois diminui um pouco dando tempo para que o espectador possa “respirar” por um momento. A trilha sonora de Danny Bensi e Saunder Jurriaans também contribui para a atmosfera do longa com melodias que aumentam de volume sinalizando o perigo ou na ausência de música criando expectativa.

O diretor André Øvredal mostra em “A Autópsia” que sabe muito bem como criar um clima de suspense. Com uma história simples e inteligente, ele realiza um ótimo filme de terror que graças a excelente dupla de atores e uma parte técnica de qualidade, consegue prender o espectador e construir o mistério da narrativa de forma sólida e efetiva.


Uma frase: – Tommy Tilden: “Todo corpo guarda um segredo.”

Uma cena: Quando as luzes se apagam.

Uma curiosidade: O desejo do diretor André Øvredal de fazer um filme de terror veio depois de assistir o filme Invocação do Mal (2013). Após ver a produção, diretor já deu o primeiro passo em seu projeto ligando para seu agente e pedindo um bom script de terror.


A Autópsia (The Autopsy of Jane Doe)

Direção: André Øvredal
Roteiro: Ian Goldberg e Richard Naing

Elenco: Emile Hirsch, Brian Cox, Ophelia Lovibond, Michael McElhatton, Olwen Kelly e Parker Sawyers
Gênero: Terror, Mistério, Thriller
Ano: 2016
Duração: 86 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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