Nerve: Um Jogo Sem Regras

Na era das celebridades instantâneas em que tantos fazem de tudo para conseguirem mais atenção (likes, views, faves, rt…), filmes como “Nerve” se tornam mais do que um simples entretenimento ao construir, em meio a diversão, pertinentes questionamentos comportamentais e sociais. Com uma premissa que brinca com o velho jogo do “verdade ou consequência” e trazendo boas atuações, é uma pena que, seguindo a máxima de boa parte das produções do gênero (adolescente/jovem adulto), o desfecho não esteja a altura do seu início eletrizante (denuncio aqui a minha idade avançada).

A trama é centrada em Vee (Emma Roberts), uma jovem com inabilidades sociais (praticamos…) que depois da pressão de uma amiga resolve entrar no Nerve, um jogo virtual online de “verdade ou desafio” (sem a parte de poder escolher verdade) que é acompanhado por vários “observadores”. Para se dar bem nesse jogo e ganhar mais visualizações, dinheiro e ‘fama’, é preciso cumprir alguns desafios que são formulados pelas ‘comunidade observadora’. O que se inicia como diversão na vida de Vee, que começa a chamar atenção de vários fãs no jogo, logo dá espaço a uma arriscada luta para conseguir ter a sua vida de volta.

Nerve

As duas primeiras partes do filme são muito bem resolvidas e envolventes. Contando com algumas atuações bem carismáticas como as de Emma Roberts e Dave Franco, é fácil se envolver com todos os mistérios e perigos que os dois vão ultrapassando a cada novo ‘desafio’ proposto pelos ‘observadores’ do Nerve. Outras atuações como a da grande Juliette Lewis que faz a mãe da Vee são totalmente dispensáveis e mal resolvidas, mas não chegam a atrapalhar a envolvente trama que é “armada” no início deste intenso thriller.

A direção (nas mãos dos responsáveis pelo intrigante Catfish ou de sucessos de bilheterias como Atividade Paranormal), assim como o elenco, acerta na maior parte do tempo. Outro ponto de destaque fica por conta da parte técnica que é composta por um visual que brinca com tipografias e com o néon de uma forma muito interessante. Acompanhando tudo isso e ajudando a ditar o ritmo das primeiras cenas e sequências do filme temos uma trilha sonora bastante acertada.

É uma pena que, todos os questionamentos tão bem levantados e as discussões proporcionadas em meio a um thriller que se inicia de forma intensa dê logo lugar a resoluções tão rasas e moralistas. Chega a ser irritante a forma como o roteiro “resolve” a trama e coisas que, antes, eram insolucionáveis sejam resolvidas de ‘bate-pronto’ e sem muita inspiração.

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De qualquer sorte, por tudo o que discute e por algumas sequências e sacadas bem levantadas, “Nerve” reserva alguns minutos de diversão e serve, apesar do seu final pouco inteligente, quanto nada para discutirmos, mais uma vez, os rumos sociais e comportamentais que estamos seguindo nesse início de milênio


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Uma frase: “Pessoas brancas sofrem.” (Paciente negro no hospital respondendo a personagem da Juliette Lewis preocupada com a quantidade de dinheiro desconhecido entrando em sua conta).

Uma cena: O desafio da moto.

Uma curiosidade: Em uma das cenas, a personagem interpretada por Emma Roberts (sobrinha da Julia Roberts) Vee, abre uma página de notícias em seu notebook e, uma delas, é sobre o ator James Franco que é irmão do Dave Franco que interpreta Ian no filme..

 


poster nerveNerve: Um Jogo Sem Regras (Nerve)

Direção: Ariel Schulman, Henry Joost
Roteiro: Rob Simonsen
Elenco: Emma Roberts, Dave Franco, Emily Meade, Machine Gun Kelly, Kimiko Glenn, Juliette Lewis, Miles Heizer, Samira Wiley, Marc John Jefferies e Brian ‘Sene’ Marc.
Gênero: Thriller, Jovem Adulto
Ano: 2016
Duração: 96 minutos.
Graus de KB: 2Emma Roberts esteve em Celeste e Jesse Para Sempre (2002) com John Joseph Lindsey que, por sua vez, esteve em Aliança do Crime (2015) com Kevin Bacon.


 

4 thoughts on “Nerve: Um Jogo Sem Regras”

  1. Achei o filme até legal em algumas partes, o problema é que aquele final bobo e moralista típico de filme com classificação 12 anos acaba puxando o filme para baixo.
    Quem se interessou pela premissa e quiser ver um filme mais subversido, doido e sem essa pegada high-tech vale a pena assistir ao Tailandês “13 desafios”.

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