Clássicos | No Calor da Noite (1967)

Para bem analisarmos No Calor da Noite e compreendermos sua relevância social, é importante contextualizar as coisas. A trama aqui retratada se passa em uma cidade do sul dos Estados Unidos poucos anos após a aprovação da Lei dos Direitos Civis. Mudar a mentalidade de um local onde o racismo estava incrustado era uma tarefa quase impossível. Atitudes doentias contra pessoas de uma cor diferente refletiam a ignorância de toda uma comunidade.

Tal atmosfera fica evidenciada nas primeiras sequências de No Calor da Noite. Um assassinato ocorre numa quente madrugada na cidade de Sparta e as suspeitas recaem sobre um estranho que estava apenas aguardando o próximo trem. O xerife local não pensa duas vezes. Um forasteiro negro? Certamente foi o autor do crime.

O fato é que o acusado é Virgil Tibbs, um competente investigador de homicídios.

Não demora muito e Virgil Tibbs recebe o pedido de ajudar na busca pelo verdadeiro culpado. Esperar por um pedido de desculpas já era demais.

O talento do investigador é notório. Com tranquilidade e inteligência, ele mostra que conhece o seu trabalho bem melhor do que os policiais locais. Além de enfrentar a desconfiança dos colegas de profissão e a dificuldade do caso, Virgil também se vê diante de lamentáveis demonstrações de racismo. Mas com ele o buraco é mais embaixo. Com fúria nos olhos e atitudes que impõe respeito, o investigador vai ganhando autoridade. A aproximação dele com o xerife é uma das melhoras coisas de No Calor da Noite. Deixando seus preconceitos de lado, Gillespie percebe que está próximo de alguém que sabe o que está fazendo. Uma parceria está criada, algo antes impossível.

É difícil assistir a No Calor da Noite com passividade. Algumas cenas chegam a perturbar. É claro que o racismo ainda existe, mas não como antes. Naquela época a opressão era gigantesca, ainda mais em um estado sulista dos Estados Unidos.

O diretor Norman Jewison criou algo muito mais profundo do que um simples drama policial. A investigação revela surpresas, o desenrolar dos fatos sempre mantém nosso interesse e há boas doses do humor, mas é a abordagem corajosa do racismo e as atuações de Sidney Portieir e de Rod Steiger que jamais serão esquecidas.

 


Uma frase: Eles me chama de SENHOR Tibbs. 

Uma cena: Virgil Tibbs devolve o tapa que recebeu de um racista.

Uma curiosidade: O diretor Norman Jewison pediu para o ator Rod Steiger mascar chiclete enquanto atuava. A princípio, ele achou estranho, mas depois aprovou a ideia. Resultado: ele mascou 263 chicletes durante as filmagens. 

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No Calor da Noite (In the Heat of the Night) no-calor-da-noite-poster

Direção: Norman Jewison
Roteiro: Stirling Silliphant
Elenco: Sidney Poitier, Rod Steiger, Warren Oates
Gênero: Crime, Drama, Mistério
Ano: 1967
Duração: 109 minutos
Info: IMDb

 

Fã de sci-fi que gosta de expor suas opiniões por aí! Oinc!

2 thoughts on “Clássicos | No Calor da Noite (1967)

  1. Adoro “No Calor da Noite”. Além de um filme clássico, por tudo o que representa (Sydney Poitier sendo o primeiro ator negro a vencer um Oscar de Melhor Ator), é um longa policial de primeira linha!

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