Crítica | O Escaravelho do Diabo

Crítica | O Escaravelho do Diabo

Para quem (assim como este que vos escreve) nasceu no final do século passado, a nostálgica ‘Coleção Vagalume‘, que reunia diversas obras literárias inesquecíveis, era sem dúvidas um dos grandes alicerces do imaginário de nossa infância/adolescência. Dentre os livros de maior sucesso, “O Escaravelho do Diabo” escrito por Lúcia Machado de Almeida, era um dos expoentes e ganhou, neste ano de 2016, uma adaptação para os cinemas que tenta apresentar o clássico para a geração atual e, claro, chamar os mais antigos pela nostalgia.

A trama que adapta a obra literária (publicada pela primeira vez em 1955) se passa em uma pequena cidade chamada Vale das Flores que tem a sua rotina alterada quando um hediondo crime acontece: O jovem Hugo Maltese (Cirillo Luna) é encontrado morto com uma espada antiga encravada no peito. Buscando descobrir quem foi o assassino de seu irmão, o jovem Alberto Maltese (Thiago Rossetti) começa a buscar pistas e tentar solucionar o enigma com a ajuda do delegado Pimentel (Marcos Caruso).

Alberto Montesi

 

A história segue o ritmo clássico de um thriller de suspense. O que inicia com um morte começa a se desvincilhar para assassinatos em série onde as vítimas, todas ruivas, sempre recebem antes um escaravelho. O livro seguia o modelo dos outros integrantes da Coleção Vagalume, poucas páginas e (geralmente) ritmo intenso. É uma pena que o roteiro do filme, ao contrário da obra original, não consiga transpor isso em tela e seja um pouco mal amarrado.

Existem alguns acertos interessantes, um deles é a forma como atualizaram a história com a inclusão da internet e seus sites de buscas, celulares, tablets e até ligações voip. Contribui para aproximar a clássica história para a geração mais atual, mas quando existe uma incursão digital que parece ter sido feita com tecnologia do século passado, o espectador é facilmente tirado da história. Outro aspecto que, infelizmente, não ajuda muito são as atuações do elenco mirim. Tanto o protagonista quanto a sua ‘paquera’ são MUITO fraquinhos na atuação. Existe uma clara sensação de produção novelesca, daquelas que valem mais a pena serem assistidas no conforto do seu lar.

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Claro, no final das contas o que mais se sobressai em “O Escaravelho do Diabo” é a sua história que é sim, muito bacana. Existe um trabalho muito bom na questão de termos algumas cenas até ‘violentas’ (para o público alvo), mas sem deixar de ser, claramente, uma obra dedicada ao público infanto-juvenil. Se fosse melhor trabalhado no roteiro, tivesse um ritmo mais condizente com o gênero/história proposto e contasse com algumas atuações melhores na linha de frente, com certeza seria uma obra digna de cinema. Quando o único (último?) recurso é apelar para a nostalgia, fica complicado dar algum crédito. Ou dinheiro, ou seu precioso tempo também.


Classificação 2 de 5

Uma frase: “Significa que agora ele é teu mané!”.

Uma cena: Alberto Maltesi descobrindo o enigma por detrás dos escaravelhos.

Uma curiosidade: As filmagens aconteceram no primeiro semestre de 2015, com locações nas cidades de Campinas, Amparo, Monte Alegre do Sul, Holambra e Jaguariúna.

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O Escaravelho do DiaboO Escaravelho do Diabo

Direção: Carlos Milani
Roteiro: Melanie Diamantas e Ronaldo Santos adaptanto obra escrita por Lúcia Machado de Almeida.
Elenco: Thiago Rosseti, Bruna Cavalieri, Marcos Caruso, Jonas Bloch, Lourenço Mutarelli, Augusto Madeira, Celso Frateschi, Thogun Teixeira, Bianca Müller, Cirillo Luna, Ana Cecília Costa e Bruce Gomlevsky.
Gênero: Suspense, Thriller.
Ano: 2016
Duração: 90 min
Graus de KB: 3, Marcos Caruso trabalhou com Stephan Nercessian, que trabalhou com Martin Sheen que fez JFK com Kevin Bacon.

Marcio Melo

Marcio Melo

Vejo filmes que ninguém conhece, escrevo contos que ninguém lê e torço por um time que nunca vence.

3 comentários sobre “Crítica | O Escaravelho do Diabo

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