Crítica | Deus Branco (White God, 2014)

Vencedor do prêmio Un Certain Regard em Cannes, Deus Branco é uma experiência capaz de mexer com os sentimentos do ser humano mais frio.

Em um primeiro olhar, trata-se de uma tocante história de uma garota que é obrigada pelo pai a abandonar o seu fiel cachorro, mas sua força está no fato de funcionar como uma contundente metáfora política e social. Aos poucos, vamos percebendo aonde o diretor quer chegar.

Devido a alguma lei bizarra da cidade de Budapeste, os proprietários de cães mestiços são obrigados a pagar uma taxa por eles. O irritadiço e pai ausente Dániel, não pensa duas vezes antes de tirar Hagen de Lili na primeira dificuldade.

É difícil prever qual a reação dos amantes de cachorros diante de Deus Branco. Apesar de ser encantador ver Hagen aprendendo a se virar sozinho e fazendo amizades ao longo de sua jornada de sobrevivência, sua vida toma um rumo complicado, nos fazendo testemunhar cenas brutais. Desviar o olhar é algo inevitável em alguns momentos do filme.

Emprestando elementos de obras como Pássaros e Planetas dos Macacos: A Origem, o diretor também investe em eficientes cenas de ação e momentos intimistas repletos de sensibilidade.

Crítica forte ao preconceito com as minorias, Deus Branco não poderia ser mais atual. Mesmo com um ou outro deslize no roteiro, temos aqui um grande acerto em termos técnicos e temáticos. Daqueles filmes que dificilmente são esquecidos por quem assisite.


 

Uma frase: Tannhausser fala de amor, você não consegue entender porque você não tem coração.. 

Uma cena: Hagen esperando o sinaleiro de pedestre abrir para atrevessar a rua. 

Uma curiosidade: Os cãos usados no filme foram retirados de abrigos, treinados e depois adotados

 

 


 

Deus Branco (Fehér Isten)white-god-poster

Direção: Kornél Mundruczó
Roteiro: Kornél Mundruczó, Viktória Petrányi
Elenco: Zsófia Psotta
Gênero: Drama/Horror
Ano: 2014
Duração: 121 minutos

 

 

 



 

 

7 thoughts on “Crítica | Deus Branco (White God, 2014)”

  1. Pode até ser um bom filme, mas para quem ama cães, não se consegue ver. Eu, pelo menos, não consegui. Ontem passou no Telecine Cult, vi até a entrada de Hagen na primeira rinha de cães, mas não tive mais coragem de prosseguir, essas coisas me incomodam profundamente. Pensei: “esse filme vai acabar mal…”, já estava incomodada com o que tinha visto e tirei do canal. Mas fico feliz em saber que todos os cães foram adotados.

    1. Certas cenas são de uma brutalidade ímpar, realmente afetando qualquer um que goste de cachorros, como foi o meu caso também. mas os momentos felizes e não violentos fizeram tudo ser compensado. e claro, o final serve como uma redenção.

      1. Nossa, tive vontade de matar aquele mendigo e, mais ainda, aquele bandido ganhando dinheiro com a exploração e morte dos cachorros. Foi de doer!
        Pena que não consegui ver até o final. Estava lendo várias resenhas pela internet para saber o que tinha acontecido rsrs

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