Crítica | Batman vs Superman: A Origem da Justiça

Logo nos primeiros minutos de “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” é fácil perceber que estamos diante do novo filme de Zack Snyder. Isso poderia ser uma coisa positiva se o diretor conseguisse criar marcas registradas em sua carreira que realmente funcionassem na tela. Infelizmente, não é isso que acontece. Temos uma fotografia totalmente escura na tentativa de criar um clima sombrio, que na verdade só serve para dificultar o efeito 3D (também desnecessário). E claro, as cenas em câmera lenta, apesar de que pelo menos nesse quesito ele até consegue se controlar bem.

O problema é que o filme tem tarefas muito difíceis de serem alcançadas de maneira satisfatória. Primeiro juntar dois dos heróis mais famosos e icônicos do universo dos quadrinhos. Depois tem que servir de continuação para “Homem de Aço” enquanto ao mesmo tempo traz uma nova visão sobre o Batman, após a bem sucedida trilogia do diretor Christopher Nolan. Além disso, inaugura uma nova fase da DC no cinema com um universo expandido, com a inclusão de novos heróis para um futuro filme da Liga da Justiça. Desses personagens, apenas a Mulher Maravilha realmente aparece por aqui servindo apenas como uma coadjuvante de luxo e mais um “boneco” para lutar contra o vilão final.

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O filme até começa de maneira interessante ao mostrar outro ponto de vista da batalha final entre Superman e o general Zod no final de “O Homem de Aço”. Vemos Bruce Wayne chegando em Metropolis para acompanhar a destruição causada pela batalha e tentar impedir que um dos seus prédios seja destruído. Presenciar essa cena faz com que ele crie uma raiva contra o Super Homem e irá fazer de tudo para arrumar uma maneira de conseguir derrotá-lo caso ele se mostre ser perigoso.

Isso poderia ser interessante se o roteiro de Chris Terrio e David S. Goyer soubesse explorar bem essa relação entre os dois personagens e suas visões. O próprio Superman tem conflitos interessantes já que ele tem poderes de um deus, e em algumas cenas do filme ele é assim retratado de forma visualmente muito boa, mas ao mesmo tempo tem vontades e sentimentos humanos. O romance dele com Lois Lane o torna ainda mais humano, mas esse relacionamento já tem problemas desde o filme solo do herói e aqui continua não convencendo.

Enquanto o Batman é mostrado numa versão mais velha e que já não é mais tão cuidadoso, inclusive usando armas de fogo, acreditando que sua luta contra os bandidos nunca terá fim. Os atores Henry Cavill e Ben Affleck, respectivamente Superman/Clark Kent e Batman/Bruce Wayne, até mostram carisma e química entre si, mas o roteiro não deixa que eles consigam explorar bem os conflitos pessoais de seus personagens de maneira satisfatória e principalmente o conflito entre eles.

Inclusive iremos acompanhar mais uma vez a cena da morte dos pais de Bruce Wayne quando ele era criança para introduzir novamente o personagem, afinal de contas nunca vimos essa cena no cinema (risos). Ela é mostrada na tentativa de criar um ciclo para o personagem, mas a maneira como é utilizada e tenta fechar durante o filme com repetição de imagens é extremamente problemática e mal utilizada. Alias é interessante notar como Snyder fica meio perdido entre fazer um Batman totalmente diferente da última versão cinematográfica, ao mesmo tempo que mostra o personagem no topo de um prédio numa cena que é praticamente igual aos filmes de Nolan.

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Chegamos então ao vilão Lex Luthor interpretado por Jesse Eisenberg. Sua atuação não é ruim, mas a construção do personagem é bem problemática. Sua versão de Lex parece mais um lunático estilo Coringa. Em nenhum momento é possível levar suas ambições e planos a sério. Isso sem falar que em praticamente nenhum momento ele consegue soar assustador ou uma real ameaça. Ainda assim o roteiro ainda consegue colocar nele a ideia de um conflito entre Batman e Superman que soa bastante plausível. Pena que isso é jogado fora numa cena de luta entre os personagens que poderia ser facilmente resolvida numa troca de diálogos, mas que o filme prefere forçar o combate. Senão não teríamos uma luta entre eles que inclusive é um dos melhores momentos do filme.

Talvez o filme pudesse compensar esses problemas da história com boas cenas de ação e efeitos visuais bem realizados. Infelizmente nessa parte ele também deixa a desejar. A começar pela montagem de David Brenner, que não consegue dar ritmo a história. O filme acaba soando arrastado e cansativo durante toda a projeção. Nas cenas de ação, o excesso de cortes faz com que elas fiquem confusas quase num nível Michael Bay e seus Transformers. E como acreditar que as cenas de carro envolvendo o batmóvel são cheias de efeitos digitais mal realizados. Fazer as coisas de verdade sempre foi o grande trunfo dos filmes de Nolan e é absurdo que ele no papel de produtor executivo tenha deixado isso ser feito dessa forma. O vilão Apocalipse então é vergonhoso de tão genérico. Isso sem contar a trilha sonora de Hans Zimmer que tenta dar um clima épico e grandioso sem conseguir, criando no máximo uma atmosfera totalmente artificial. Enquanto Junkie XL usa elementos de música eletrônica que só piora a situação.

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Ainda não foi dessa vez que a DC conseguiu criar um universo expandido no cinema de maneira satisfatória. Ao pegar seus dois principais personagens só os conseguiu colocar num conflito idiota para de alguma forma dar o pontapé inicial a nova franquia. A Mulher Maravilha fica perdida no meio do conflito sem nenhum desenvolvimento, mas isso ainda pode ser consertado num futuro filme solo dela. Enquanto os outros “bonecos” são apenas mostrados para dizer que existem e que deverão fazer alguma coisa nos próximos filmes. Foi muito pouco para um projeto tão audacioso e ambicioso. Mas quem sabe eles não conseguem se acertar nos próximos “capítulos”. O que não faltam são bons personagens e boas histórias para se contar. O que precisa são de bons realizadores que saibam dar vida a esse universo.



Uma frase
: Bruce Wayne – “Se houver 1% de chance de ele ser inimigo, então temos que encarar isso como certeza absoluta”.

Uma cena: A luta entre Batman e Superman que mostra algumas cenas icônicas, apesar de que ela poderia ter sido facilmente evitada, mas aí o filme ficaria sem cenas de ação/luta.

Uma curiosidade: Esse é o primeiro filme live action que mostra Batman, Superman e Mulher Maravilha juntos.

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batmanVsuperman-cartazBatman vs Superman: A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice)

Direção: Zack Snyder
Roteiro: Chris Terrio e David S. Goyer
Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Jesse Eisenberg, Diane Lane, Laurence Fishburne, Gal Gadot, Scoot McNairy, Callan Mulvey, Mercy Graves, Kevin Costner, Carla Gugino, Michael Shannon, Jeremy Irons e Holly Hunter
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Ano: 2016
Duração: 153 minutos.

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.
  • Kamila Azevedo

    Acho que a DC Comics ainda tem muito o que aprender com a Marvel. Esse filme, apesar de bem intencionado, de ter a aura de um grande evento cinematográfico, e de ser tratado com a grandiosidade que ele merece, não consegue impressionar justamente por causa de um péssimo roteiro. Tudo acontece ao mesmo tempo, agora, em “Batman vs Superman” e acho que a trama perde muito do seu apelo por causa disso. Os personagens não conseguem ser bem desenvolvidos. Além disso, Zack Snyder, apesar de ter a sua identidade própria e dela estar presente aqui, não é o diretor certo pra esse tipo de filme.

    • Sim, o principal problema é o roteiro.
      Eu gostava de Zack em “Madrugada dos Mortos” (seu melhor filme até agora) e apesar dos exageros funciona em “300”, depois ele não fez mais nada de interessante. Então nem sei dizer pra qual tipo de filme ele funciona.

  • Ricardo Guedes Dos Santos

    Tudo bem não ter gostado do filme e fazer uma crítica ruim como “a imprensa americana” (desculpe, não lí nada gringo, apenas ouvi falar), mas o crítico errou muito. Primeiro que Bruce Wayne não tenta evitar que seu prédio seja destruído. Ele quer salvar as pessoas. AS PESSOAS!
    A repetição da cena da morte dos Wayne é para amarrar a jogada de roteiro em que ambos os personagens têm mães com o mesmo nome! Puxa, não sou especialista, mas isso ficou evidente.
    Concordo que o filme é escuro demais, mas tenho a impressão que estão se apegando demais na questão da perseguição com o batmobile. A mulher maravilha poderia ser melhor desenvolvida, mas o filme ficaria longo demais. De certa forma ela amarra a questão da liga da justiça e justifica (sem trocadilhos) o subtítulo do filme.

    • Marcio Melo

      Cara, eu achei a jogada com o nome das mães a pior coisa de todos os tempos, o motivo da briga ter terminado foi uma coisa bem ridícula. A de ter começado também.

    • Sim, ele queria salvar as pessoas do seu próprio prédio (risos). Essa parte nem achei ruim, a ideia era boa, só não foi bem executada.
      Eu também não li nenhum crítica americana.
      A repetição da cena da morte era para tentar fechar o ciclo do personagem, só que isso não funciona de maneira satisfatória, simples assim.
      A cena do batmobile é bizarra, ainda mais se comparada com os filmes de Nolan.
      O filme já é longo demais e a mulher maravilha ficou só de coadjuvante de luxo. O problema principal do filme é esse, tentar colocar coisa demais e não conseguir desenvolver direito quase nada.

  • Marcio Melo

    Eu tenho sentimentos antagônicos em relação a este filme, adorei a luta e mesmo a Mulher Maravilha sendo colocada apenas como coadjuvante de ‘luxo’ achei muito boa a participação dela. Do outro lado tem alguns dos problemas que você citou que fica difícil de aturar. O ‘motivo’ da briga entre os dois já estava até bem embasado com o lance do Batman ter ‘raiva’ do ‘Deus alien’ e etc. Mas aí surge aquele motivo medíocre, e que poderia mesmo ser resolvido num diálogo e, para completar, o lance do encerramento da luta ser por conta daquilo. Ali foi demais.

    Eu não daria apenas 1 bacon, uns 2 bacons acho que seria menos injusto.

  • Thiago Vader

    apesar dos exageros, eu gostei do filme, só esperava que tivesse mais ação, algumas cenas a mais de combate ao crime que foram muito poucas, e que o duelo de batman v superman terminasse de outra forma, não daquele jeito que foi mostrado…esperava mais.

    • Ou seja, vc só queria que o filme fosse bom. hehehehehe

      • Thiago Vader

        não! esperava mais no sentido de querer um excelente filme, não apenas ter achado bom, queria ter gostado muito mais entendeu?

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