Crítica | Druk – Mais Uma Rodada

Crítica | Druk – Mais Uma Rodada

A relação da bebida com a sociedade é bem diferente na Dinamarca, se compararmos com o Brasil, a começar pelo fato da desigualdade social ser mínima por lá. Além disso, os jovens podem beber a partir dos 16 anos e isso faz com que em média eles bebam o equivalente a uma pessoa de 30 anos da Europa. É importante considerar esses fatos ao se assistir Druk – Mais Uma Rodada, novo filme do diretor dinamarquês Thomas Vinterberg.

A trama gira em torno de um grupo de professores que passa pela crise de meia idade e então resolve colocar em prática uma experiência relacionada ao consumo de álcool. Em princípio todos do grupo só bebem socialmente e levam vidas ordinárias , então realizar esse experimento é uma maneira de dar uma “sacudida” em suas respectivas vidas

Segundo o personagem Nikolaj, existe um filósofo e psiquiatra norueguês que afirma que nós nascemos com um déficit de álcool no sangue de 0,05%. Dessa forma, se você consumir essa quantidade de bebida fica mais relaxado, determinado e corajoso. Assim os 4 professores decidem colocar em prática essa teoria, fazendo um estudo e analisando se realmente o comportamento deles no dia a dia muda ao consumirem bebida alcoólica. Como diria o nosso porcolunista Lionel Leal: não vejo como isso dar errado.

O protagonista de Druk é Martin, interpretado por Mads Mikkelsen, que passa por uma crise no relacionamento, onde está um pouco afastado da esposa, e também sofre críticas dos alunos de sua classe que consideram as aulas entediantes. Será que o álcool vai resolver o seu problema?

O experimento é dividido em 3 fases, onde em cada uma delas o nível de álcool no sangue aumenta para saber qual a quantidade ideal para se melhorar a própria sociabilidade. Inicialmente o resultado é positivo, então vemos uma real melhora na vida do grupo de amigos. A trama foca mais na vida de Martin, mas os outros 3 personagens também são explorados em menor grau.

A diferença nas aulas de Martin é clara e os alunos sentem a mudança. Um ótimo momento é quando ele cita 3 tipos de comportamento de determinadas figuras históricas, mas sem falar os seus nomes. Através dessa análise, Hitler seria uma pessoa ideal, já que não consumia álcool.

Ou seja, o diretor Thomas Vinterberg não está interessado em fazer um julgamento moral de seus personagens. Em Druk – Mais Uma Rodada, o cineasta apresenta um retrato fiel da crise de meia idade de homens brancos da classe média dinamarquesa, onde suas vidas entediantes, e um ótimo estudo de personagens. Além disso, mostra o lado positivo e negativo do consumo do álcool no cotidiano dos homens. Se por um lado existe a melhor no humor e motivação, do outros temos o vício e dependência que também afeta negativamente a vida de cada um.

O protagonista Martin sintetiza bem em como esse consumo diário de álcool afeta a sua vida, mas em como a cada nova fase da experiência a situação foge do seu controle. O ator Mads Mikkelsen, ótimo como sempre, é brilhante na construção do personagem, sem cair na caricatura e mantendo a verossimilhança.

Em síntese, Druk – Mais Uma Rodada é um ótimo filme que faz um estudo de personagens bem interessante ao explorar o experimento do grupo de amigos consumindo bebida alcoólica diariamente. A obra de Thomas Vinterberg poderia ser interpretada como uma glamourização do álcool, mas como o cineasta deixa clara sua visão sem julgamento moral isso não se concretiza. Por isso é importante frisar a questão das diferenças sociais e econômicas da realidade dinamarquesa, principalmente se compararmos com a brasileira.


Uma frase: – Nikolaj: “Tem um filósofo e psiquiatra norueguês… Ele diz que nascemos com um déficit de álcool no sangue de 0,05%. Ele diz que com o nível de álcool 0,05%, você fica mais relaxado, mais determinado, mais corajoso em geral.”

Uma cena: A dança do personagem Martin.

Uma curiosidade: Em vez de ter dois filhos, o personagem interpretado por Mads Mikkelsen originalmente deveria ter um filho e uma filha, esta última interpretada pela filha do diretor Thomas Vinterberg, Ida Maria Vinterberg. No entanto, Ida morreu em um acidente de carro na Bélgica, quatro dias após o início das filmagens, antes que ela planejasse filmar suas cenas. O filme é dedicado a ela.


Druk – Mais Uma Rodada (Druk)

Direção: Thomas Vinterberg
Roteiro: Thomas Vinterberg e Tobias Lindholm
Elenco: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Magnus Millang e Lars Ranthe
Gênero: Comédia, Drama
Ano: 2020
Duração: 117 minutos

Ramon Prates

Ramon Prates

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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