Review | Metroid Dread

Review | Metroid Dread

Metroid é uma franquia tão importante para o mundo dos games, que deu origem ao gênero chamado Metroidvania, inspirado pela mecânica do jogo. Sem dúvidas é um dos principais chamarizes da Nintendo e em Metroid Dread eles acertam em cheio no formato clássico “imortalizado” pela série, que consegue ao mesmo tempo ser uma experiência que envolve o sentimento de nostalgia — especialmente por ser em 2D — e da mesma forma atualiza a jogabilidade, apresentando novos elementos, e os gráficos para a geração atual (estilo Nintendo).

Trama

A saga de Samus Aran tem uma jornada diferente no formato 2D, assim Metroid Dread se passa após os acontecimentos de Metroid Fusion — game de 2002 lançado para o Game Boy Advance. Sabendo que uma boa parte dos jogadores não teve contato com ele (inclusive esse que vos escreve), o jogo de 2021 apresenta uma boa recapitulação da trama para situar o jogador.

Em resumo, a Federação Galáctica enviou 7 robôs para investigar o planeta ZDR, pois tudo indica que o parasita X ainda está vivo, então as máquinas deveriam acabar com a ameaça. Após perder o contato com elas, a Federação convoca a caçadora de recompensas Samus Aran para ir até o local descobrir o que ocorreu. O problema é que algo acontece com ela quando chega lá e a Samus tem uma “perda de memória física”, assim no início do jogo ela está somente com as habilidades básicas. Assim durante a exploração do planeta ela deve descobrir o que aconteceu e também recuperar a própria memória.

É uma boa desculpa para que Samus Aran esteja no modo básico no início do jogo e assim cabe ao jogador a missão de (re)descobrir as habilidades de Samus. Afinal de contas, como um bom Metroidvania, a graça do gênero é evoluir o personagem aos poucos para assim conseguir vencer determinados obstáculos que aparecem pelo caminho.

Exploração Metroidvania

A exploração do mapa, a descoberta de novas áreas e habilidades, além de encontrar as melhorias, para a cada novidade também voltar para locais anteriores para saber se agora é possível acessar novos pontos. Essa é a premissa básica de um Metroidvania e Metroid Dread faz isso com maestria. A MercurySteam sabe que estava diante da grande franquia que deu origem ao gênero, assim ele desenvolveu o game explorando da melhor maneira possível a mecânica desse tipo de jogo.

Os mapas são grandes e é interessante a forma como o desenho dos níveis foi construído, especialmente a ligação entre as áreas diferentes do planeta ZDR. Existe tanto a conexão principal através de um “transporte” (algumas vezes é um trem, em outros um “teletransporte”), quanto através de portais espalhados pelas fases e são identificados através de cores. Eles servem como atalhos e também em alguns momentos é a única forma de chegar a determinados pontos.

O design visual também é muito bom e a forma como as áreas são apresentadas visualmente ajudam a diferençá-las muito bem, além do básico envolvendo distinção entre elementos como fogo e gelo, ou a alteração entre ambientes mais verdes e “naturais” com outros mais cinzas e “industriais”. O nível de detalhamento dos cenários é belíssimo e o game impressiona com sua beleza, mostrando como é possível criar gráficos excelentes no Nintendo Switch sem tentar ser realista, mantendo o padrão diferenciado da Nintendo.

E.M.M.I.

Metroid Dread apresenta uma inovação interessante: a presença dos E.M.M.I. (Extraplanetary Multiform Mobile Identifiers, que pode ser traduzido como Identificadores Móveis Multiformes Extraplanetários). Esses EMMIs são os robôs enviados inicialmente ao planeta ZDR e agora eles estão sob controle externo e atacam Samus, por ser identificada como uma ameaça. A mecânica em torno dessas máquinas é bem interessante e dá um frescor ao gênero Metroidvania. Inicialmente não é possível derrotá-los, então a única opção é fugir. O problema é a fuga desesperada inicial sem saber bem para onde ir, já que o mapa ainda está sendo descoberto. É impressionante como é criado um clima de tensão e desespero para o jogador através da trilha sonora e também dos efeitos sonoros.

Outra opção é o uso de uma das habilidades novas de Samus que não demora a ser descoberta chamada Phantom Cloak (Capa Fantasma), que torna a personagem invisível por um determinado tempo, consumindo uma barra de energia e quando ela chega ao fim é possível também utilizar a barra de vida. A questão é que ao usar essa habilidade, a protagonista fica com sua movimentação restrita e mais lenta. Assim o jogador tem que saber usá-la com inteligência.

Depois surge uma forma de aumentar a potência da arma para conseguir derrotá-los, mas descobrir como e onde é um desafio inicial, para em seguida enfrentar as máquinas dentro de uma parte do cenário, tendo que correr por dentro ele enquanto atira, gerando uma forma inovadora dentro da franquia de enfrentar um “chefe de fase”. Contudo, ao conseguir derrotar cada 1 dos 7 EMMIs a recompensa é alguma melhoria para Samus conseguir prosseguir com sua jornada.

Além deles, temos também os tradicionais chefes de cada área do planeta ZDR e eles seguem o estilo mais clássico da franquia. No entanto, a MercurySteam construiu bem a movimentação de cada um deles, assim é difícil conseguir derrotá-los no primeiro confronto, dessa forma existe uma curva de aprendizado que o jogador vai passar até descobrir a melhor maneira de derrotá-lo. É interessante como até mesmo após descobrir como escapar dos ataques a coisa não fica tão fácil, já que é necessário executar os movimentos de maneira precisa e algumas vezes, sem errar. Assim a experiência de enfrentá-los pode gerar uma frustração inicial, para em seguida após algumas (ou diversas a depender do chefe, que tem uma boa evolução no grau de dificuldade) tentativas ter a sensação de satisfação por conseguir derrotar.

Um ponto importante ao enfrentar esses chefes é o uso do “contra-ataque”, uma habilidade que Samus já tem desde o início usando o botão X do controle do Nintendo Switch. Quando surge um ponto brilhante nele é a dica para usar esse recurso (e em alguns momentos até surge uma cutscene para prosseguir com o combate). Essa habilidade também ajuda a ter uma chance de “sobreviver” ao ataque de um EMMI e pode ser usada contra os inimigos normais da fase, mas como um ataque comum, que caso seja utilizado para derrotá-los faz com que eles liberem mais itens de melhoria, como energia para a barra de vida e mísseis.

Trilha sonora

Outro ponto importante de citar é a trilha sonora, talvez o único “deslize” de Metroid Dread. Não que ela seja ruim, digamos que ela seja muito competente e ajuda a criar o clima necessário para as áreas do game. O problema é que nenhuma delas é muito marcante e as trilhas da franquia sempre tiveram esse diferencial, principalmente Super Metroid do Super Nintendo. O único destaque dela é na já citada anteriormente parte onde ocorre o confronto com os EMMIs, no mais ela é apenas básica e funcional.

Novas habilidades

Outro diferencial de Metroid Dread são as novas habilidades de Samus. Uma delas é a já citada Phantom Cloak, mas existem muitas outras como os trajes para suportar frio e calor, os tipos de raios e bombas, entre outros. Talvez não seja uma boa citar todas, já que descobri-las e também para que servem é uma das graças do jogo.

Contudo, é interessante notar também como os elementos das fases também influenciam na exploração, então além de adquirir as habilidades, muitas vezes também é necessário acionar algum mecanismo para que novas áreas do mapa fiquem acessíveis. Por exemplo, em um determinado momento uma fase fica extremamente fria e as portas de acesso ficam congeladas, então nenhuma arma de Samus é capaz de abri-las, então talvez seja necessário encontrar algum lugar para solucionar essa questão ou alguma coisa.

Conclusão

Sem dúvidas Metroid Dread mostra a franquia da Nintendo em seu melhor estilo, apresentando um jogo que pega toda a essência do gênero Metroidvania em uma aventura viciante em 2D. É o tipo de game que agrada em cheio os fãs da franquia e do estilo, tanto pela nostalgia, quanto por atualizar a jogabilidade, visual e as habilidades para a atualidade. A MercurySteam está de parabéns!


Classificação:


Metroid Dread

Plataformas: Nintendo Switch
Produtora: Nintendo
Desenvolvedora: MercurySteam e Nintendo EPD
Diretor: Jose Luis Márquez e Fumi Hayashi
Ano: 2021

Ramon Prates

Ramon Prates

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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