Crítica | Ghostbusters: Mais Além

Crítica |  Ghostbusters: Mais Além

Jason Reitman faz uma carta de amor à Harold Ramis que é puro suco de nostalgia.

Quando lançada em meados da década de 80 a franquia Ghostbusters foi um dos mais inesperados sucessos de Hollywood. Com um roteiro que misturava aventura, comédia, weird science e dark fantasy conseguiu capturar e manifestar como poucas produções o zeitgeist de uma era. O elenco de talento cômico e carisma acima da média e a direção inspirada de Ivan Reitman deram o toque que faltava.

Desde então a franquia produziu diversos derivados que variam desde videogames até desenhos animados, e pelo menos uma continuação direta no cinema ao filme original. Mas, é claro, nenhum deles jamais conseguiu igualar a qualidade e sucesso de crítica e público que foi o primeiro filme. O certo é que, desde então, Ghostbusters (o filme original) tem pairado como um espectro, assombrando toda e qualquer tentativa de se igualar a ele. Houve até uma tentativa de reboot, estrelada apenas por mulheres, que embora tenha um elenco também talentoso e suas qualidades enquanto entretenimento não foi capaz de agradar os fãs mais nostálgicos. 

O homem mais sexy do ano além de conversar com formigas também curte weird science, caçar fantasmas, e um certo tipo estranho de espectrozoofilia…

Ghostbusters: Mais Além é um grande exemplo e resultado direto dessa longa e complicada história. Durante anos, Harold Ramis, um dos roteiristas e atores do filme original (é ele quem encarna o físico Egon Spengler), tentou reunir os amigos em torno de um bom roteiro para uma terceira aventura do grupo. Porém, desentendimentos de bastidores – sempre envolvendo de uma forma ou outra o sempre complicado Bill Murray – seguiam adiando o projeto. Ramis, aliás, é importante registrar, é um dos grandes artistas do meio, responsável por uma das maiores pérolas que o cinema estadunidense dos últimos 30 anos: Feitiço do Tempo (Groundhog Day). O fato é que Ramis jamais teve sucesso na sua empreitada e morreu sem conseguir realizar o filme que traria de volta os Caça-Fantasmas.

Após sua morte, ironicamente, desavenças foram colocadas de lado e o projeto foi retomado. O diretor Ivan Reitman decidiu apenas produzir e chamou seu filho, o diretor Jason Reitman, que cresceu em sets de filmes como Ghostbusters do pai, para assumir a direção e o roteiro. O resultado foi um filme que aposta na nostalgia e é simplesmente uma carta de amor à Harold Ramis.

Jason é sem dúvida um diretor talentoso, porém com um estilo muito diferente de seu pai. O que chama atenção em Ghostbusters: Mais Além, entretanto, é justamente o fato do diretor tentar prestar reverência e fazer referência ao material original. O que experimentamos, assim, é um filme que se esforça em carregar o espírito e o perfil de filmes oitentistas – mais como os da Amblin de Spielberg -, mas sem o timing cômico do filme original. Não se trata de um filme ruim, é importante que se diga, mas de uma produção que sente nitidamente o peso da nostalgia e aposta tudo nela para agradar os fãs mais exigentes.

Mckenna Grace! A coisa mais encantadora que Ghostbusters: Afterlife pode nos dar.

Essa preocupação, também vale dizer, não é de toda despropositada, na medida em que a reação dos fãs mais exigentes e nostálgicos parece ter afetado duramente o reboot acima mencionado. Se a primeira preocupação de Ghostbusters: Mais Além é homenagear o espírito de Harold Ramis, a segunda, claramente, é não desagradar aos fãs. E embora haja um esforço de conquistar uma nova geração dando mais protagonismo aos personagens mais jovens; e embora o trabalho particularmente da menina McKenna Grace seja simplesmente encantador; fica a dúvida se tanta nostalgia será capaz de conquistar uma nova geração e dar uma “pós-vida” de sucesso à franquia. 


Uma frase: “Spengler? Nome esquisito. Boa sorte com isso.”

Uma cena: Os Ghostbusters se reúnem de uma forma bastante peculiar.

Uma curiosidade: O diretor Jason Reitman, como dito, lieteralmente cresceu em meio aos filmes do pai. Ele chegou até a fazer uma ponta em Caça-Fantasmas 2 (1989), como o garoto que diz para Ray que os Ghostbusters são horríveis.


Ghostbusters: Mais Além (Ghostbusters: Afterlife)

Direção: Jason Reitman
Roteiro: Jason Reitman e Gil Kenan, baseado em personagens criados por Harold Ramis e Dan Aykroyd
Elenco: Mckenna Grace, Carrie Coon, Logan Kim, Finn Wolfhard, Celeste O’Connor e Paul Rudd
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Ano: 2021
Duração: 124 minutos

Mário Bastos

Mário Bastos

Quadrinista e escritor frustrado (como vocês bem sabem esses são os "melhores" críticos). Amante de histórias de ficção histórica, ficção científica e fantasia, gostaria de escrever como Neil Gaiman, Grant Morrison, Bernard Cornwell ou Alan Moore, mas tudo que consegue fazer mesmo é mestrar RPG para seus amigos nerds há mais de vinte anos. Nas horas vagas é filósofo e professor.

2 comentários sobre “Crítica | Ghostbusters: Mais Além

  1. Finalmente assisti e gostei bastante, pelo menos uns 4 bacons.
    Acho que Jason conseguiu equilibrar muito bem a nostalgia com a apresentação da franquia para uma nova geração.
    McKenna Grace está sensacional! Sem dúvidas é a melhor coisa do filme.

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