Crítica | Esqueceram de Mim no Lar, Doce Lar

Crítica | Esqueceram de Mim no Lar, Doce Lar

A franquia Esqueceram de Mim, Home Alone no original, chega ao seu sexto filme com “Esqueceram de Mim no Lar, Doce Lar”, dessa vez protagonizado por Archie Yates — que roubou a cena como coadjuvante em “Jojo Rabbit”. Lançado no streaming Disney+, o longa metragem repete a mesma premissa do original de 1990 estrelado por Macaulay Culkin onde, durante o feriado de Natal, uma família viaja de férias e esquece uma criança em casa, que é ameaçada por ladrões.

O principal problema é que essa nova versão, dirigida por Dan Mazer, coloca os ladrões da casa como “bem intencionados” na figura de um casal com problemas financeiros. Jeff (Rob Delaney) e Pam McKenzie (Ellie Kemper) estão vendendo a própria casa porque não conseguem dar conta das finanças, visto que Jeff perdeu seu emprego, mas não falam para os dois filhos.

Quem aparece para visitar o imóvel à venda é Max Mercer (Archie Yates) e sua mãe Carol (Aisling Bea), e ela comenta que uns bonecos antigos guardados por Jeff, herança de sua mãe, podem valer um bom dinheiro para venda online. Mais tarde o homem confere a informação e realmente é válida, só que o objeto valioso sumiu, então ele assume que foi Max quem pegou. Assim, em uma medida desesperada, ele resolve junto com sua esposa invadir a residência Mercer para pegar o boneco de volta.

No entanto, do ponto de vista de Max, que está sozinho em casa, a invasão do casal é uma ameaça, pois ele ouve uma conversa e assume que os McKenzie querem sequestrá-lo para vendê-lo. Dessa forma, a criança resolve defender sua residência no mesmo estilo do original, montando armadilhas contra os invasores.

Esse seria o clímax e a principal fonte de comédia de “Esqueceram de Mim no Lar, Doce Lar”, só que é difícil achar graça de um casal “bem intencionado” tentando “roubar” uma casa com uma criança sozinha. Assim, o sofrimento que Jeff e Pam passam nas emboscadas feitas pelo jovem Max parecem muito cruéis — e as gags físicas não funcionam, praticamente como se a criança se tornasse a vilã da narrativa. Se por um lado é interessante essa mudança de perspectiva da história original, por outro a trama não é engraçada.

A presença de Archie Yates também seria um diferencial, com seu carisma e talento, só que Max se torna um coadjuvante e o casal McKenzie assume o protagonismo, que serve apenas para prejudicar ainda mais a história de “Esqueceram de Mim no Lar, Doce Lar”. Para piorar, o tempo que Max passa sozinho em casa aproveitando a situação é bem curto e não demora para que a criança fique com saudade dos parentes e até sinta-se um pouco culpada. Talvez a intenção dos realizadores seja “ressignificar” a trama, deixando os valores da importância da “família tradicional” mais claros.

No mais, o filme de Dan Mazer faz inúmeras referências à película de 1990 e ainda usa alguns temas musicais criados por John Williams para ela, mas esses recursos pouco acrescentam à “Esqueceram de Mim no Lar, Doce Lar” do que um preguiçoso e óbvio fan service.

Em síntese, “Esqueceram de Mim no Lar, Doce Lar” subverte a trama do original colocando ladrões bem intencionados, mas isso só faz com que a história perca totalmente a graça. Nem mesmo o carisma do jovem Archie Yates consegue dar ao filme de Dan Mazer alguma qualidade.


Uma frase: – Mike Mercer: “Acabei de pisar em um Lego. É a coisa mais dolorosa do mundo.”

Uma cena: Max curtindo ficar sozinho em casa.

Uma curiosidade: Um dos modelos Lego em que Pam está pisando quando invadiu a casa de Max é a Torre Eiffel. No Esqueceram de Mim original (1990), a família McCallister estava viajando para Paris quando deixou Kevin sozinho em casa.


Esqueceram de Mim no Lar, Doce Lar (Home Sweet Home Alone)

Direção: Dan Mazer
Roteiro: Mikey Day e Streeter Seidell, história de Mikey Day, Streeter Seidell e John Hughes
Elenco: Ellie Kemper, Rob Delaney, Archie Yates, Aisling Bea, Kenan Thompson, Pete Holmes, Ally Maki e Chris Parnell
Gênero: Ação, Comédia, Família
Ano: 2021
Duração: 93 minutos

Ramon Prates

Ramon Prates

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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