Crítica | Velozes & Furiosos 9

Crítica | Velozes & Furiosos 9

Demorou, mas infelizmente a franquia Velozes & Furiosos chegou a um nível em que passou do ponto do absurdo, deixando de ser divertido, para se tornar apenas chato, sem sentido e megalomaníaco. O diretor Justin Lin retorna ao comando em “Velozes & Furiosos 9” e o tempo afastado não fez bem, já que ele retorna à direção bem menos inspirado do que nos outros capítulos que realizou, sendo que o último que ele dirigiu foi “Velozes e Furiosos 6” em 2013.

Parece que a saga liderada por Vin Diesel seguiu pela mesma trilha de Jeff Bezos, dono da Amazon, que achou que seria fundamental uma viagem ao espaço. Mas vamos chegar lá, antes é importante falar um pouco sobre a “trama” de “Velozes & Furiosos 9”. Tudo bem, a história nunca foi fundamental na franquia, mas sim as cenas de ação e o carisma dos personagens, contudo nesse F9 o roteiro escrito por Daniel Casey e Justin Lin não consegue nem o básico que seria justificar a ação vista na tela.

A única “inovação” dentro da franquia é o fato da trama não ser linear ao começar com um flashback apresentando o passado de Dominic Toretto, mostrando a época em que trabalhava junto com o pai, que era piloto de corrida. Surge então um novo personagem: o irmão dele chamado Jakob, mas sua aparição apenas soma-se a inclusão e exclusão de novos “bonecos” em Velozes & Furiosos, já que a exploração desse novo elemento antigo da família Toretto não contribui em quase nada para o que é visto em seguida.

A confusão do roteiro é tanta, que é até difícil fazer um resumo da sinopse. Digamos que o vilão nesta ocasião é o irmão Jakob Toretto, interpretado por John Cena, que se junta a Cipher (Charlize Theron), agora sob o comando de Otto (Thue Ersted Rasmussen), fazendo com que a equipe de Dom seja obrigada a sair da aposentadoria mais uma vez, dessa vez contando com a volta de Han (Sung Kang), que todos acreditavam estar morto.

Bom, se apesar da confusão do roteiro, as cenas de ação fossem divertidas, pelo menos no quesito diversão “Velozes & Furiosos 9” poderia compensar seus problemas, só que infelizmente não é o que ocorre. Ainda tem um fator que atrapalha ainda mais a imersão dentro da narrativa: Roman Pearce, personagem de Tyrese Gibson. Por causa dele fica difícil utilizar o recurso da “suspensão de descrença”, isto é: “a vontade do espectador de aceitar como verdadeiras as premissas de um trabalho de ficção, mesmo que elas sejam fantásticas, impossíveis ou contraditórias”, porque Ronan o tempo todo nos lembra dos absurdos do filme, com o fato deles nunca se machucarem e nem mesmo terem cicatrizes. 

Parece que Justin Lin quis usar isso como piada, mas o efeito é totalmente inverso. Assim, durante o filme, diversas coisas que talvez não chamassem a atenção te tiram “do filme”, dessa forma a imersão dentro da narrativa é comprometida por completo. “Velozes & Furiosos 9” parece não ligar para mais nada para ter alguma mínima coesão, chegando ao ponto de em uma cena de flashback mostrar Dominic e Jakob jovens, interpretados respectivamente por Vinnie Bennett e Finn Cole, deixando claro que Dom é mais alto, para logo em seguida apresentar um momento no presente em que é claro que Cena é mais alto que Diesel.

O “clímax” também mostra que algo que estava funcionando nos filmes anteriores, chegou em um ponto em que foram longe demais: a necessidade de sempre apresentar uma cena de ação mais grandiosa que no capítulo anterior. Depois de um tanque, carros “voando” de um prédio para o outro e um submarino (visto em “Velozes e Furiosos 8“), agora chegou a vez de vermos um automóvel indo para o espaço (!?). Mas por que não usar um veículo mais apropriado? Porque sem ter um carro aí deixaria de ser Velozes & Furiosos, se é que isso pode ser usado como justificativa.

Os efeitos visuais também são irregulares, mas o fato do filme apresentar um carro atravessar um precipício usando uma corda não ajuda muito em conseguir apresentar algo “verossímil” e coeso. É preciso admitir que a ausência de Dwayne Johnson e Jason Statham faz diferença, já que o carisma e química dos atores são inegáveis. Até mesmo as frases de efeito, tão comuns na franquia, soam constrangedoras. John Cena faz a sua parte para compensar, mas o roteiro não ajuda a desenvolver o personagem de maneira minimamente interessante. F9 até dá um pouco mais de protagonismo para as personagens femininas, mas em compensação deixa vilã Cipher em uma posição constrangedora e totalmente em segundo plano.  

Se por um lado Justin Lin foi o responsável por colocar a franquia Velozes & Furiosos em outro patamar, investindo mais na ação a partir de “Operação Rio”, agora em “Velozes & Furiosos 9” o diretor é o principal culpado pela mediocridade do filme.


Uma frase: – Tej: “Parece que estamos procurando onde está Wally no mundo de Harry Potter.”

Uma cena: O encontro de Dom com Magdalene “Queenie” Shaw onde eles fogem dentro de um carro roubado por ela. 

Uma curiosidade: Lançado exatamente 20 anos depois de Velozes & Furiosos (2001). 


Velozes & Furiosos 9 ( F9: The Fast Saga) 

Direção: Justin Lin
Roteiro: Daniel Casey e Justin Lin, história de Justin Lin, Alfredo Botello e Daniel Casey
Elenco: Vin Diesel, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson, Chris “Ludacris” Bridges, John Cena, Nathalie Emmanuel, Jordana Brewster, Sung Kang, Michael Rooker, Helen Mirren, Kurt Russell e Charlize Theron
Gênero: Ação, Aventura, Crime
Ano: 2021
Duração: 143 minutos

Ramon Prates

Ramon Prates

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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