Review HQ | Astronauta: Parallax

As Graphic MSP de Danilo Beyruth com o personagem Astronauta são sem dúvida as mais ambiciosas do selo, tanto na parte visual quanto na narrativa. No 5º volume da série, chamado Parallax, o artista continua a saga do protagonista, mas sem ainda estar próximo de um desfecho.

No campo da astronomia, Parallax (ou paralaxe) é a diferença na posição de objetos vistos em diferentes faixas de visão, medido pelo ângulo de inclinação entre as faixas. Na HQ, Danilo Beyruth explora o conceito em torno de universos paralelos, que já tinha iniciado em Assimetria, onde surgiu uma versão paralela do Astronauta.

Em Parallax temos três histórias acontecendo ao mesmo tempo, cada uma do ponto de vista de uma versão do Astronauta. O original está junto a Isa, filha do Astronauta alternativo, em busca de uma forma de levar a garota de volta à sua dimensão. Enquanto isso o alternativo, ao lado da sua esposa Ritinha, também busca uma forma de reencontrar sua filha. E o terceiro protagonista é a versão malvada, que foi citada também em Assimetria.

Falar mais sobre a trama pode estragar a experiência do leitor, afinal, Danilo Beyruth apresenta diversas surpresas e reviravoltas interessantes em Parallax. A expansão do universo do Astronauta é muito boa e é interessante ver como os elementos citados nas edições anteriores se conectam formando algo coeso e claramente pensado desde o início.

A jornada do Astronauta ao longo das Graphic MSP é fascinante; começa em Magnetar, com um homem solitário e sobre como ele convive com isso na vastidão do espaço, algo mais próximo da versão clássica dos quadrinhos de Maurício de Sousa. Só que aos poucos, durante o desenvolvimento da narrativa ao longo das cinco edições, ele vê a necessidade de se relacionar com outras pessoas e principalmente a importância de confiar nelas.

Beyruth se mostra cada vez mais à vontade com o Astronauta, adentrando cada vez mais na exploração do gênero ficção científica sem nunca perder a essência do personagem. E o mais impressionante é como ele consegue também incluir a brasilidade na história, sem que se torne algo inverossímil; o roteiro de Parallax inclui na narrativa a temática da intervenção militar, elemento bastante atual da história do Brasil.

Além disso, Beyruth também mostra um avanço na complexidade visual do universo do Astronauta, só confirmando o que já foi visto acima sobre sua ambição. E as cores de Cris Peter são fundamentais mais uma vez para manter a identidade visual da hq, sendo um dos destaques da parte visual de Parallax.

Danilo Beyruth confirma em Parallax seu domínio em torno do universo do Astronauta e dá mais um novo passo dentro dessa incrível história, inclusive com um gancho sensacional para a próxima edição. O jeito agora é aguardar ansiosamente por ela.


Classificação:


Astronauta: Parallax

Autor e Arte: Danilo Beyruth
Editora: Panini
Número de páginas:
96

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