Crítica | Amor Garantido (2020)

Amor Garantido é a nova comédia romântica da Netflix que infelizmente só garante o tédio. Um filme com uma ótima premissa, mas que não consegue sustentar seu enredo com veracidade e parece subestimar a inteligência de seus telespectadores.

Mesmo sendo particularmente uma fã de comédias românticas, desta vez a mais nova produção da Netflix deixou muito a desejar. Independente dos clichês de comédias românticas, que já são esperados, os problemas de Amor Garantido são inúmeros. Em geral a atuação dos atores é mediana, no entanto as falhas no enredo deixam o filme um tanto quanto incômodo e, inclusive, sem sentido.

Em Amor Garantido conhecemos a jovem advogada Susan Whitaker (Rachael Leigh Cook) uma mulher que está lutando para manter aberto seu pequeno escritório de advocacia pois sempre trabalha em casos de baixo retorno financeiro. Ela é uma pessoa extremamente correta e aparenta sempre buscar o que é certo. Um dos problemas do filme, uma vez que, mesmo tendo baixíssima renda, é que ela vive em uma casa muito bem mobiliada e tem dois funcionários que ninguém sabe quem paga o salário.

Mesmo deixando esses detalhes de lado, temos o ex-jogador de basquete Nick Evans (Damon Wayans Jr.). Ele começa sua jornada no filme em busca dos serviços de Susan, como sua advogada, a fim de processar um site de relacionamentos que garante o amor, que no entanto ele não encontrou, mesmo já tendo tido quase 1000 encontros através do site.

A premissa desse filme é ótima. A ideia de sair dos roteiros engessados de comédias românticas, em que a mulher está sempre em busca do amor, é algo positivo. Aqui vemos um personagem masculino em busca do amor e que não tem vergonha de lutar contra todos que possam tirar vantagem disso. Uma coisa que inclusive poderia ter sido melhor explorado, porém passa batido. No entanto, falta veracidade nas situações, não é possível criar empatia pelo casal e muito menos acreditar no que acontece durante as tratativas jurídicas no caso.

A passagem temporal do filme é confusa, o estilo de vida da personagem principal é incoerente, as tratativas jurídicas durante o caso são ingênuas e criam soluções milagrosas, além da presença de personagens caricatos e extremamente estereotipados. Por exemplo como os funcionários do escritório de Susan; Roberto (Sean Amsing) como o colega gay que entende tudo de sites de relacionamentos e a assistente legal Denise (Lisa Durupt) que claramente tem um problema de alcoolismo, mas é super divertida e a girlfriend da protagonista.

Uma grata surpresa é ver Heather Graham como Tamara Taylor, a CEO do site de relacionamento “Love, Guaranteed”. Ela é a personificação perfeita de um executivo, tanto na forma de abordagem das situações quanto com a inescrupulosidade. Que, uma vez mais, ao final resolve tomar o posicionamento mais característico de comédias românticas e reconhecer que pode ajudar as pessoas e ser “boazinha”.

Amor Garantido, lançamento da Netflix de 2020, é mais um filme para assistir por falta de outras opções. É uma comédia romântica que ganha pontos por tentar sair da zona de conforto, apresentando um protagonista homem em busca do amor, mas que perde pelas falhas de roteiro, deixando muito a desejar.


Uma frase: – “Não há garantias no amor, Nick.”

Uma cena: Quando Susan está em frente ao espelho treinando sua defesa no banheiro do tribunal, antes da audiência.

Uma curiosidade: Rachel Leigh Cook produziu e estrelou o filme. A ideia veio de um processo na vida real movido contra a Molson Coors, que alegou em sua publicidade que sua cerveja era produzida com “água pura das Montanhas Rochosas”. A ação movida pela personagem de Rachel Leigh Cook e seu cliente no filme gira em torno de promessas irrealistas feitas por um serviço de namoro online.


Amor Garantido (Love, Guaranteed)

Direção: Mark Steven Johnson
Roteiro:
Elizabeth Hackett e Hilary Galanoy
Elenco: Rachael Leigh Cook, Damon Wayans Jr., Caitlin Howden, Jed Rees, Lisa Durupt, Sean Amsing, Brendan Taylor, Alvin Sanders, Kandyse McClure e Heather Graham
Gênero: Comédia, Romance
Ano: 2020
Duração: 90 minutos

2 thoughts on “Crítica | Amor Garantido (2020)”

  1. A falta de verossimilhança (nem falo de realismo) desse filme realmente incomoda bastante. Uma pena, já que a premissa é até interessante. No final das contas a personagem mais “caricata”, interpretada Heather Graham, é a única que parece verossímil.

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