Review | Manifold Garden

Um gênero de jogos bastante de nicho que encontrou um lar confortável na indústria dos indies é o de jogos de quebra-cabeça em primeira pessoa. Outrora uma vertente mais mainstream (pelo menos entre os gamers de computador) – de onde saíram jogos históricos no começo dos anos 90 como Myst ou The 7th Guest – hoje em dia soube se renovar através de clássicos modernos como Portal ou The Witness, e encontra um público mais seleto, porém fiel.

Manifold Garden é mais exemplo dessa categoria. Lançado no final do ano passado na Epic Store (e em 18 de Agosto desse ano para PlayStation 4, Switch e Xbox One – em breve sairá também na Steam) e fruto da mente do artista William Chyr, ele parte de uma premissa já bem explorada no gênero, que explora a física dos objetos e deslocamento e percepção em um ambiente tridimensional, para desenvolver os desafios.

Talvez uma boa maneira de descrever o ambiente onde as mecânicas do jogo se desenvolvem é a obra do artista holandês M. C. Escher, cujos trabalhos remetiam em boa parte à construções impossíveis, onde não se podia dizer onde começavam ou terminavam os caminhos.

“Relativity Lattice”, uma das obras mais conhecidas de Escher

Em “Manifold Garden” você se locomove por arquiteturas que se replicam infinitamente e que terminam onde começam – você pode saltar de um parapeito e cair no teto do local onde saltou. Além disso, você pode girar o centro de gravidade para qualquer um dos eixos da tela (invertendo a gravidade para uma das paredes, ou para o teto, por exemplo), o que facilita o deslocamento e também altera o comportamento de determinados objetos (que só respondem se você estiver no mesmo “plano de gravidade” ao qual estão associados).

Os “puzzles” dos jogos estão relacionados muitas vezes a essa geometria e manipulação da gravidade, mas aos poucos outros elementos vão surgindo, o que vai aumentando a complexidade dos enigmas. Para jogadores já experientes com esse tipo de game, podemos dizer que o jogo é desafiador na medida certa, não sendo fácil demais mas também estando longe da complexidade de outros exemplos do gênero – o que para alguns pode ser bom, pois a dificuldade está longe de ser frustrante.

Esteticamente o jogo lembra muito um outro aclamado puzzle em primeira pessoa relativamente recente – Antichamber – devido a ausência de textura dos objetos e a maneira como lida com cor e iluminação de seus elementos. Porém, a lógica e a maneira de solucionar os desafios é bem diferente. É um jogo bastante bonito em sua simplicidade, com algumas arquiteturas de tirar o fôlego. Outro elemento digno de nota é a belíssima trilha sonora minimalista, composta por Laryssa Okada, que contribuem muito para o clima etéreo do game.

Importante estabelecer que como é comum nesse tipo de jogo, a narrativa fica em segundo plano, não havendo uma progressão de “história” propriamente dita, deixando bastante coisa para ser interpretada pelo jogador.

No fim das contas, em sua curta duração (dá pra terminar em aproximadamente cinco horas de jogos se você não quiser ir fundo nos segredos), “Manifold Garden” é um ótimo passatempo e exercício mental, com uma estética ao mesmo tempo relaxante e assombrosa. Porém é difícil recomendar para pessoas que não gostam de puzzles e procuram uma narrativa mais linear em um game. Para fãs do gênero, no entanto, é um prato cheio.


Classificação:


Manifold Garden

Plataformas: iOS, macOS, Windows, PlayStation 4, Nintendo Switch e Xbox One
Diretor: William Chyr
Desenvolvedora: William Chyr Studio
Ano: 2019

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