Uma análise rápida, pessoal e provavelmente injusta sobre “Noite Adentro”

A Netflix segue expandindo torrencialmente o seu catálogo de originais e a série belga  “Noite Adentro (Into the Night)” é mais um produto que chega ao catálogo e deve encontrar o seu público. Isso porque é definitivamente um daqueles seriados que tem o suficiente para prender a atenção de quem quer se desligar um pouco e apenas seguir ‘viagem’ com situações inverossímeis o bastante para deixar o cérebro no automático.

A série acompanha a saga de um vôo que sai de Bruxelas, à noite, e segue rumo ao ‘oeste’ depois de um passageiro ‘sequestrar’ o avião. Tudo por conta de um evento solar repentino que chega no planeta para aniquilar todos aqueles que ‘participarem’ do amanhecer. A única forma dos passageiros se manterem vivos é seguirem… Espere por istoNoite Adentro!

Quando coloquei no título que seria uma análise pessoal é porque resolvi tomar a liberdade de falar na primeira pessoa. E o motivo disso é por ter assistido apenas os dois primeiros episódios. Bom, foi o bastante para mim. Entendo o apelo, acho realmente que é uma produção que encaixa-se perfeitamente numa categoria do “não precisa explicar muito, só quero ver como eles vão escapar dessa” que, às vezes, até me agrada. 

Noite Adentro traz uma trama que mistura filmes de avião com apocalipse. A parte do avião vá lá, mas a do apocalipse é demais. E como sua explicação é tão absurda, personagens que não tem conhecimento suficiente na área/assunto são os que tentam esclarecer ao espectador o que está acontecendo. Um cara que não é bem técnico de TI fala sobre roteadores e switchs e um outro sujeito, que não é bem um cientista, fala sobre inversão de polos, não sei que porra gama e um monte de coisa que não faz o mínimo sentido e retruca “calma, eu não sou cientista!”.

Acompanhem comigo. O sol está matando as pessoas, quem tiver em qualquer lugar que amanheça, morre. Não é queimado, é tipo pá-bufo, já foi! Não adianta ficar em um abrigo ou lugar que a luz do sol não bata, basta estar em algum lugar que virou “dia” e você morreu. A ideia de ficar viajando durante a noite ao redor do mundo não é ruim, mas o motivo para eles terem que fazer isso me irrita. Não adianta, eu não consigo embarcar quando as coisas não fazem muito sentido, não precisam serem reais, obviamente, mas tem que ter uma explicação minimamente ‘enganável’ para que eu consiga me divertir.

A falha mais grave, no entanto, acontece no fechamento do primeiro episódio. Calma, não é bem um spoiler da história em si, é apenas algo que corrobora uma teoria que foi estudada já em diversos outros filmes (e algumas séries também). Ela se refere a produções em que, dentro do próprio enredo, algum personagem diz o nome/título da obra. E foi justamente quando o primeiro episódio estava acabando, e eu já puto por estar vendo tanta besteira, que a garota que ajudou a pilotar o avião apesar de só ter pilotado helicóptero, fala que a solução para todos permanecerem vivos é entrar Noite Adentro

Só que tudo isso é uma irritação pessoal e provavelmente sem sentido com a proposta deste seriado que foi baseado num livro de ficção científica escrito pelo polonês Jacek Dukaj. Espero que você, caro leitor (que está quase se arrependendo de ter parado aqui), não compartilhe desses meus sentimentos. 

Só por ser uma série não americana e que traz personagens de diversas nacionalidades à sua frente, já é o bastante para valer quanto nada a sua atenção no episódio piloto (não resisti). É o tipo de série que tem sim o seu lugar, ainda mais se você não estiver se preocupando em acompanhar uma história onde tudo  precisa ser bem explicadinho ou fazer o mínimo de sentido (quem sabe no final não faça? Eu não vou saber). 

As vezes faz bem desligar um pouco a caixola e apenas curtir a viagem. Deveria ter feito isto, mas não consegui. 

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