Westworld – S03E06 – Decoherence

Na mecânica quântica, a decoerência quântica é a perda da coerência ou ordenamento de ângulos de fase entre componentes de um sistema numa sobreposição quântica. Mas em Westworld, “Decoherence” (decoerência) parece ser perda de coerência com o restante da série. Ou podemos chamar o programa de “Sessão de Terapia”, já que no 6º episódio da 3ª temporada parece que estamos diante de uma consulta dos personagens em um psicólogo. E alguns deles parecem que perderam a coesão e outros lidam com a própria “razão”.

Aviso de SPOILERS

Os comentários a seguir falam sobre acontecimentos encontrados em Decoherence, o sexto episódio da terceira temporada de Westworld.

Está claro que nessa 3ª temporada Westworld está mais direta e menos preocupada em criar mistérios e muitas “complicações” para o espectador. Essa mudança de tom tem pontos positivos e negativos, mas “Decoherence” enfrenta mais a parte ruim dessa alteração. E como o próprio título parece “brincar” com isso, já que existe uma clara ‘perda de coerência’ do seriado.

A começar pela sessão de terapia William, onde o personagem enfrenta versões diferentes da própria personalidade, uma versão infantil, além do seu colega de empresa James Delos. Inclusive a presença de Delos parece ser apenas para agradar os fãs com um easter egg sem acrescentar muito à narrativa. Sem dúvidas Ed Harris é um ator fantástico e a construção do personagem Homem de Preto (agora também de branco) é um dos destaques de Westworld. Contudo, essa momento de “terapêutico” sofre de falta de sutileza, marca tão importante da série da HBO.

A primeira aparição de William nessa temporada já foi um pouco problemática ao mostrá-lo sofrendo com a culpa da morte da filha. Mas a aparição de sua versão criança foi um apelo bem ruim do roteiro ao mostrar que seus “problemas” já vinham desde essa época. Mas então quer dizer que a jornada dele dentro do parque de Westworld na 1ª temporada foi apenas para reviver algo da sua infância? Não parece fazer muito sentido a não ser alguma revelação desnecessária para simplificar a personalidade do personagem, um dos mais complexos e interessantes da série.

Outra personagem, que também é fantástica, que sofreu em “Decoherence” foi Maeve. Ela volta ao parque/simulação da 2ª guerra mundial, apresentado no 1º episódio, apenas para usar mais um pouco os cenários já criados. Brincadeiras à parte, a anfitriã se reúne novamente com Hector e Lee para ir atrás de uma versão de Dolores em busca de respostas.

Ver Dolores e Maeve frente-a-frente novamente é sempre bom, mas o conflito criado entre elas parece diminuir um pouco da força de cada uma das personagens. Elas são complexas e têm personalidades multidimensionais, mas resume o confronto a uma pequena briga de “irmãs” praticamente, ignorando que existe algo de maior na jornada de cada anfitriã.

A salvação de “Decoherence” fica por conta de Charlotte / Dolores, já que ela é a única personagem que leva o conceito de “perda de coerência” como algo positivo. A sua jornada é uma das mais interessantes dessa temporada, já que inicialmente não sabíamos quem estava “por trás” de Charlotte e seu comportamento ficava oscilando entre o antigo e o “novo”. Quando descobrimos que ela é uma versão de Dolores esse conceito perde um pouco da força, mas ao mesmo tempo se torna curioso já que a anfitriã “sofre” com as emoções da “personagem”, principalmente o amor pela família.

Então mesmo que não faça sentido a que após a fantástica fuga de Charlotte de dentro da Delos, que é o melhor momento do episódio – com direito até a uma versão moderna de um ED-209 (de Robocop) -, o fato dela voltar para salvar sua família faz todo sentido dentro da falta de coerência.

O que não faz sentido é Serac dizer que é para capturar ela viva e depois explodir o carro onde ela estava. Ou o seu plano de adquirir a Delos “apenas” para apagar a memória dos anfitriões. Sem dúvidas em alguns anos quem sabe esse episódio não possa se tornar um ótimo “A nostalgia era melhor antigamente”.

Pelo menos na parte técnica “Decoherence” mantém a coerência, inclusive com mudanças da razão de aspecto para diferenciar a simulação da 2ª guerra do mundo real – recurso usado outras vezes na série. E dessa vez não tivemos música pop, mas a trilha sonora de Ramin Djawadi continua sendo um dos pontos altos do seriado.

Mesmo com problemas, o saldo de “Decoherence” ainda é positivo, levando em consideração o que já foi construído anteriormente em Westworld. Ainda temos 2 episódios, vamos ver se a surpresa final da temporada com a conclusão desse ciclo vai ser positivo ou se a falta de coerência vai ser a grande decepção dessa 3ª temporada.



Westworld

Temporada: 3ª
Episódio: 06
Título: Decoherence
Roteiro: Suzanne Wrubel e Lisa Joy
Direção: Jennifer Getzinger
Elenco: Evan Rachel Wood, Thandie Newton, Jeffrey Wright, Tessa Thompson, Aaron Paul, Ed Harris, Luke Hemsworth, Simon Quarterman e Vincent Cassel
Exibição original: 19 de abril de 2020 – HBO

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