Crítica | Ferrugem (2018)

Ferrugem”, do diretor Aly Muritiba, lida com uma questão complicada e muito atual: como lidar com o vazamento de um vídeo íntimo na Internet. No filme a jovem Tati perde o celular durante uma festa e no dia seguinte um vídeo dela com um ex-namorado é compartilhado com os colegas do colégio. De uma hora para outra ela se torna a menina mais popular da escola, mas não da maneira que ela gostaria.

O filme fala principalmente sobre o sentimento de culpa. Tati é hostilizada por todos os colegas de classe, tanto meninos quanto meninas. Mas será que a vítima deve ser a culpada do vazamento? Para completar, o garoto que aparece no vídeo com ela praticamente não sofre nada. Ou seja, o machismo da nossa sociedade fica claro onde apenas a mulher que é questionada por sua liberdade sexual. E claro, é chamada de vagabunda, piranha e coisas do tipo.

Mas quem teria vazado o vídeo? O ex-namorado por vingança, já que Tati está com outro menino ou então o atual “crush”, que mexendo no celular dela viu o vídeo? “Ferrugem” lida primeiro com os sentimentos da garota em sua primeira parte, mas depois que a jovem toma uma atitude drástica, na segunda parte vemos o suposto culpado pelo vazamento lidando com o ocorrido.

Ou seja, “Ferrugem” não está interessado em julgar os envolvidos no vazamento do vídeo e sim mostrar como cada um deles lidou com a situação, principalmente com o sentimento de culpa. Nisso entram outros fatores, como valores familiares e a criação dos pais.

O filme de Aly Muritiba peca por não ir além, preferindo ficar no ponto de vista individual e no sentimento de culpa. Se por um lado é interessante justamente por não fazer julgamento moral dos personagens, já que a maioria é jovem e não tem ainda a total consciência de que pequenos atos e erros podem gerar grandes consequências, por outro deixa a história de “Ferrugem” um pouco superficial.

A obra, por exemplo, não se aprofunda no próprio nome, sem deixar totalmente claro o motivo do nome “Ferrugem”. Ainda assim, o longa metragem é bom, principalmente por abordar um tema tão importante e de maneira muito corajosa. O elenco jovem também merece destaque por retratar bem a juventude de maneira verossímil, sem clichês.


Uma frase: – Renet: “Eu não fiz nada, pô!”

Uma cena: Tati indo pro colégio levando uma arma.

Uma curiosidade: Filmado em Curitiba e na costa do estado do Paraná.

 


Ferrugem

Direção: Aly Muritiba
Roteiro:
Aly Muritiba
Elenco: Giovanni de Lorenzi, Tifanny Dopke, Enrique Díaz, Alex Ferreira e Clarissa Kiste
Gênero: Drama
Ano: 2018
Duração: 100 minutos

2 thoughts on “Crítica | Ferrugem (2018)”

  1. “Ferrugem” é um filme muito forte e que nos faz pensar em algo que as pessoas ignoram: a Internet não é terra de ninguém. Precisamos nos responsabilizar pelos nossos atos, e isso o filme discute de uma forma muito sutil.

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