Crítica | O Preço da Verdade

O capitalismo é cruel, principalmente quando empresas sem regulação colocam os lucros acima do bem estar das pessoas. O filme “O Preço da Verdade”, do diretor Todd Haynes, conta a história da empresa DuPont, uma das maiores companhias da área química que sofreu uma ação por causa de poluição. Na verdade a trama gira em torno do advogado Robert Bilott, interpretado por Mark Ruffalo, que trabalhava para corporações químicas, mas resolveu aceitar o caso de um pequeno fazendeiro da sua cidade natal, por indicação da sua avó.

O dilema de Robert começa justamente pelo fato de ser advogado ambiental de empresas do ramo. Será que ele deveria aceitar o caso de um estranho, correndo o risco de prejudicar a sua própria carreira? Ele é um homem casado e tem um filho pequeno. Mas ao desenrolar da trama percebemos que esse pequeno dilema moral não é nada diante do que foi feito pela DuPont.

O filme de Todd Haynes é inspirado em uma história real assustadora e muito impactante. Pense que nos EUA, onde o “sistema” teoricamente funciona, já que é um país de 1º mundo, DuPont se aproveitou da falta de uma regulação clara, pensando nos lucros e ignorando os riscos à população. Como isso foi possível? Fácil, nessa época quem deveria regular certos elementos desconhecidos eram as próprias empresas envolvidas nesses processos, o que abriu a brecha para burlar as regulações ambientais.

No entanto, “O Preço da Verdade” é bastante convencional, explorando clichês de filmes inspirados em casos reais, principalmente se tratando de dramas que envolvem tribunais. O roteiro explica o caso de forma bem didática e clara, mas peca na forma como explora o lado pessoal do protagonista Robert Bilott.

Um bom exemplo é a maneira como sua esposa, interpretada por Anne Hathaway, é apresentada na história, servindo mais como “antagonista” do personagem, do que realmente mostrar como uma mulher que sofreu por causa da negligência do marido, que estava totalmente dedicado ao caso contra a DuPont.

Apesar do problema, as atuações são muito boas, e apesar de Hathaway não ter muito espaço para explorar o drama da sua personagem, Mark Ruffalo encarna bem o dilema do homem comum na luta contra uma grande corporação e os sacrifícios que ele se submeteu. O ator interpreta Robert com seu carisma de sempre e o drama do protagonista funciona bem como fio condutor da narrativa.

Em síntese, O Preço da Verdade apresenta uma história fascinante, mas é um filme convencional e burocrático. A urgência da sua narrativa, principalmente quando pensamos em outros casos de descaso de grande empresas, como o caso do rompimento da barragem de Brumadinho por negligência da Vale, nos faz pensar como é absurdo que as corporações não enxerguem vidas, apenas lucro. Mesmo que Todd Haynes não entregue um grande filme, somente o fato de apresentar essa história para o mundo e acender o alerta para esse tipo de problema já é um grande feito.


Uma frase: – Robert Bilott: “O sistema está fraudado. Querem que pensemos que ele vai nos proteger. Nós é que nos protegemos. Nós!”

Uma cena: Quando a DuPont envia diversas caixas de documentos para o escritório de Robert Bilott.

Uma curiosidade: Segundo filme que Mark Ruffalo aparece lidando com a família DuPont. O primeiro foi Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (2014).


O Preço da Verdade (Dark Waters)

Direção: Todd Haynes
Roteiro:
Mario Correa e Matthew Michael Carnahan
Elenco: Mark Ruffalo, Anne Hathaway, Tim Robbins, Bill Camp, Victor Garber, Mare Winningham e Bill Pullman
Gênero: Biografia, História, Drama
Ano: 2019
Duração: 126 minutos

One thought on “Crítica | O Preço da Verdade”

  1. Não estava sabendo da existência desse “O Preço da Verdade”… Acho que, apesar dos clichês que você aponta na sua crítica, sempre vale a pena assistir algo dirigido por Todd Haynes e com um bom elenco destes…

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