Crítica | Kursk – A Última Missão

Dirigido pelo aclamado cineasta dinamarquês Thomas Vinterberg (“A Caça”), “Kursk – A última Missão” conta a trágica história do submarino nuclear russo K-141 Kursk que, após um incidente, ficou preso no fundo do oceano. Baseado em acontecimentos reais, o filme é mais um thriller de confinamento e luta por sobrevivência que sabe se utilizar bem da linguagem do cinema para contar a sua história.

Quando o submarino mergulha no mar e a tela se abre – nesse momento um narrador cult na sessão de imprensa avisou em alto e bom som, caso ninguém tivesse notado, que tinha mudado a razão de aspecto – é que finalmente o espectador é convidado a acompanhar um dos subgêneros mais claustrofóbicos do cinema, o de filmes de submarino. A partir daí, tudo o que se espera de uma obra desse tipo acontece, sem muitas surpresas mas tudo muito bem executado, mesclando momentos de respiro com outros de muita tensão.

O roteiro de Robert Rodat consegue caminhar bem com a história e ajuda a manter o clima de suspense e tensão por boa parte do filme. Enquanto os marinheiros tentam se manter conscientes e vivos, utilizando tudo o que aprenderam para sobreviver a situações como esta, em ‘terra’ o jogo político se desenrola enquanto as mulheres lutam para obter respostas sobre os seus maridos.

A direção de Thomas Vinterberg trabalha bem com o elenco, dá pra sentir a “brotheragem” entre a tripulação do Kursk em cada sequência. Ele faz um bom trabalho também com tudo o que é utilizado em cena – se tivesse aqui ao meu lado o narrador cult diria mise en scène – principalmente quando ele nos mostra, por diversas vezes, que é um filme sobre tempo. Isso pode ser observado quando, logo de início, eles se desfazem de seus relógios para ajudarem no casamento do amigo e, essa ação, por mais que seja uma boa ação, vai trazer consequências mais à frente.

Não dá pra fugir muito do que aconteceu, principalmente na questão do protelamento da aceitação de ajuda internacional feita pela Rússia na época. Ainda assim, “Kursk” não foge muito da forma como os Russos, em principal os altos escalões governamentais, são retratados em tela. De um lado toda a empatia e benevolência ocidental, do outro monstros que assustam crianças só com um olhar. Fica fácil escolher pra que lado torcer.

No final das contas, “Kursk – A Última Missão”, é uma daquelas produções bem realizadas mas sem muito o que oferecer além de tudo o que já se espera de obras deste (sub) gênero. A verdade é que Thomas Vinterberg já fez filmes bem mais inspirados e interessantes, e se tivesse que indicar algumas obras dele para alguém, esta não entraria na lista, ainda que seja um bom filme.


Uma frase: “E porque sinto tanto frio?”

Uma cena: Quando um dos marinheiros conta a piada do Urso Polar. 

Uma curiosidade: Este foi último filme de Michael Nyqvist. O ator morreu devido a um câncer de pulmão em junho de 2017, um mês antes de encerrarem as filmagens. Todas as cenas com ele já haviam sido filmadas, no entanto.

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Kursk – A Última Missão (Kursk)

Direção: Thomas Vinterberg
Roteiro: Robert Rodat (adaptando livro escrito por Rober Moore – A Time to Die)
Elenco: Matthias Schoenaerts, Léa Seydoux, Colin Firth, Max von Sydow, August Diehl, Steven Waddington e Matthias Schweighöfer
Gênero: Ação, Drama, Thriller
Ano: 2018 (2020 no Brasil)
Duração: 1h e 57 min.

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