Crítica | El Camino: Um filme de Breaking Bad

Lançado pela Netflix 6 anos após o final de Breaking Bad, “El Camino” é mais um derivado (spin-off) de um dos seriados mais importantes dos últimos tempos. Não é tarefa fácil extrair mais de uma obra já considerada, tanto por crítica quanto pelo público, como ‘perfeita’, mas o filme é muito bem realizado e bem produzido. Ele chega para encerrar um arco que ficou aberto ao final da série e, de quebra, nos relembrar porque ela era tão amada.

Sem entrar no mérito de ser um filme necessário, o fato é que o destino de Jesse Pinkman (Aaron Paul) ficou em aberto quando a série chegou ao fim e, o que antes era uma ideia de um curta metragem, se transformou num filme que é uma grande homenagem não apenas a este personagem, mas também a tantos outros que ajudaram a tornar Breaking Bad um dos seriados mais queridos dos últimos tempos.

Vince Gillingam traz toda a sua equipe de volta, a mesma que está fazendo um trabalho primoroso na série Better Call Saul –  que não deixa de ser também outra homenagem a Breaking Bad – para entregar mais uma produção com excelente qualidade técnica. Existe uma cena que envolve uma busca num apartamento ‘abandonado’ que levou horas e mais horas para ser filmada e, em tela, traz alguns segundos de deleite visual.

Sem pressa, “El Camino” caminha no seu próprio tempo, dando espaço para o espectador revisitar cada um dos personagens ao mesmo tempo que acompanha a jornada de Jesse Pinkman que tenta, finalmente, se ver livre de tudo o que fez no passado. Bastante afetado pelos dias em cativeiro, aos poucos ele vai se recuperando e pegando aquele fôlego final para, finalmente, ser livre.

As atuações cativantes, não apenas de Aaron Paul como de todo o elenco, e o trabalho extremamente detalhista da equipe de produção (alguns objetos tiveram que ser recriados como os originais), ajudam a nos transportar de volta ao universo de Breaking Bad. Nem parece que já se passaram 6 anos após o final da série. A sensação que fica é a de se estar acompanhando um episódio extra lançado na semana seguinte ao final do seriado.

O roteiro é bem básico e não se preocupa em trazer grandes reviravoltas ou ‘surpresas’ geniais, não é esse o foco de “El Camino”. Muito do que o filme trás é apresentado em flashbacks e, claro, com ‘fan services’. Tudo isso ajuda a tornar essa produção uma viagem na qual os fãs poderão reencontrar velhos conhecidos, relembrar de tudo o que tornou a série especial  e, claro, fechar uma lacuna que ficou aberta.

Longe de ser espetacular ou de trazer o suficiente para se tornar um grande marco, “El Camino” é um produto destinado exclusivamente aos fãs de Breaking Bad. Para todos os que sentem saudades da série é, sem dúvidas, uma boa pedida ainda que não seja imperdível. Uma bonita e bem executada homenagem não só a série em si, mas também a alguns personagens inesquecíveis.


Uma frase: ”Você é muito sortudo, sabia disso? Você não precisa esperar toda a sua vida para fazer algo realmente especial.”

Uma cena: Todd cantando enquanto viaja com Jesse em seu carro. 

Uma curiosidade: Este filme marcou a despedida de Robert Forster. O filme foi lançado no mesmo dia em que o ator faleceu.


El Caminho: Um filme de Breaking Bad (El Camino: A Breaking Bad Film)

Direção: Vince Gilligan
Roteiro: Vince Gilligan
Elenco:  Aaron Paul, Jonathan Banks, Matt Jones, Charles Baker, Jesse Plemons e Robert Forster
Gênero: Ação, Drama
Ano: 2019
Duração: 122 minutos

2 thoughts on “Crítica | El Camino: Um filme de Breaking Bad”

  1. Eu daria 2 bacons (na verdade 2,5, mas os líderes da Pocilga não estão antenados com os anseios do povo e insistem em só permitir números inteiros). Foi legal por rever os personagens da série, mas o filme acrescenta bem pouco.
    Ele se propõe a responder a pergunta “o que aconteceu com Jesse depois do fim da série?” e a resposta basicamente é “ele fugiu”, que é o que a gente já sabia.
    Se fosse um episódio da série, seria um bem esquecível.

    1. Acho que só pela cena do doidinho cantando no carro já me fez valer os 3 bacons, aproximando pra cima. O roteiro realmente não tem nada demais, nenhum grande plot twist ou jornada espetacular, é só mesmo como você disse: Jesse fugindo.

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