Crítica | O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio devolve o protagonismo da franquia a sua verdadeira dona: Linda Hamilton. A atriz, que interpreta a personagem Sarah Connor, esteve presente nos 2 primeiros filmes da série e é interessante ver a evolução entre os filmes. No primeiro ela é uma mocinha inocente, enquanto no 2º ela é uma mulher durona e pronta para salvar o mundo, e que agora está ainda mais preparada.

Nesse novo capítulo da saga, os filmes que seguiram após o “O Juízo Final” são ignorados e temos uma continuação direta do segundo. Isso transforma Destino Sombrio numa mistura de continuação com reboot, mas também ajuda a salvar a cronologia bagunçada na qual a série havia se tornado. Isso se deve não só a volta de Linda Hamilton, mas também de James Cameron, que dirigiu os 2 primeiros filmes e agora volta como um dos criadores da história e um dos produtores.

No entanto, o grande trunfo de Destino Sombrio não é apenas dar protagonismo a Sarah Connor, mas também apresentar novas personagens femininas. Além disso, uma delas é mexicana e é a nova pessoa a ser protegida do novo exterminador. Ela se chama Dani e é interpretada pela colombiana Natalia Reyes.

A trama se passa no México e o simbolismo por trás disso, considerando a realidade atual dos EUA onde o presidente quer construir um muro separando os países, é muito importante. E também a visão dos mexicanos apresentada pelo filme de Tim Miller é bem diferente da apresentada em Rambo: Até o Fim, deixando a caricatura de lado e mostrando um lugar mais verossímil.

Grace, interpretada por Mackenzie Davis, é uma humana “aperfeiçoada” que é enviada do futuro para proteger Dani do novo exterminador Rev-9, que é interpretado por Gabriel Luna, de origem mexicana. Ela vai contar com a ajuda de Sarah, cuja missão atual é destruir todos os exterminadores que aparecerem, e também com um velho amigo de Sarah: Carl, mais conhecido como T-800, interpretado por Arnold Schwarzenegger.

Spoilers e Simbolismos

Uma cena logo no início de Destino Sombrio define os 2 principais personagens da série: Sarah e T-800. O filme começa pouco tempo depois dos eventos ocorridos em “O Juízo Final” e a Skynet enviou um outro exterminador T-800 para matar John Connor. Quando a encontramos nos dias atuais, sua eterna luta contra as máquinas se tornou seu objetivo de vida e uma forma de lidar com a perda do filho. Ela se tornou uma mulher sem sentimentos, praticamente uma máquina de matar, assim como os exterminadores. Por outro lado, Carl, o T-800, após cumprir seu objetivo principal ficou vagando pela Terra e aprendeu a “ser humano”, algo que sua versão do Exterminador do Futuro 2 tinha aprendido brevemente junto com John.

Sem dúvidas o personagem interpretado por Schwarzenegger é o mais interessante do filme, e o ator mais uma vez entrega uma atuação brilhante dessa nova versão do exterminador. A dualidade do seu comportamento diante de Sarah e o eventual choque mais uma vez do encontro entre eles é o grande trunfo da narrativa. Nesse ponto o roteiro consegue acrescentar algo novo à série, com novos elementos filosóficos em torno da questão do que nos faz ser humanos.

Jornada das mulheres (e mais um pouco de spoiler)

Ao colocar as mulheres como protagonistas Destino Sombrio mostra o quanto os tempos estão diferentes em 2019, apesar de tudo, e de como é importante dar protagonismo a elas. A jornada de Dani é a melhor desenvolvida pela narrativa, ao fazer um paralelo da personagem dela com a de Sarah. Contudo, Natalia Reyes tem a oportunidade de desenvolver melhor sua personagem, já que é fascinante como ela se transforma durante o filme. Começa como uma jovem que aceita as ordens de Grace e Sarah, sem saber bem o que está acontecendo ao redor. Mas aos poucos ela mostra os sinais da liderança e do motivo pelo qual precisa ser protegida para ajudar na salvação da humanidade.

Nesse ponto o roteiro também acerta ao colocar nela uma mistura da própria Sarah com John. Como a própria Connor diz em determinado momento: “você é o novo John”. Essa frase é brilhante e problemática ao mesmo tempo. Faz todo sentido dentro da série mostrar a evolução do papel das mulheres, de no lugar de apenas ser a mãe do líder da resistência ela se torna a própria líder. Mas ao mesmo tempo erra ao comparar a personagem com um homem, o que é desnecessário, já que elas não precisam dessa comparação para ter seu próprio reconhecimento. E isso é o interessante da arte, já que ela abre interpretações de ambas as formas.

Já Grace de Mackenzie Davis faz um bom equilíbrio entre uma máquina e humana, mostrando o rigor físico e o pragmatismo de uma máquina em querer fazer de tudo para cumprir sua missão, mas ao mesmo tempo com suas próprias limitações do seu lado humano. A atriz alterna entre esses dois lados muito bem, desenvolvendo uma personagem que funciona bem.

Apesar de tudo, sem grandes novidades

Bom, apesar de todos os pontos positivos apresentados, principalmente em relação ao protagonismo feminino, o principal problema de O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio é que ele fica preso dentro das próprias fórmulas da série. A começar pela narrativa, onde temos mais uma vez um exterminador caçando uma humana. O vilão interpretado por Gabriel Luna parece uma versão genérica do T-1000 de O Juízo Final, com algumas poucas inovações. Nas cenas de ação o Tim Miller apresenta uma irregularidade, apresentando resultados positivos quando constrói momentos inspirados na franquia, mas peca quando tenta inovar, como na ambiciosa cena da queda de um avião, que é prejudicado pela falta de habilidade do cineasta em desenvolver a mise-en-scène, resultando em uma confusão difícil de acompanhar.

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio tinha potencial para ir além, e ainda que acerte na maior parte do tempo, sua ambição não é alcançada no final, mas mantém o padrão positivo da série, que vinha se perdendo na confusão temporal da cronologia dos filmes anteriores.


Uma frase: – “I´ll be back!” (eu voltarei)

Uma cena: A perseguição de veículos onde o vilão Rev-9 persegue num caminhão as personagens Dani e Grace, que estão num carro.

Uma curiosidade: Esse é o 1º filme de Linda Hamilton em que seu nome aparece no topo da lista do elenco. E esse é o 1º filme da franquia Exterminador do Futuro no qual o nome de Arnold Schwarzenegger aparece em 2º.


O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (Terminator: Dark Fate)

Direção: Tim Miller
Roteiro:
David Goyer, Justin Rhodes e Billy Ray; história de James Cameron, Charles H. Eglee, Josh Friedman, David Goyer e Justin Rhodes
Elenco: Linda Hamilton, Arnold Schwarzenegger, Mackenzie Davis, Natalia Reyes, Gabriel Luna e Diego Boneta
Gênero: Ação, Aventura, Sci-Fi
Ano: 2019
Duração: 128 minutos

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